26.10.09

DO DOSADOR

* como eu lhes contei aqui, em 07 de outubro de 2009 apostei minhas fichas (ainda aposto, infelizmente, mas sem a mesma convicção) no Palmeiras. Ontem cedo, ainda pela manhã, ansioso com a partida entre o Botafogo e o Flamengo às 18h30min - três semanas se passaram e o quadro modificou-se agudamente graças a tropeços do clube palestrino -, bati o telefone para Fernando José Szegeri, palmeirense fanático. Eu ia lhe pedir (e de fato pedi) solidariedade. Pedir que torcesse para o meu Flamengo. Ouvi, do outro lado da linha, impropérios impublicáveis. O homem da barba amazônica, supersticioso como todo torcedor que se preze, atribui a mim a franca queda do Palmeiras. Disse, textualmente, que a partir de minha aposta, feita aqui no balcão, o Palmeiras começou a perder preciosos pontos, pondo em risco o título de campeão brasileiro de 2009. Como eu creio na força da palavra do meu irmão siamês de São Paulo, repito: o Palmeiras será o campeão brasileiro de 2009. Consequentemente - sigo nas sendas da minha superstição - o Flamengo não ficará com o título. Aguardemos as próximas rodadas;

* ainda o futebol. É impressionante, é rigorosamente impressionante como vem jogando o Petkovic - impressionante! Como bem disse Carlos Andreazza em 20 de maio de 2009 (há mais de cinco meses, portanto) - aqui - sua contratação devolveu ao torcedor rubro-negro o mais puro prazer da assistência das partidas, todas elas transformadas em espetáculo a cada atuação do craque - que é, convenhamos, uma das principais funções do craque. Soma-se às nítidas vantagens auferidas após a volta do jogador, a saída - espero que definitiva, embora seja duvidoso que o canalha desista pra sempre do osso que rói como o mais fétido dos ratos (não sei se ratos roem ossos, mas não vou mudar a imagem tétrica que criei) - de Kleber Leite e seus asseclas do comando do futebol do Flamengo;

* ainda o futebol. O maior mérito de Andrade não foi "arrumar o time", "dar nó tático", nada disso, nada dessas balelas que os lamentáveis cronistas esportivos tossem por aí. Andrade, que fala a língua dos homens, que entende de futebol com a mesma clareza com que jogou bola, deu a cada um dos jogadores funções indispensáveis no exato limite de cada um. Daí, e por conta dessa mágica simples (mas que só os mágicos sabem fazer), o mais mediano dos jogadores passou a ser imprescindível. E que alegria, meus poucos mas fiéis leitores, ver que a zaga reserva jogou como titular (e como jogou, o menino Fabrício!), garantindo a vitória e os três pontos mesmo com a acentuada queda de produção no segundo tempo. Sem perder há dez jogos, o Flamengo... isso deixa para lá, por questões de superstição;

* ainda o futebol. Prova maior de que o campeonato está equilibradíssimo e de que nenhuma das equipes vem, realmente, jogando o fino do fino, está na mera observação de que nem o líder, Palmeiras, conseguiu vencer pelo menos metade dos seus jogos, o que me parece patético. Já o Fluminense, em tristíssima campanha e já rebaixado (valerá a regra szegeriana nesse caso?), perdeu mais da metade de seus jogos. Irá para a segunda divisão - de onde sairá o Vasco. O Botafogo, a meu ver, fica na primeira;

* ainda o futebol. Adriano, ao lado de Diego Tardelli, é o artilheiro do campeonato até o momento, com 16 gols. Seu gol de ontem, um misto de sorte, competência e força, comprova uma vez mais que ele é forte candidato à artilharia - o que será merecidíssimo, aliás. Tanto se falou do Adriano, tantas críticas, tanta maledicência, que borbotam línguas queimadas por aí;

* ainda o futebol. A rodada de quarta-feira, e as próximas, até a última, hão de pegar fogo. Se o Flamengo cumprir seu papel contra o Barueri, fora de casa, e se São Paulo e Internacional tropeçarem juntos no Morumbi, se o Palmeiras perder pontos para o Goiás no Palestra Itália, e se o Fluminense começar a escalar o poço do rebaixamento contra o Atlético Mineiro no Maracanã - esses dois últimos jogos na quinta-feira... isso deixa para lá;

* ainda o futebol (e hoje só deu futebol). Vale muito a pena ver a entrevista de Zagallo ao portal da Copa do Mundo de 2014, aqui (apenas a primeira parte). Uma vida inteira dedicada ao futebol e um homem envolvido em inúmeras polêmicas ao longo de mais de 50 anos que cruzam a Copa do Mundo de 1950 (com uma curiosidade que eu desconhecia!) e rasgam os calendários até os dias de hoje. Tenho respeito, acima de tudo, pelo velho Lobo.

Até.

9 comentários:

José disse...

Não li até o final. Minha RELIGIÃO é o MENGÃO rumo ao HEXA. Sei que você tem muitos irmãos paulistas, mas não creio na reciprocidade não. Paulista, tirando as estatísticas desprezíveis,detesta os cariocas.
SRN e tijucanas. JRSC.

Eduardo Goldenberg disse...

José: pois deveria ter lido até o final. Ou não tiraria conclusões equivocadas. Rumo ao... isso deixa para lá. Não posso (ou não devo) falar. Um abraço.

Rodrigo disse...

José, isso que Paulista odeia carioca, é balela. Eu sou paulista, acima de tudo brasileiro, no sentido de amar o país que nasci e vivo. Não tem porque dizer que carioca é isso, mineiro é aquilo. Para você ver, troço bonito de escutar, quando o Flamengo joga, aqui no meu bairro se escuta tantos fogos como se fossem e times paulistas jogando. Pra completar, espero ir no Rio, conhecer principalmete a zona norte, tantas vezes citada aqui. Abraço, Edu!

Boa sorte para o seu FLAMENGO, e boa sorte para o PALMEIRAS, do seu irmão FERNANDO. Que vença o melhor.

Abraço

Marcelo disse...

Edu,
Sigo na sua toada
PORCOOOO, PORCOOO, PORCOOO!!!
Dá-lhe Palmeiras
Abraço

Carlos Andreazza disse...

Edu, vimos juntos - lembra-se? - a volta do Pet ao Maracanã, num trágico empate com o Náutico.

O craque entrou no segundo-tempo e criou a jogada que resultou no gol de Leo Moura - o tento de empate.

Naquele momento, Fraga gritou - do alto da arquibancada: "O gringo não pode ficar fora do time; tem de começar jogando" - e foi, claro, ouvido.

Fraga e Andrade, craques também, falam a mesma língua - a dos grandes.

Luiz Souza disse...

Já vi o Palmeiras fazer esse tipo de coisa centenas de vezes. A tendência agora é ladeira abaixo. Claro que torço para que meu primeiro amor leve o caneco, o que configuraria milagre jamais visto pelas alamedas do Jardim Suspenso.

+++

Andrade nem sabe o bem que está fazendo ao nosso futebol, cada vez mais pentecostal e morno. Ele tenta, com sucesso, aplicar sua concepção de bom futebol ao futebol jogado atualmente. Graças a ele, o nível irá subir de novo.

Vanessa Dantas disse...

O Luiz Souza está certo, meu time já fez esse tipo de coisa centenas de vezes. Mas ainda levo fé.

Além da entrevista do Zagallo, recomendo os demais vídeos. Outros entrarão no ar em breve, muito em breve. Vale acompanhar!

beijo, Edu!

alexandre disse...

Amici Edu, Dio Mio, escrever Palmeiras negritado em preto é uma heresia imperdoavel.

Amigo Luiz Souza ,não fale assim do campeão do XX,ladeira abaixo só a do pelourinho. Lembremos que na fase de grupos da Libertadores todos davam como morto o time do Palmeiras.



Saudações Palestrinas

Luiz Souza disse...

Amigos, estou apenas levando em conta o frio retrospecto. Deixar de pôr fé no Palestra, jamais! A lembrança do gol do Cleiton em Santiago não nos deixa fazê-lo. Épico! Agora é hora da estrela de Obina + 10, meias brancas e o que mais puder ajudar.



PS: Esse Edmílson é um eterno impostor, não?