25.11.09

DO DOSADOR

* O Fluminense enfrenta a LDU hoje à noite pela primeira partida da final da insignificante Copa Sul-Americana, em Quito. A Copa, diga-se, deixa de ser insignificante apenas para o Fluminense que tentará, na quarta-feira que vem, no jogo da volta, vingar-se de decepção aguda que sofreu no ano passado, quando perdeu o jogo final, da Libertadores, para a mesmíssima LDU no Maracanã (será uma vingança minúscula, eis que a Libertadores é a Libertadores). E já que falei em insignificância, posso apostar que a torcida tricolor, essa torcida historicamente dada a afetações, montará um patético mosaico para superar (sem êxito, digo desde já) a papagaiada armada pela torcida do Flamengo no domingo passado, no jogo contra o Goiás - vejam aqui;

* falei em insignificância e quero lhes contar sobre dois comentários extremamente significativos feitos no texto O BAR DO CHICO ACABOU, aqui. Um deles feito pelo Angelo, mais-que-freqüentador do bar e meu colega de colégio. Ele mora na Pardal Mallet e era daqueles que podia ser encontrado todos os dias bebendo sua mofada na calçada. O outro, feito pelo Cesar Tartaglia, que chegou a dar nome a um dos pratos do buteco e que também não esconde sua profunda decepção. Vamos a eles:

"NÃO EXISTE MAIS CERVEJA GELADA NO CHICO!!! EM DIA E EM HORÁRIO NENHUM!!!"

"Edu, logo que o Chico inaugurou o puxadinho, o Felipinho me mandou um e-mail, triste da vida. Tomo a liberdade de reproduzir aqui a minha resposta pra ele: "Havia um tempo não ia ao Chico, e resolvi ir almoçar lá dois dias depois de ele ter inaugurado o troço. Levei um susto, claro - mas de certa forma já esperava algo do gênero. Infelizmente, ele optou por alanchonetar o puxadinho. Mas mesmo nao tendo gostado do que vi, pensei lá com meus botões: "Bem, pelo menos a cerveja e a comida nao devem ter mudado". Ledo ivo engano, como diria o Jaguar: quando um daqueles borboletas veio me atender, de um jeito completamente diferente como o faziam o Antonio, o Chicão, o Cildo, aqueles nossos garçons, eu pedi uma mofada. Ele ficou me olhando com uma cara assustada - certamente jamais servira uma cerveja mofada, como aquelas que a gente só bebia no Chico. Expliquei o que era, e ele me volta com uma Brahma lisa. Só de olhar vi que cerveja mofada havia virado coisa do passado. Dei um crédito de confiança, pedi outra - com a ressalva de que o Cabeça, que estava no balcão, sabia como eu gosto da cerveja. Necas, veio do mesmo jeito, pouco gelada, nada que lembrasse nossas garrafas congeladas. Resolvi conferir a comida. Pedi o cardápio, e vi que já nao sou mais nome de prato. "Fazer o quê?", pensei. Pedi a minha carne de sol, meia porção - que antes vinha numa quantidade que dava pra três. Vieram umas tiras grossas, sem graça, um montinho de nada de carne. Desisti, comentei com quem estava comigo que eu estava desiludido e que havia acabado de perder meu buteco. Voltei lá uns dias depois, dando mais um crédito - "Eles estao enrolados com o serviço novo", concedi. Por via das dúvidas, me sentei na calçada da Afonso Pena, de frente apenas pros azulejos coloridos e pras fotos que fariam a alegria do Ego do Buteco do nosso Edu (será que elas ainda estão lá?), tirando o puxadinho da minha visão. Pedi novamente uma mofada e nada. Desisti. Acabei a Brahma e fui embora. Eu gosto do Chico, é um cara bacana, e torço pra que ele se dê bem na vida. Mas meu buteco, sinceramente, acho que nao existe mais. Felipe, isso é triste pra nós, que sabemos o quanto um buteco de responsa é importante pra temperar amizades, ou pra dar vida a uma esquina, um bairro. No caso do Chico, eu particularmente sinto uma pontada no coração porque era ali que, todo fim de semana, eu me sentava com meu irmao pra tomar nossa cerveja. Depois que ele morreu, eu passei a ir menos por lá, mas mesmo assim sempre que ia me sentava na mesma mesa onde nós dois, eventualmente com filhos, namoradas etc, costumávamos tomar nossa mofada e comer nossa carne de sol, nossa moela e botar o papo em dia. Agora nem essa lembrança do meu irmão eu posso mais guardar. Uma pena"."

Tristíssimo, como se vê;

* falei em insignificância e quero dividir um troço com vocês. Conheço alguns fundamentalistas do PSOL que deixaram de falar comigo (notem como são democratas) por conta de minhas críticas ao comportamento do partideco que é e à musa de todos eles, Heloísa Helena. Quando ainda me dirigiam a palavra, diziam depois das sessões de lobotomia na rua do Rosário: "A Heloísa Helena está muito na frente da Dilma nas pesquisas! Espere pra ver!". Eu apenas ria - como uma hiena. E não é que acabo de saber que começaram as conversas entre o PV (do Zequinha Sarney) e o PSOL? E não é que acabo de saber que o PSOL, e conseqüentemente HH, irá apoiar a candidatura da Marina Silva? Diante disso, o que disse a vereadora de Maceió? Tirem as crianças da sala: "Não vamos nos render à medíocre matemática eleitoralista". Ah, não?! Então por que não sai candidata sozinha e toma uma surra como merecem os histéricos que berram sozinhos no Buraco do Lume às sextas-feiras? Como eu não tenho o menor talento para análises políticas mais aprofundadas, alguém me explica esse circo?;

* antes que alguém me acuse por excesso de ingenuidade, quero dizer que não tenho a menor esperança de receber qualquer resposta dos editores do cada vez mais podre jornal O GLOBO (como lhes contei aqui). Arrogantes como sempre, jamais se dignaram a explicar o plágio escancarado cometido por uma de suas empregadas, também editora de um dos cadernos do jornal. Talvez, quem sabe, eu consiga contato com Roberto Marinho numa sessão de espiritismo, de mesa branca, como diria meu mano Luiz Antonio Simas. Ele, que sempre esteve do lado errado segundo minha visão de mundo, pelo menos respeitava, ainda que minimamente (por mais que os mais radicais teimem em dizer que não), o jornalismo e o jornalista - e conseqüentemente o leitor de seu jornal. Hoje, ainda nas mãos da família Marinho, O GLOBO é um manancial de mediocridade. A opção preferencial das ORGANIZAÇÕES GLOBO é pela mediocridade. É a maneira mais fácil de ganhar dinheiro, jogando com a acomodação cultural e com a falta de apetite dos leitores e dos telespectadores para contestar essa lixo todo que de lá emerge. Estimular, implicita ou explicitamente, o ódio social, a discriminação, as manifestações que vemos tanto em reportagens quanto nas novelas ou nos programas de TV, é - estou seguro disso - opção muito bem pensada. E disso decorrem os absurdos que vemos, disso decorre a lástima que são os comentários dos leitores sobre assuntos como política, violência, favelas, direitos humanos, disso decorre essa degeneração generalizada do que seja a vida em sociedade. O lance, muitíssimo bem pensado, não é demais repetir, extremamente pernicioso, é pisar no pobre, incensar o bairro Leblon, massacrar a zona norte (ou, o que é a mesma coisa, fazê-la aparecer na mídia apenas como uma região folclórica a ser eventualmente visitada), disso decorrem coisas que podem parecer menores mas que fazem parte da mesma lavagem cerebral, da mesma lobotomia, como o incentivo às grifes de supostos botequins, o oba-oba com supostos gênios da música e até mesmo os altos elogios a figuras medíocres do futebol e de outras áreas. Dentro da estrutura atual do jornal, não vejo a quem reclamar com mínima esperança de obter uma satisfação. Seria o mesmo, disse-me um amigo dia desses, que procurar Robespierre e reclamar com ele do Terror na Revolução Francesa. O alto escalão das ORGANIZAÇÕES GLOBO é um covil de oportunistas. Os editores, por conseqüência, são seus cordeiros, e todos, deles, endeusados, estão ganhando muito bem e ficando cada vez mais milionários com essa opção pela mediocridade. Razão pela qual não paro de bater (sem qualquer sinal de ingenuidade, reitero). Bater, talvez, surta algum efeito. Nem que seja apenas no meu público leitor.

Até.

10 comentários:

Marcelo Moutinho disse...

Pior que a afetação, Edu, é a imitação da afetação.

Marcelo Moutinho disse...

E que falta faz um Nelson Rodrigues para falar do jogo de hoje, hein? Fico a imaginar o que ele diria sobre o futebol e o destino...

Eduardo Goldenberg disse...

Moutinho: concordo. Essa foi uma das razões pela qual eu fiquei besta com a papagaiada da torcida do Flamengo. Quanto à falta que o Nelson Rodrigues faz, também concordo. Ele, que escreveu os mais lindos e comoventes textos de futebol justamente quando falava do Flamengo, faz falta por tudo, não apenas por conta do esporte bretão. E boa sorte hoje! Um abraço.

Luiz Antonio Simas disse...

Conheço um velho comunista que percebeu em 1980 o que só se efetivou no início da década seguinte: o fim da URSS. Quando aquele mosaico com um urso viado chorando encerrou os jogos de Moscou, a debacle comunista se mostrou mera questão de tempo.

Marcogarga disse...

Edu, achei no Wikipédia:
"Flagay foi o nome adotado pela primeira torcida organizada gay de um time de futebol brasileiro, no ano de 1979. Foi fundada no Rio de Janeiro, sob os auspícios do carnavalesco Clóvis Bornay, e dedicada ao Clube de Regatas Flamengo.

"Urubu gostoso"
Sendo o urubu o animal que serve de mascote para o time rubro-negro, a torcida Flagay elege anualmente o jogador que, em sua opinião, é o mais bonito da equipe."

E aí, Edu, quem é o "Urubu gostoso" de 2009?

Saudações Tricolores

Eduardo Goldenberg disse...

Simas: fazer papel de ursinho Misha é de doer, não?!

Ô, Marco: mesmo sem saber quem é você (não compreendo esse ocultar dos perfis do BLOGGER...), vou lhe responder.

01) essa notícia só prova que até na hora de dar o rabo e assumir isso, mesmo nas arquibancadas, o Flamengo é vanguarda;

02) essa torcida acabou por falta de quórum;

03) sou mais o Bornay que o Horta;

04) quanto à eleição que você se refere, pergunte ao Lulu Santos, que se orgulha de fazer parte da "torcida mais cheirosa do Brasil".

Aquele abraço.

Daniel A. de Andrade disse...

Edu, até uma insignificante partida, pode se tornar uma grande conquista, dependendo de como é jogada, de como é vencida. E o Fluminense, assim como a LDU, pela campanha, pela rivalidade que se formou desde a épica final do ano passado, hoje disputarão um título internacional.

O futebol, mesmo desse jeito escroto que anda, ainda desperta o desejo de secar, torcer, enfrentar filas furadas por cambistas, aglomerar-se em locais repletos de vagabundos das piores espécies (como aquele que fez vocês e o Simas saírem de um restaurante) e outras furadas (furadas para aqueles que não sentem o que sentimos, é claro) mais.

Ainda assim, ainda diante disso tudo, quando uma TV focaliza um campo gramado, quando um bêbado de uma mesa ao lado exalta – ou xinga – um craque, nossas atenções imediatamente se voltam. É isso. E, é isso que te faz escrever hoje sobre o Fluminense, falando de mosaico, desmerecendo a insignificante Sul-Americana (onde, aliás, eliminamos vocês sem precisar sequer ganhar - como é bom!); enfim, secando.

É do jogo, é do futebol. Antes, quando segurávamos uma lanterna tenebrosa, com 99% de chances de rebaixamento, ninguém queria o Fluminense, você nem se incomodava, como já demonstra se incomodar. Pense pelo lado bom: hoje, às 21:50h, ao menos, você terá um bom programa, que, a julgar pelo seu texto, é aguardado desde cedo.

Abraço,

Daniel A.

Eduardo Goldenberg disse...

Daniel, bom Daniel: vamos lá, por partes.

01) não me referi à partida. Cada partida de futebol é um capítulo à parte. Referi-me à Copa Sul-Americana; ela sim, um engodo.

02) a conquista dessa besteira é importante para o Fluminense apenas por conta da vingança, nada mais que isso. Ou você acha realmente que isso vai enobrecer a história do clube? Duvido;

03) engana-se você, redondamente. Não estou secando o Fluminense. Assistirei à partida pela simples razão de que assistir futebol pela TV é um senhor programa. Ainda que seja um jogo que em nada me toca;

04) quanto ao rebaixamento, também não o desejo. E se eu não citava o Fluminense - acho até que citei, quando dei por certo seu rebaixamento... - era porque tinha algo mais interessante para dizer.

Boa sorte hoje à noite. Sinceramente.

Olga disse...

Edu, dá licença, como boa "menina que faz mal ao futebol", deixa eu aproveitar a passagem do Moutinho por aqui.

Moutinho, tomarei um chope hoje torcendo pelo seu Fluminense, que vem dando uma bela volta por cima. Mas, como bem disse o grande, o maior cronista, e o mais ilustre torcedor tricolor, "O que nós procuramos no futebol é o sofrimento. As partidas que ficam, que se tornam históricas, são as que mais doem na carne, na alma."

Embora não fosse preciso tanto! Boa sorte!

E, Edu, você é um gozador em estado bruto: "Ele, que escreveu os mais lindos e comoventes textos de futebol justamente quando falava do Flamengo".

Eduardo Goldenberg disse...

E não é verdade, Olga????? Desafio qualquer um a me provar o contrário. Um beijo.