27.11.09

DO DOSADOR

* estive ontem, e dessa vez com Marcelo Vidal (e com Felipinho novamente, que passava pela rua e nos viu), pelo segundo dia seguido (percebam a irresistibilidade da qualidade da pizza), no fabuloso DOM COSTA - conheçam o restaurante aqui. E quero lhes contar sobre os mistérios do lugar, conseqüência dos mistérios que cercam a rua do Matoso (perguntem ao Leo Boechat, que os tem conhecido mais amiúde, o que é a rua do Matoso). Lá chegamos e fomos recebidos pelo mâitre, seu Altamir, uma espécie de "grã-fina com narinas de cadáver" de casaca. Ou, como prefere o pequeno grande homem, um autêntico mordomo assassino de filme noir. Seu Altamir me fitava de longe. Fazendo do queixo quadrado uma quilha, fechava os olhos, franzia a testa, até que veio como uma flecha em direção à mesa:

- Foi você! Obrigado!

E estendeu o texto A MELHOR PIZZA DO RIO DE JANEIRO (aqui), impresso, em minha direção. Tomei um susto. E o Felipinho disse:

- Quem lhe deu isso, seu Altamir?

E ele, soturníssimo e fazendo cara de mistério:

- O pessoal do escritório... Lá de cima..., do escritório... - e deu de apontar para as escadas, esfregando as mãos.

O serviço esteve fabuloso como sempre, o ambiente agradabilíssimo a menos de 25 graus (ar-condicionado tinindo!), seu Pereira nos atendendo com maestria, as pizzas (aliche e portuguesa) campeãs e encerramos a noite embasbacados com o depoimento do seu Altamir sobre o Leblon, impublicável;

* a rodada desse final de semana, uma vez mais, promete. O Flamengo, que vacilou contra o Goiás dentro de casa, encara o Corinthians em Campinas de olho na partida entre o São Paulo e o mesmíssimo Goiás que - dizem - recebeu um milhão de reais do atual campeão brasileiro para fazer jogo duro contra o Flamengo no Maracanã. Na extrema ponta da tabela, fugindo do rebaixamento, Botafogo e Atlético Paranaense se enfrentam, o que significa dizer que uma vitória do Fluminense contra o Vitória no Maracanã tira o tricolor das Laranjeiras da zona do rebaixamento. Mais uma rodada, como se vê, de tirar o fôlego. Minhas apostas (feitas sob a égide da emoção), apontam para um empate do São Paulo, vitória do Flamengo (e seremos líderes), vitória do Botafogo e empate do Fluminense, prejudicadíssimo por conta da trágica derrota por 5 a 1 contra a LDU na última quarta-feira;

* vamos à derrota do Fluminense. Quero dizer, de pronto, que sou radicalmente contra a proibição de jogos nas mais elevadas altitudes. Futebol é futebol, há muito dinheiro envolvido, há intensas possibilidades de um calendário mais organizado e menos sacrificante e, conseqüentemente, chances de uma preparação mais profissional por parte dos times que vão enfrentar adversários adaptados às condições desfavoráveis causadas pela altitude. No ano passado, o Fluminense perdeu de 4 a 2 da mesma LDU, tendo chegado a Quito dois dias antes da partida. Especialistas alertam, constantemente, sobre a imperiosa necessidade de uma adaptação efetiva: ou o time chega pelo menos 10 dias antes da partida ou chega, no máximo, 24 horas antes da realização do jogo. O que fez o Fluminense? Repetiu o mesmo erro, chegando a Quito dois antes da partida. Não conseguiu repetir o placar: tomou uma piaba de 5 a 1, o que torna praticamente impossível a conquista do título na quarta-feira que vem no Maracanã. Mas a história mostra que não se duvida de nada no futebol, ainda mais se levarmos em conta a sempre possível intervenção do Sobrenatural de Almeida;

* soube ontem que Luiz Antonio Simas e Rodrigo Ferrari, dois grandes e fundamentais cariocas, ganharam de presente dois choros (um pra cada um, é evidente) de autoria de Maurício Carrilho. Mais que um presente para os dois, um presente para quem ama a cidade do Rio de Janeiro e sua gente. Daqui, do BUTECO, ergo o copo em homenagem a essa belíssima iniciativa de Maurício Carrilho, belíssima! Anseio por ouvir os choros;

* e amanhã, sábado, o caderno IDÉIAS, do JB, trará texto de Rodrigo Ferrari sobre Paula Brito e mais uma aventura na Tijuca, de minha autoria, da série CENAS TIJUCANAS, com ilustração do craque Paulo Stocker.

Até.

11 comentários:

Paulo Rogerio disse...

edu! Serei forçado a provar as agora famosas pizzas da rua do matoso !!!

Mas me informe.. esse numero do Matoso, partindo da haddock lobo é para a praça da bandeira, ou para o rio comprido?

Eduardo Goldenberg disse...

Paulo Rogerio: Rio Comprido, meu caro. Quase na esquina da Barão de Itapagipe, lado esquerdo da rua do Matoso. Um abraço.

Diego Moreira disse...

Porradaria Salutar deve ser um belo choro. O título é ótimo!

Eduardo Goldenberg disse...

Diego: é esse o nome?! Ótimo!

Diego Moreira disse...

Foi o que eu entendi do que me disse em brevíssimo encontro o nosso amigo calvíssimo. Acho que é esse o nome! Ótimo!

Olga disse...

Edu, venho de almoçar no Don Costa, não há exageros em seus elogios, não há!

A comida a quilo também é de excelente qualidade. Agora, a vestimeta dos funcionários é um troço. Um luxo! O mestre cuca, com um chapéu lindo, que cuida do buffet a quilo é uma atração à parte. E não tenho dúvidas, o avental e o chapéu listrados em preto e branco é uma sutil homenagem ao Glorioso.

Eduardo Goldenberg disse...

Olga: obrigado, querida! Eu - saiba disso - sempre sou preciso do início ao fim... ou você pensou que se tratava de exagero meu?! Vê lá, hein?! Beijo.

P.S.: preciso almoçar lá um dia desses...

Olga disse...

Edu, você é preciso e nem um pouco exagerado, imagina!

E, querido, releve ali a concordância, o chapéu e o avental são, né? É que a emoção de tão nobre restaurante na Matoso aumenta a minha dificuldade com a escrita.

Paulo Rogerio disse...

Irei então nesse final de semana com minha trupe familiar despencar das alturas da usina para conhecer o "Dom Costa" !!

CRAQUE DA GEMA!!! disse...

Estou pensando em ir ao jogo de volta do Flu com a minha camisa do Botafogo do técnico Cuca.

R.Pian

Claudio Renato disse...

Edu, quero aproveitar o ensejo para dizer que sou radicalmente contra este campeonato de pontos corridos. Sempre fui. O argumento contrário é de que este sistema é mais justo. Como se futebol tivesse alguma coisa ver com justiça. Mas, vamos considerar que tenha a ver. Sou torcedor do Fluminense, mas o fato é que o Flamengo é disparado o melhor time do Brasil hoje e merece o título. No dia seguinte à derrota do Fluminense para a LDU, um vizinho flamengusita, em tom de troça, veio me dizer que seria mais fácil o Flamengo ser campeão brasileiro do que o Fluminense o ser pela sul-americana.

Discordo: é quase impossível o Fluminense fazer 4 a 0 na LDU. Mas não é impossível. O problema do Flamengo é que ele pode arrebentar contra o Cortinthias, meter lá 5 a 0; pode massacrar o Grêmio e vencer aqui por 6 a 0. Se o São Paulo vencer as duas últimas partidas com dois gols mixurucas e roubados, é o campeão. Não vejo justiça nisso. Para mim, o São Paulo, o Palmeiras e o Atlético Mineiro são times burocráticos e medíocres. Onde está a justiça nisso tudo, doutor?

Um abraço

CR