22.11.09

O BAR DO CHICO ACABOU

Há poucos dias eu anunciei o troço aqui. Hoje, voltando da feira, decidi beber a primeira do dia no balcão, com o Chicão, pra ver se o processo de destruição do fabuloso bar da esquina de Afonso Pena com Pardal Mallet havia sido estancado. Pois repirem fundo, tirem as crianças da sala e atentem para o brevíssimo diálogo, assim que saltei do carro.

- Fala, Chicão! Uma mofada daquelas, meu velho!

Silêncio. Olhar cabisbaixo. E ele levantou a tampa do primeiro, do segundo, do terceiro freezer.

- Não tem mais mofada aqui, Edu.

O que conversamos em seguida eu prefiro deixar de publicar.

Mas eu assino, ao menos no que compete à minha jurisdição e competência, triste da vida, o atestado de óbito do BAR DO CHICO.

Até.

9 comentários:

Andrea disse...

O bar aqui da rua onde costumo ir também já não é mais o mesmo. Eu já era quase dona dele e dai tudo mudou. Dá uma tristeza, mas enfim a gente tem que seguir em frente. Edu, mudando radicalmente de assunto, esse ano vou fazer, pela primeira vez, o Natal aqui em casa. Eu amo dezembro, confesso que já perdi um pouco a vontade de montar árvore (muito trabalho depois desmontar e dai fico enrolando... "não só depois de 5 janeiro"... e daí, isso é vero, fica aqui até o carnaval). Então, não ria, mas quero pedir uma dica culinária. Bacalhau. Quero fazer um daqueles que ninguem esquece. Não sei o nome, mas aqueles com batatas cozidas, couve, cebola, ovo. Qual o nome desse? Você já fez? Acho que é fácil né? Mas tem que ter um toque especial pra ficar muiiito gostoso. Conta ai. Abraços.

Bruno Ribeiro disse...

Meu Deus...

Estão acabando com tudo mesmo...

Luiz Antonio Simas disse...

Affffffffffff.Bode Cheiroso na veia...

Isaac disse...

Simas ,Bode Cheiroso , aos domingos , não cheira !!

Carlos Andreazza disse...

Lamentável.

ANGELO disse...

NÃO EXISTE MAIS CERVEJA GELADA NO CHICO!!! EM DIA E EM HORÁRIO NENHUM!!!

Beatriz Fontes disse...

Mas por quê? Vão servir chopp?

ISRAEL disse...

O cerco esta se fechando companheiro. Passei 30 dias em SP tomando cerveja em pé em uma padaria. Voltei sêco pra tomar uma jurubeba, uma cerveja gelada e bater um pandeiro no buteco do Gegê. Joguei as malas na sala e parti pra lá rapidinho. De longe percebi que a fachada do buteco tinha recebido uma pintura nova. Mais de perto vi um cara na porta com camisa branca de mangas compridas e gravata. Seria demais a mudança, Gegê colocar um garçon para servir torresmo e choriço. Já en frente vi que a coisa era outra. Cadeiras enfilheradas e um altar. O buteco tinha virado uma igreja evangélia. O cara da porta era um pastor, doido por dez reias pra fazer um culto relâmpago. Alguem me falou que a viúva não esperou nem o defunto esfriar e alugou o ponto. Tive que tomar a cerveja e ver o Flamengo empatar em uma pizzaria, e ouvir ao lado: Você viu no GuGú....

Cesar disse...

Edu, logo que o Chico inaugurou o puxadinho, o Felipinho me mandou um e-mail, triste da vida. Tomo a liberdade de reproduzir aqui a minha resposta pra ele: "Havia um tempo não ia ao Chico, e resolvi ir almoçar lá dois dias depois de ele ter inaugurado o troço. Levei um susto, claro - mas de certa forma já esperava algo do gênero. Infelizmente, ele optou por alanchonetar o puxadinho. Mas mesmo nao tendo gostado do que vi, pensei lá com meus botões: "Bem, pelo menos a cerveja e a comida nao devem ter mudado". Ledo ivo engano, como diria o Jaguar: quando um daqueles borboletas veio me atender, de um jeito completamente diferente como o faziam o antonio, o chicão, o cildo, aqueles nossos garçons, eu pedi uma mofada. Ele ficou me olhando com uma cara assustada - certamente jamais servira uma cerveja mofada, como aquelas que a gente só bebia no Chico. Expliquei o que era, e ele me volta com uma Brahma lisa. Só de olhar vi que cerveja mofada havia virado coisa do passado. Dei um credito de confiança, pedi outra - com a ressalva de que o Cabeça, que estava no balcão, sabia como eu gosto da cerveja. Necas, veio do mesmo jeito, pouco gelada, nada que lembrasse nossas garrafas congeladas. Resolvi conferir a comida. Pedi o cardapio, e vi que já nao sou mais nome de prato. "Fazer o quê?", pensei. Pedi a minha carne de sol, meia porção - que antes vinha numa quantidade que dava pra três. Vieram umas tiras grossas, sem graça, um montinho de nada de carne. Desisti, comentei com quem estava comigo que eu estava desiludido e que havia acabado de perder meu buteco. Voltei lá uns dias depois, dando mais um credito - "Eles estao enrolados com o serviço novo", concedi. Por via das duvidas, me sentei na calçada da Afonso Pena, de frente apenas pros azulejos coloridos e pras fotos que fariam a alegria do Ego do Buteco do nosso Edu (será que elas ainda estão lá?), tirando o puxadinho da minha visão. Pedi novamente uma mofada e nada. Desisti. Acabei a Brahma e fui embora. Eu gosto do Chico, é um cara bacana, e torço pra que ele se dê bem na vida. Mas meu buteco, sinceramente, acho que nao existe mais.
Felipe, isso é triste pra nós, que sabemos o quanto um buteco de responsa é importante pra temperar amizades, ou pra dar vida a uma esquina, um bairro. No caso do Chico, eu particularmente sinto uma pontada no coração porque era ali que, todo fim de semana, eu me sentava com meu irmao pra tomar nossa cerveja. Depois que ele morreu, eu passei a ir menos por lá, mas mesmo assim sempre que ia me sentava na mesma mesa onde nós dois, eventualmente com filhos, namoradas etc, costumávamos tomar nossa mofada e comer nossa carne de sol, nossa moela e botar o papo em dia. Agora nem essa lembrança do meu irmão eu posso mais guardar. Uma pena". Cesar Tartaglia