28.12.09

ATÉ 2010

A vocês todos, meus poucos mas fiéis leitores, a vocês todos que chegam aqui, por acaso ou não, meu mais sincero desejo de um grande ano de 2010. O BUTECO baixa as portas de aço do estabelecimento hoje para erguê-las novamente apenas - ao menos é essa a minha pretensão! - no dia 04 de janeiro de 2010. Por aqui passaram, de janeiro a dezembro, mais de 120.000 visitas, o que muito me surpreende. O BUTECO, um blog polemista, como bem disse, dia desses, o bardo tijucano Aldir Blanc, despertou, entre essas mais de 120.000 visitas (os e-mails que recebo e os comentários postados dão bem conta disso), os mais variados sentimentos. Juntando todos eles, misturando todos eles no liqüidificador imaginário que fica sobre o balcão virtual, espero que o resultado seja o melhor possível. Muita saúde pra todos, que os deuses a todos protejam, e que a noite do dia 31 seja prenúncio de um ano muitíssimo bem sucedido para todos nós. Até janeiro!

Até.

26.12.09

OS GONDOLEIROS DO RIO MARACANÃ

Eis a íntegra de mais uma crônica de minha autoria, publicada no dia de hoje, no JORNAL DO BRASIL, para a série CENAS TIJUCANAS, com a ilustração colorida, traço do craque Paulo Stocker, que saiu publicada em preto-e-branco na edição do jornal.

ilustração de Paulo Stocker

O tijucano é, antes de tudo, tijucano – e explico. O tijucano vê, na Tijuca, beleza e poesia em cada esquina, em cada um de seus morros e favelas, em cada praça, em cada buraco no asfalto, a cada enchente, e tem um tremendo (e quase bobo) orgulho do papo (batido) que reza que somente ele, morador do bairro, é identificado por um nome umbilicalmente ligado à terra em que nasceu: tijucano! Falei em enchente e quero lhes contar um troço, rápido: semana retrasada, durante um temporal diluviano de proporções bíblicas, enquanto moradores de todos os cantos da cidade se desesperavam diante dos transtornos, estrilou meu celular. Era Luiz Antonio Simas, ilustre morador do bairro, professor maiúsculo de História do Brasil, comemorando com a voz embargada:

- O rio Maracanã transbordou, Edu, o Trapicheiros também! Tá mais bonito que Veneza!

Mantive-me em silêncio (como faço quase sempre diante do bardo para sorver seus ensinamentos) e ele prosseguiu:

- Tu já pensou se a prefeitura estimulasse a proliferação de gondoleiros? Que beleza! Que beleza!

Vão tomando nota do que é capaz o amor do tijucano por sua terra!

Vai daí que aproxima-se o réveillon e a cidade inteira começa a planejar a festa em Copacabana. Diga-se, a título de ilustração, que a festa era muito mais bacana quando comandada pelo povo de santo que infestava a areia de velas, oferendas, barcos pra Iemanjá, atabaques batuqueiros, esses troços. Depois que o poder público meteu a pata na areia a festa perdeu muito, mas ainda assim Copacabana é alvo do desejo de gente de todos os cantos da cidade, do estado, eu diria sem medo do erro que até do país inteiro. Gente que disputa no tapa o ingresso do metrô, que vaga pelas ruas de Copacabana à espera de um táxi e de um ônibus, que dorme nos bancos do calçadão, tudo por conta do réveillon à beira-mar. Menos – faço a ressalva que me serve de mote – para o tijucano.

E não está sendo diferente neste 2009 que se aproxima do fim.
No Bar do Marreco, comovente espelunca na esquina de Haddock Lobo com Caruso (a rua com o maior número de residências no estilo art déco por metro quadrado do Brasil, fato ignorado por quem só tem olhos, tampados por antolhos, para a zona sul da cidade), os preparativos para a virada do ano andam a mil. E desde o começo do segundo semestre.
Seu Brasil, uma espécie de síndico da área, líder comunitário aclamado por unanimidade pela assistência que freqüenta o nobilitativo botequim, organizador de churrascos capazes de fazer tremer o mais tradicional churrasqueiro gaúcho, vendedor de rifa, jogador empedernido, fumante irresignado com a perseguição que sofrem os fumantes – ou seja, um tremendo boa-praça – vem prometendo uma festa para entrar para a história.

A adesão – penso ser desnecessário lhes dizer – é assombrosa. Famílias inteiras, lideradas pelo seu Brasil, é evidente, fazem planos para a festança que – como em anos anteriores – promete ser arrasadora, capaz de fazer a Madonna repensar o local de seu show em dezembro de 2010, prometido pelo alcaide nas areias de Copacabana.

Uma mãe de santo que tem um terreiro na rua do Matoso – exagerando, quero crer – tem dito pra quem quiser ouvir, durante a distribuição de seus santinhos que garantem a volta da pessoa amada em três dias, que até Iemanjá vai dar seu jeito de estar no furdunço, desviada do mar por canais que só ela sabe, pintando na área depois de emergir das águas do Trapicheiros, na altura da Martins Pena.

Seu Brasil, que já desempenha o papel de Papai Noel na festa de Natal do Bar do Marreco há anos, já comprou os fogos (quinze minutos de show pirotécnico) e garante que conseguirá descontos consideráveis para quem quiser passar a primeira noite do ano no fabuloso Hotel Bariloche, com preços mais em conta que os cobrados pelo Copacabana Palace. Já foram providenciados os uniformes do Danilo e do Geraldo, que serão os garçons responsáveis por servir a ceia preparada por cozinheiras de mão cheia da região. Os produtos, de fina procedência, já foram devidamente encomendados ao seu José, da centenária Quitanda Abronhense, a poucos metros dali.

E vem até gente do exterior, garantiu-me o bom seu Brasil.

- É mesmo, seu Brasil?

- Ô! – disse-me ele.

E contou uma história hilária, confirmada por toda a patuléia que dia desses disputava, cotovelo a cotovelo, o embaçado balcão do bar.

Há coisa de umas semanas pintou na área uma balofa, louríssima, que sentou-se numa das banquetas diante dos torresmos espremidos entre as moelas do balcão. Nunca vista no pedaço. Pediu uma Brahma. Serviu-se no copo americano, deu um senhor gole e, depois de formado o bigode pela espessa espuma, suspirou, soltando a exclamação num carregado sotaque germânico:

- Oh! Que saudade da Munique!

Seu Brasil, que roía uma sardinha frita na hora, deu um pesadíssimo tapa no balcão que fez estremecer a esquina:

- Eu também, garota! Eu também! – e encheu os olhos d´água.

A gorducha, que parecia emocionada, disse:

- O senhor conhecer Munique?

- Ô... – respondeu seu Brasil, revirando os olhos à Dorival Caymmi.

- Jurrrrra?

- Quem não conhece a Munique Evans!? Ô!

A loura, que não entendeu nada, continuou:

- Meu família ser toda de lá... Vem prrrra Brrrrrasil prrrrro festa do réveillon, prrrrra Copacabana...

Foi quando seu Brasil pescou a gafe.

Papo pra lá, papo pra cá, o churrasco já sendo servido, a balofa completamente integrada ligou pros pais dali mesmo, do celular. Gastou o alemão e desligou, depois de uns dez minutos, dirigindo-se ao seu Brasil, que fazia efusiva propaganda da virada de ano naquela sacrossanta esquina:

- Meus pais vão passar o réveillon aqui no Tijuca. Vou fazer o reserva no Barrrrriloche agorrrrra mesmo!

- Ô, menina, que boa notícia! – seu Brasil, já aos prantos.

O velho Seu Brasil mandou a assistência fazer silêncio e pediu:

- Vamos homenagear a alemã aqui, pô! Ô, ô, Marreco! Manda preparar um salsichão com chucrute pra ela! Já!

Puxou inexplicavelmente o coro de Hava Naguila (que cantou sozinho), suspendeu, com a ajuda de mais cinco ou seis, a alemã na banqueta como se faz nas festas de casamento judaico – o judeu, dono da loja de móveis em frente ao bar quase teve um enfarte de tão comovido – e a noite encerrou-se em festa aos gritos de shalom!
Tijuca, em estado bruto!


Até.

CENAS TIJUCANAS

No JB de hoje...

crônica publicada no JB de 26 de dezembro de 2009

Até.

25.12.09

24.12.09

É NATAL NO BUTECO

Quero repetir, e reiterar, e reforçar, as mesmíssimas palavras que lancei aqui, em 2008, às vésperas do Natal.

Estamos a poucas horas da noite de Natal e o BUTECO ergue suas portas de aço na manhã desta quinta-feira com o precípuo propósito de desejar a todos os seus freqüentadores um Natal profundamente feliz e em paz. Quero lhes dizer, eu que faço deste balcão virtual um permanente divã imaginário no qual exponho confissões de toda ordem, que durante parte de meus quarenta anos questionei muito o significado efetivo da expressão "Feliz Natal". As pessoas me diziam "Feliz Natal" e eu ficava a me perguntar o que seria ter, então, um "Feliz Natal".

Nasci em 69, filho de pais cristãos, espíritas, assim como vovó e boa parte da família. Vivi noites de Natal profundamente significativas, impressionantes para um menino em tenra idade, nas quais a família reunida rezava, nas quais mamãe, sempre muito comovida, após a leitura de textos relacionados com a data, propunha reflexões sobre o Evangelho de Jesus Cristo, o aniversariante!, e nas quais vivíamos, intensamente, esse sentimento de renovação de esperanças e de expectativas com relação ao ano novo. Por tudo isso eu posso dizer, sem medo do erro, que o Natal nunca foi, para mim, uma festa de presentes. Ao contrário, foi sempre uma festa introspectiva, uma festa de comunhão, uma festa de reflexão, uma festa simples, extremamente simples.

Mas a vida é feita de movimentos incessantes, de experiências constantes, e eu, durante alguns anos, afastei-me - se é que posso dizer assim - da vivência desse sentido e desse sentimento na noite de Natal. Foi o tempo em que eu, como lhes contei mais acima, dizia não compreender o significado do "Feliz Natal". Fosse por mero exercício de contestação, como conseqüência de uma busca de novos caminhos, o fato é que passei um razoável tempo afastado do sentido religioso da data. Fazia as mesmíssimas coisas, jantava e almoçava com a família nos dias 24 e 25, mas sem o mesmo sentimento.

Por incontáveis razões que não cabem aqui, neste espaço, voltei a voltar o olhar, de um tempo pra cá, para as coisas do espírito - digamos assim. Como a vida é feita de movimentos incessantes e de experiências constantes, e como os ciclos se renovam, eis-me aqui, às vésperas do Natal, profundamente comovido e certo de que é sempre tempo de renovação, mesmo que renovação tenha, ao menos para mim e dentro desse contexto, caráter de retomada de rumos e de caminhos já tantas vezes percorridos.

Sem qualquer intenção de fazer proselitismo, evidentemente, desejo a vocês todos, meus poucos mas fiéis leitores, uma noite de Natal profundamente significativa. Desejo, mais, que todos se sintam dispostos, ao menos nesses dias, ao exercício de estender o olhar à sua volta. Esse olhar estendido mostrará a vocês, seguramente, alguém precisando de muito pouco para ter um dia ou uma noite melhor. Esse olhar estendido fará com que você vivencie, ainda que seja apenas com os olhos, a experiência do outro, quem sabe capaz de transformar sua própria vida. Esse olhar estendido possivelmente dará a você a dimensão exata da fraternidade, se você tiver olhos de ver e ouvidos de ouvir.

Que tenham todos uma noite de paz, com a família, com os amigos, com gente querida, que haja muita saúde, que haja muita esperança, que haja sobretudo muita coragem para os enfrentamentos diários que a vida exige.

Sejam vocês cristãos ou não, creiam ou não em Deus, tenham todos um Feliz Natal. Eu, brasileiríssimo no que diz respeito à escolha da religião (é tudo na cumbuca e sou feliz desse jeito!), desejo que a noite de hoje seja tranqüila, seja simples, seja renovadora, significando verdadeira comunhão de propósitos capazes de dignificar sua vida.

O BUTECO retoma suas atividades, se assim me for permitido, em brevíssimo.

Fato é que baixo as portas do estabelecimento hoje sem o compromisso - que honro diariamente muito por conta de todos vocês que chegam até aqui, e é cada vez mais gente que chega, ainda bem! - de ser diário até o começo desse 2010 que se aproxima e que promete: assim, por baixo, teremos o Campeonato Carioca (aposto no Flamengo!), o Carnaval (aposto na VILA ISABEL), o Campeonato Brasileiro e a Libertadores (aposto no Flamengo!), a Copa do Mundo (aposto no Brasil!) e as eleições (aposto na Dilma Roussef!). Haja festa!

Até.

23.12.09

INGRADITÃO É ISSO AÍ

Não é surpresa pra ninguém que eu nunca fui muito com Chico e com Alaíde, ele garçom e ela cozinheira do BRACARENSE. Hoje, como é sabido e consabido, estão à frente de um bar que leva seus nomes, no Leblon, dizem que comandado, de verdade, por um grupo de investidores que viram, na dupla, um grande filão de mercado (esse troço que, convenhamos, não combina com um buteco de verdade). Basta ler isso aqui, isso aqui e isso aqui para que vocês vejam que NUNCA (com a ênfase szegeriana) fui muito com nenhum dos dois.

Pois os dois estiveram, dia desses, mais precisamente no dia 10 de dezembro, no programa do Jô Soares. E - dimensionem daí se o caso é de bom treinamento por parte de quem manda neles, se o caso é de ingratidão pura e simples, se o caso é mesmo de uma cara de pau absolutamente condenável -, entrevistados, foram incapazes de dizer o nome da casa que os projetou, a ambos, o BRACARENSE, também no Leblon. Ela, cozinheira do BRACARENSE por mais de 20 anos, e ele garçom, também por muito tempo do mesmíssimo bar, falam "restaurante onde ela trabalhava", "eu trabalhei nesse bar 24 anos", falam dos prêmios que ganharam enquanto trabalhavam no BRACARENSE mas são (foram) incapazes (ou por ordens superiores, ou por ingratidão, ou por cara de pau ou mesmo por falta de ética ou caráter) de mencionar o nome do bar ao qual devem tudo o que conquistaram. A entrevista, na íntegra, abaixo.


A cozinheira (Alaíde Carneiro de Lima), que cinicamente (mentirosa!) diz ter saído do BRACARENSE (sem declinar o nome do bar) sem brigar com ninguém, não diz - é evidente que não diz... - que, após assinar alteração do contrato social do BAR ROQUE II, razão social do bar que atende pelo nome CHICO & ALAÍDE (a grafia é essa mesmo, pernóstica, e o documento consta dos autos da ação trabalhista de número 01645-2008-018-01-00-8) em novembro de 2008 já na condição de sócia, ajuizou a referida ação trabalhista um mês depois, em dezembro de 2008, requerendo reconhecimento de rescisão indireta, por conta de falta grave (!!!!!) do empregador. Mero detalhe...

Até.

22.12.09

ISSO NÃO É CINISMO?????

O aparente tom de lamento da nota abaixo, publicada na coluna GENTE BOA de hoje, soa, ao menos para mim, como cinismo, deboche e outros bichos. Como se não fosse ela, a coluneta, fomentadora e aduladora dos bares de grife responsáveis pelo desmonte da Lapa. Ô, coerência...

nota publicada na coluna GENTE BOA do SEGUNDO CADERNO do jornal O GLOBO de 22 de dezembro de 2009

Até.

O DOMINGO NO PAVÃO TIJUCANO

Conforme lhes contei ontem, aqui, passei uma excepcional tarde de domingo no BAR DO PAVÃO na companhia de gente muito querida. O Eduardo Carvalho, que lá também estava, e a quem conheci no próprio domingo, escreveu um relato bem bacana do que foi nosso encontro, inclusive com direito a fotos que ilustram seu texto (e peço a especial atenção de vocês para o sorriso dessa magnífica figura que é a dona Olívia, prova efetiva de que ela é uma pessoa de bem demais com a vida, ela que é muito responsável pelo que há de vida naquela esquina). Leiam aqui.

Até.

21.12.09

DO DOSADOR

* Vejam vocês como as coisas são impressionantes nesse mundo virtual. A festejadíssima Roberta Sudbrack, que está permanentemente na mídia, sabe-se lá por quê não tolera (ou parece não tolerar) as críticas que faço, muito de vez em quando, a seu trabalho. Já disse diversas vezes que acho incompreensível, por exemplo, o fato dela ter escrito um livro de alta gastronomia para cães, com receitas para os quadrúpedes. Acho, também, inevitável a piada: depois de conviver por mais de sete anos com FHC no Palácio do Planalto, ocupando o posto de cozinheira oficial do Presidente da República, justificável a inspiração para o tal livro. Vai daí que, notem bem!, notem bem!, Roberta Sudbrack, festejadíssima também no TWITTER, escreveu ontem a seguinte pérola: "Concentração para a programação de amanhã com a minha turma... Campeonato de boliche pela manhã com toda a turma do RS... Almoço no Aconchego carioca que abre especialmente para receber a brigada do RS...tem gente que vai se roer com essa..". Sou um sujeito franco, francamente franco. A "gente" a quem ela se refere sou eu. E não me venham com o papo bobo de que "oh, a carapuça serviu". Não se trata de carapuça. Eu não sou burro. Não sou burro, digo o que penso, dou nome aos bois quando escrevo algo sobre alguém e, ainda que meus detratores não façam o mesmo, ou seja, não tenham coragem para dar nome aos bois (e eu, acima dos 100 quilos, estou mais boi que nunca), sei perfeitamente ler os recados e as entrelinhas dos recados que me chegam. Mas vamos pôr pingos no "is". Eu disse logo aí acima que eu sou franco. Mais que franco - ou tanto quanto - sou um sujeito dócil. Vejam se não. Ontem pela manhã, mantendo uma tradição de há séculos, fui à feira na Vicente Licínio, na Tijuca, é evidente. Antes de feira, tentei sacar dinheiro em três agências, todas elas sem dinheiro nos caixas eletrônicos. Vai daí que estacionei o carro diante do ACONCHEGO CARIOCA. Fui à Kátia, minha queridíssima Kátia Barbosa, igualmente festejada pelas mesmíssimas razões. Sentei-me diante dela, troquei um cheque para a feira e para a tarde de domingo (já, já, falo sobre a tarde...). Ficamos ali, diante de uma garrafa estupidamente gelada de Heineken, conversando, até que chegamos ao assunto Roberta Sudbrack. Fiquei - ao contrário do que imagina a gaúcha, acostumada à bajulação que vem de todos os lados - felicíssimo por saber que será lá, no ACONCHEGO CARIOCA, que freqüento com assiduidade olímpica muitos e muitos anos antes do buteco tijucano cair nas graças de todo mundo (e graças à propaganda efusiva alavancada pelo também festejadíssimo Claude Troisgros), o almoço de confraternização dos empregados do restaurante de Roberta Sudbrack. Eles que, ao lado da chefe, irão se delicar com o bolinho de feijoada, com o bolinho de aipim, com camarão na moranga e com palitos de queijo coalho com goiabada de sobremesa (foi o menu escolhido). E como sou franco, e como sou dócil, e como sou um sujeito terno do início ao fim (não sei de onde tiram, meus detratatores, essa idéia de que sou beligerante), deixei com a Kátia (e pedi à Samara que a lembrasse da coisa!) um cartão endereçado à Roberta Sudbrack. Espero - digo de público o que disse, em suma, no cartão - que ela se sinta rigorosamente à vontade na minha casa, na minha aldeia. E salve a Tijuca!;

* mesa forte, ontem à tarde, no BAR DO PAVÃO, outra glória tijucana. Reuni-me com Eduardo Carvalho, um de meus poucos mas fiés leitores, depois de semanas combinando o encontro. Conosco, esse monstro chamado Luiz Antonio Simas (com sua Candinha), papai e mamãe (tijucaníssimos e egressos do MONTANHA, no Alto da Boa Vista), dona Olívia (uma excepcional figura, ela que conhece papai há mais de 50 anos!), Leo Boechat (com suas Renata e Helena), Diego Moreira, e o troço foi do meio-dia às cinco da tarde. Regados a muito chope e a um cozido de outro planeta, sentados à sombra e curtindo a brisa das florestas tijucanas (o Simas gania de alegria a cada lufada de vento), vivemos ali uma tarde memorável capaz de curar a dor da perda do BAR DO CHICO, que foi oló - como já lhes contei aqui;

* a torcida do Fluminense - me perdoem por voltar ao enfadonho tema - prossegue dando demonstrações agudas de insanidade. Depois de mandar confeccionar camisas para celebrar a décima-sexta colocação no Campeonato Brasileiro de 2009 (relembrem aqui), vai pagar promessa nesta quarta-feira. Torcedores trotarão (o verbo não é meu, foi publicado hoje na imprensa do Rio) por 100 metros na Lagoa Rodrigo de Freitas com copos de chope na mão, sem deixar cair uma gota da bebida no chão. Que coisa, meu Deus. Enquanto isso, a nação rubro-negra deita o cotovelo no balcão, BEBE (com a ênfase szegeriana) o chope e morre de rir com o espetáculo bizarro que proporciona o NÚCLEO DE INTELIGÊNCIA TRICOLOR. O troço beira o inacreditável;

* já são 38 os comentários ao texto DO DOSADOR, aqui, e vale a pena lê-los para que vocês vejam o divertido (e instrutivo) bate-boca entre José Sergio Rocha e Daniel Ludwich sobre jornalismo e jornalistas;

* na sexta-feira, atendendo ao convite do jornalista Vitor Monteiro de Castro, ele também um de meus poucos mas fiéis leitores, fui à favela da Maré para conhecer o OBSERVATÓRIO DAS FAVELAS, uma organização social de pesquisa, consultoria e ação pública dedicada à produção do conhecimento e de proposições políticas sobre as favelas e fenômenos urbanos. Tem sede na Maré, no Rio de Janeiro, mas sua atuação é nacional. Foi fundado e é composto por pesquisadores e profissionais oriundos de espaços populares. Lá eu conheci, além do Vitor, Rodrigo Nascimento, psicólogo, e Talitha Ferraz, jornalista, ela a autora do livro A SEGUNDA CINELÂNDIA CARIOCA: CINEMAS, SOCIABILIDADE E MEMÓRIA NA TIJUCA (conheçam seu blog aqui). Ainda na Maré, assisti, no meio da rua, ao longa-metragem ALÔ, ALÔ, TEREZINHA, do diretor Nelson Hoineff (aqui, o site do filme). Imperdível, fidelíssimo retrato dessa grande figura brasileira, e que seria inviável hoje em dia, ele que foi, a vida inteira, politicamente incorreto, radical e renovador, o filme é emocionante, ainda mais para quem, como eu, viu o Chacrinha em ação, ao vivo. Foi um grande final de tarde. Saímos da Maré, eu, minha menina, Vitor e Rodrigo, por volta da meia-noite. E brindamos, no BAR DO MARRECO, ao grande encontro que vivemos. Prometi a eles, em brevíssimo, uma nova visita, numa quinta-feira dessas qualquer, para comer um galo - famosíssimo galo! - que é servido numa das inúmeras biroscas do lugar. Depois conto pra vocês. Saiba mais sobre o trabalho deles aqui.

Até.

20.12.09

A PIADA DE ANA CRISTINA REIS

Ana Cristina Reis, editora do fútil e podre caderno ELA, lixo que vem encartado aos sábados, em O GLOBO - o fato de Ana Cristina Reis ser a editora do tal caderno é a única explicação plausível para que Ana Cristina Reis ainda tenha vez e voz na imprensa escrita -, publicou ontem mais um de seus soníferos textos, contando sobre um jantar que ela ofereceu em sua própria casa, dia desses.

À certa altura da chatice, reproduz uma das piadas que teria sido dita durante o jantar, vejam só:

trecho da coluna de Ana Cristina Reis publicada no caderno ELA do jornal O GLOBO de 19 de dezembro de 2009

Quando comemora o fim do governo Lula, permanente alvo do ódio irracional de pequena parcela da população brasileira que não se conforma (e não admite, e não reconhece) com os evidentes avanços conquistados após dois mandatos consagrados pela imensa maioria do povo, Ana Cristina Reis apenas engrossa o coro das vozes mais sórdidas que saem, aos borbotões, do jornalão carioca.

Ela mesmo, Ana Cristina Reis, que até hoje mantém-se em vergonhoso silêncio sobre o plágio por ela cometido há quase cinco anos no mesmo jornal, no mesmo caderno. Relembrem a vergonha, aqui.

Até.

19.12.09

OS CHATOS DO GRUPO GRANDE TIJUCA

Os chatos, insuportavelmente chatos membros do GRUPO GRANDE TIJUCA, essa excrescência fascista travestida de cidadã, prometeram, aqui, falar sobre o fabuloso filme PRAÇA SAENS PEÑA, do diretor Vinícius Reis (vejam o que dissemos sobre ele, o filme, aqui, aqui e aqui). Os membros do grupelho apenas prometeram isso. Mas não deram um único, mísero e solitário pio sobre o filme. Em vez disso, é claro, como tenho dito reiteradas vezes, preferiram continuar reclamando e esperneando, como histéricos cibernéticos, contra o bairro que dizem defender.

Ouçam o muxoxo: tsc.

Até.

UM CASAL ESPETACULAR

Sou amigo de um casal que, quero lhes dizer, é, lato sensu, espetacular. Manterei, por absoluta discrição, o nome dos dois. Não por pudor ou mesmo para simplesmente não expô-los. Mantenho seus nomes em segredo por absoluta convicção de que, expondo-os aqui, acenderei a lâmpada da falta de senso de uma porção de gente que, atrás das benesses econômicas advindas do convívio com ambos, passará a forçar uma intimidade que será uma janela aberta para o infinito e para o desagradável. Dito isso, feito o brevíssimo intróito, vamos ao que quero lhes contar sobre os dois.

Ele é um fraterníssimo amigo, e recente amigo. Se eu fosse fazer uma equação (que seria estúpida já que sentimento não se sistematiza matematicamente), diria mesmo que nossa relação é absurda. Somos tão próximos, e tão íntimos, tão umbilicalmente ligados, que quando penso no tempo de convívio que temos sou obrigado a falar em vidas passadas e outros bichos do gênero. Ela, conseqüentemente, também me é recentíssima.

Ele bebe como um cossaco. De segunda a segunda, e sempre com promessas de nunca mais beber descumpridas logo após o despertar, ele está ali, na mesa de um bar, encostado num balcão qualquer, bebendo cerveja como quem respira e sem perder - eis a ressalva necessária - o prumo. Trabalha como um remador de Ben-Hur. Ama o que faz - o que faz dele um homem feliz - e é um homem que não transige, em NENHUMA (com a ênfase szegeriana) hipótese, com a hipocrisia, com a falsidade, com a mentira, com a sordidez que pulula por aí. Dotado de baixa estatura, é um gigante quando fala. Emociona-se com extrema facilidade e semana passada mesmo - foi quando decidi que lhes contaria esta história - deu de chorar (o que faz com freqüência) quando me contava sobre um recente episódio de sua vida, sentindo-se traído por alguém a quem considerava como um irmão. Nada teme, a não ser a própria mulher. E vocês entenderão a razão do permanente pânico de meu amigo, ele que convive com a mulher como o japonês que convive com o Japão, sempre com a ansiedade pânica diante da iminência de um terremoto.

Ela é um doce. Fala mansa, extremamente ciosa de seu papel de companheira, extremamente ciosa de que quem brilha ali, no palco do dia-a-dia do casamento, é ele, condescendente, terna, dulcíssima (perdoe-me a repetição inevitável), ela tem extrema paciência com o marido, dessas que só as enfermeiras têm, com as obsessões do marido, a quem compreende sempre com uma festinha na cabeça, um sorriso terno, quase maternal, e vão levando, assim, a vidinha deles.

Ocorre que - eis o quero lhes contar - vira-e-mexe (bimestralmente eu diria, pelo que venho observando há anos) ela é possuída (e não há termo mais adequado para o que se passa) por uma espécie de entidade que faz com que ela modifique, agudamente, o comportamento diante do olhar espantado da assistência do momento. O troço é quase um transe. E dá-se, sempre, à mesa de um bar qualquer.

Ele está lá, falando engrolado (quis dizer engrolado mesmo), rigorosamente de porre depois de uma intensa maratona com os amigos, e diante do olhar macio e tênue da companheira. Ela também bebericando, mas numa proporção evidentemente desigual. Vai que ele diz:

- Vamos, querida?

Meus poucos mas fiéis leitores... eis que dá-se a coisa.

Ela fecha os olhos, meneia a cabeça, sapateia discretamente, vira a cerveja do copo num sem-pulo e, como se fosse um Flávio Cavalcante erguendo o braço para "nossos comerciais, por favor!" (quem não se lembra disso?), grita para o garçom:

- Mais uma, por favor!

Ele geme:

- Amorzinho... não aguento mais... Vamos?

Segue a possessão:

- Vamos?! Vamos?! Você só pode estar brincando... Eu te suporto bebendo todos os dias e nunca pio, nunca digo um "a". Hoje quem vai beber sou eu.

O mais bacana - e o mais engraçado - é que SEMPRE (com a ênfase szegeriana de novo) depois desse anúncio vem a seguinte frase:

- E eu vou pagar tudo!

Os componentes da mesa se excitam e ela vai em frente:

- Tudo! Tudo! Peçam bebida! Peçam comida! É tudo por minha conta!

E ri uma gargalhada de cigana que, franca e sinceramente, trata-se da gargalhada impossível. Inimaginável que aquela mulher tão miúda, tão amena, seja capaz de gargalhar trovejando - mas ela gargalha.

Dá-se sempre a mesma seqüência. Ele, falando pastoso e alisando a própria cabeça, gane:

- Você tem noção de a quanto vai essa despesa?

Ecoa o trovão da gargalhada aguda de minha amiga. Sacando do cartão de crédito, exibe furiosamente o VISA para a assistência e ameaça:

- Não há limite! Dinheiro há! Eu pago tudo! Tudo, ouviu?

Ele passa a ser, então, o resignado.

Há coisa de uns meses, mesa de vinte, veio a conta: seiscentos reais.

Dentre os vinte, um novato no pedaço. Constrangidíssimo, vendo o olhar de desespero do sujeito diante da determinação perdulária da mulher, estendeu uma nota de cinqüenta reais em direção a ela e disse, tímido:

- Olha... É minha primeira vez com vocês... Não temos intimidade alguma, não fica bem que vo...

Ela arrancou a nota da mão do incauto e a arremessou, amassada, em seu rosto:

- Sorte a sua! Eu pago tudo! Tudo! Tu-do!

Olha, com olhar de desdém, pro próprio marido, e debocha:

- Não pago? Diz pra ele! Pago ou não pago?

Como um vira-latas, cabisbaixo, responde:

- Paga.

E anteontem - o tal mote que me inspirou - deu-se o mesmo (a coisa dá-se a cada - o quê?! - dois meses, com ligeiro agravamento no último bimestre do ano). Dez amigos bebiam desde cedo até que ele disse, alisando o joelho de sua menina:

- E aí? Vamos?

Isso foi por volta das oito e meia da noite.

O furdunço foi terminar por volta da meia-noite.

Ela - é impossível acostumar-se à transformação - virou vento diante da súplica do marido de porre. Mandou servir as mais finas iguarias (presunto de Parma, salaminho, queijos de todas as procedências) e anteontem foi internacional. Quando pediu ao garçom mais cerveja, e o pobre-diabo trouxe Brahma, foi taxativa:

- Quero as belgas! As belgas!

Ele ajoelhou-se:

- Aqui não, meu amor... aqui, não! Sabe quanto custa uma garrafinha dessas?

O dono, que já babava no balcão fazendo as contas do pendura do malandro, ria.

- Quanto? - ela disse de pé, rodando a saia e sorrindo um sorriso-padilha.

- Vinte e cinco, trinta...

Ela estacou. Virou-se pro dono e disse:

- Quanto é a mais cara da casa?

- Setenta paus.

Como uma toureira, ergueu a saia, sapateou, foi ao balcão, colou o nariz no nariz do dono e, num monumental gesto, num átimo, virou-se pro marido e gritou, de soslaio pro dono do estabelecimento:

- Quantos ml?

- Um litro.

- Cinco! Cinco garrafas! Pago! Pago! Pago!

Impressionante.

Até.

18.12.09

METRÔ RIO

Enquanto a população não for efetivamente mais firme (não vou defender aqui a destruição absoluta de todas as estações e um quebra-quebra sem precedentes na sede da empresa, na avenida Presidente Vargas, sob pena de ser acusado de incitar a desordem e o vandalismo) a sacanagem dos porcos que comandam o consórcio responsável pelo serviço metroviário na cidade do Rio de Janeiro vai continuar. Eu, que raramente uso o metrô (salvo durante a tarde, para locomoções ligeiras e fora do horário de pico), fiquei sabendo, há pouco, que a situação hoje pela manhã agravou-se agudamente: estações fechadas, intervalos entre os trens na casa dos sete minutos, superlotação nos vagões e, de asas abertas sobre tudo isso, o urubu-rei Sérgio Cabral que é incapaz de uma atitude a fim de favorecer a população carioca que se vale, diariamente, do metrô. Sob o comando da empresa CONCESSÃO METROVIÁRIA RIO DE JANEIRO S.A, CNPJ 02.327.817/0001-02, desde 19 de dezembro de 1997 (há doze anos, portanto), o consórcio adquiriu o direito de explorar o serviço metroviário durante 20 anos, assumindo, em abril de 1998, o controle do serviço de transporte público metroviário. Inicialmente, a concessionária tinha sob seu controle a administração e a operação do metrô, ficando as expansões da rede metroviária e aquisição de novos trens a cargo do Governo do Estado. No final de dezembro de 2007, a concessão foi renovada até 2038 (façam uma idéia da dinheirama envolvida na jogatina) e a concessionária assumiu a responsabilidade pela construção da linha 1A, que ligará a linha 2 à linha 1, acabando com a necessidade de transferência no Estácio, pela compra de 114 carros e construção das Estações Uruguai e Cidade Nova.

A bem da verdade, o que aconteceu foi o seguinte.

O metrô, que era de controle absoluto do Governo do Estado, era um transporte eficaz, eficiente, rápido, limpo e não havia, em qualquer de suas estações ou dependências, qualquer espécie de propaganda.

Depois da concessão, os responsáveis pelo troço começaram a encher o rabo de dinheiro vendendo espaço para propaganda nos próprios bilhetes (quando eram de papel), nos degraus das escadas de todas as estações, nas paredes dos vagões, nas paredes de todas as estações, no chão (no chão!!!!!!) dos vagões, no chão das estações e - esses sanguessugas não têm limite, vendem até a mãe! - os próprios trens passarem a ser cobertos com adesivos trazendo propaganda de tudo quanto é produto. Melhorar o transporte, efetivamente, e trabalhar para atender à demanda que não pára de crescer, é claro, nunca esteve na pauta dos porcos a que me referi.

Nada, rigorosamente nada acontece para reverter o quadro de cafetinização do metrô. A linha 2, que atende à população mais carente, tem trens constantemente sem ar-condicionado funcionado. Intervalos intermináveis. Leinha, que vai trabalhar lá em casa todos os dias vindo da Pavuna, conta que passa um tempo interminável nas filas que dão acesso à estação e até chegar ao Estácio passa o diabo dentro do trem. Meu caríssimo Marcus Handofksy, que se vale do metrô de Copacabana até ao Centro, passa sufoco diariamente por conta da superlotação e dos intervalos cada vez maiores entre as composições.

À moda babaca que pendura lençol branco na janela pedindo paz, que combina abraço à Lagoa pra sei-lá-o-quê, a população propôs um boicote ao metrô no final de novembro - como se fosse possível, pra grande parte dessa mesma população, recorrer a outro meio de transporte, ainda que por um dia. Não deu em nada, é evidente (só um beócio acreditou no êxito da medida). Medida babaca que - alguém duvida disso? - deve ter feito os poderosos gargalharem entre baforadas de charuto e apalpar de bolsos abarrotados de dinheiro.

Ou radicaliza-se ou vai ficar tudo como está.

Pau na canalha!

Até.

17.12.09

DO DOSADOR

* Quero, antes de entregar-me ao salubérrimo exercício da digressão, fazer uma pergunta a meus amigos e leitores e leitoras jornalistas - os não jornalistas, é claro, podem dar seus palpites (e falo sério, não pensem, por favor, que se trata de pilhéria). É lícito a um(a) jornalista que exerce a função de crítico(a) gastronômico(a) sair por aí, tomando café da manhã, almoçando, lanchando, jantando e ceiando pelos bares, restaurantes, lanchonetes e que tais da cidade, previamente identificado(a) para que os donos e/ou gerentes das casas visitadas saibam da visita, não pagando um mísero centavo pela conta?; mais: é lícito após uma refeição mal sucedida atender ao pedido do dono e/ou do gerente para livrar a cara do estabelecimento em uma eventual avaliação a ser publicada? Faço, assim - como dizer? - mero exercício diante do que sei acontecer por aí;

* por falar em mero exercício do que sei acontecer por aí, quero lhes dizer uma coisa. O BUTECO DO EDU também está no TWITTER (aqui), e lá - ao contrário do que acontece aqui no blog - o dono do estabelecimento só fala besteira (não consigo compreender os que usam aquilo com seriedade beneditina). Mas lá, como aqui, ouço cada coisa que vou lhes contar! É imperdível, por exemplo, acompanhar o BOCA DE SABÃO, aparentemente comandado por policiais militares indignados com a farra na cúpula da PM. Ontem mesmo foi possível ler troços como "Vc, policial, quer comprar talão de multa de transito? O preço é 500, talão do Estado e 800 talão do municipio.", ou "Alô @mp_rj, PF, @reporterdecrime A jogatina continua na Rua Firmino Fragoso nº 287, LOJA F, em Madureira, área do 9º BPM". Ou ainda "O Maj Castro Neto do 2º BPM continua tentando extorquir a casa de show Vivo Rio e já ameaçou tirar o trailler da PM de lá". Ou "Na PMERJ existe um BUDA! É o Sgt Gama do BPFMA. Fica o dia inteiro sentado com o barrigão em cima da mesa esperando o $$$ do pessoal da rua.". É engraçado demais se você pensar que pode ser tudo verdade e imaginar a cara dos denunciados diante da exposição para milhares de pessoas (o BOCA DE SABÃO tem, por exemplo, o triplo de seguidores que tem o compositor Moacyr Luz). Mas é triste e lamentável verificarmos o quão podre é a estrutura da polícia do Estado. Leia (ou siga) o BOCA DE SABÃO aqui;

* tenho um conhecido que notabiliza-se por uma característica muito peculiar: NUNCA (com a ênfase szegeriana) pagou UMA (com a mesmíssima ênfase) conta que fosse (ou que seja, já que ele continua comendo e bebendo por aí, às expensas de quem o convida). Eu, com esses olhos que a terra há de comer (um deles com ptose palpebral), já vi a cena centenas de vezes. Vem a conta à mesa e ele vai ao banheiro, levanta-se, abraça o garçom, elogia o dono, o gerente, gargalha e farfalha os braços elogiando o que comeu e o que bebeu - coçar o bolso, que é bom, neca de pitibiriba, como diria minha bisavó. E é - convenhamos - um craque na arte da bajulação. Bajula, bajula, eleogia, elogia, elege novos ídolos, novos ícones e novos points, sempre à espera do convite que, tem sido inevitável, acaba chegando. É chamado - eu mesmo já ouvi, e fui ao chão de tanto rir - de Jacarepaguá. Segundo o autor da alcunha, por conta de que é lá, em Jacarepaguá, que será inaugurada uma estátua em homenagem ao sujeito. No Largo do Bicão;

* eu queria entender o que se passa na cabeça dos homens que dirigem as escolas de samba do Rio de Janeiro (salvo raríssimas exceções). Luiz Antonio Simas, um de meus ídolos vivos, contou que, dia desses, a BEIJA-FLOR DE NILÓPOLIS anunciou show com o padre Fábio de Melo em sua quadra (aqui). E eu leio, hoje, nos jornais, que no próximo sábado, 19 de dezembro, a UNIDOS DE VILA ISABEL receberá o cantor Lulu Santos, o tricolor que se orgulha de fazer parte da torcida mais cheirosa do Brasil. Mais patético - tirem as crianças da sala! - é ler que o show faz parte do projeto CASA DE BAMBA!!!!! Vejam o "bamba" Lulu Santos aqui, com a Xuxa, e vejam a que ponto pode chegar a capacidade do rídiculo. Adendo: tenho intensa piedade das crianças que, bisonhamente, pulam como cabritos em volta do cenário do tal clipe. Depois, mais à frente, os pais reclamarão... isso deixa para lá. Adendo: vejam aqui, constrangidos, o padre Fábio de Melo cantando na quadra da escola da BEIJA-FLOR a música (?!) que compôs em homenagem à azul-e-branco de Nilópolis. É inacreditável (para não dizer ridículo, e as risadas ao fundo dão bem conta do papelão do padre), aos 4m30s do filme, vermos o religioso ensaiando passos de samba travestido de mestre-sala para, depois, assistirmos à entrada, no palco, do prefeito da cidade acompanhado dos dirigentes da escola (do crime e de samba);

* e pra encerrar quero lhes dizer que, na primeira semana de janeiro, vou almoçar no restaurante de Roberta Sudbrack, no Jardim Botânico. E por várias razões. Fui convidado e convite não se nega, ainda mais partindo de quem partiu, um fraterno amigo que me pede, gesto muito nobre, a omissão de seu nome (desconfio dos que fazem gentilezas em troca da promoção). Em segundo lugar, porque quero, eu mesmo, provar da comida da festejadíssima gaúcha, conterrânea de meu eterno e saudoso governador Leonel de Moura Brizola. Como são muito controversas as opiniões sobre sua cozinha, vou lá tirar minha prova. E, em terceiro lugar, porque quero poder cumprimentá-la e lhe dizer, franca e sinceramente, que minhas críticas, feitas com veemência aqui no BUTECO, nada têm de pessoal;

* ah, sim, eu ia me esquecendo. Ontem, durante a crise belga no cada vez mais imperdível AL-FÁRÁBI, na rua do Rosário, na companhia de meus caríssimos (em ordem alfabética para não ferir suscetibilidades) Bruno Gaya, Carlinhos Alves, Guto, Leo Boechat, Luiz Antonio Simas e Luiz Carlos Fraga, provei da nova cerveja PAULISTÂNIA, dizem que lançada para fazer frente à THEREZÓPOLIS GOLD. Fabulosa, a cerveja, fabulosa! Leo Boechat, degustador de gosto apurado (o meu provador favorito), depois de meter o nariz dentro do copo, fungar ruidosamente, fechar os olhinhos, franzir a testa e beber o primeiro gole, deu a sentença: excelente! - e só quem sabe como soa o "excelente" expelido pela boca do meu compadre sabe o quão excelente é, de fato, a nova cerveja do mercado. Disse mais, o especialista:

- É, seguramente, uma puro malte Lager Premium com teor alcoólico de 4,8%. Feita com duas variedades de malte e duas de lúpulo, a cerveja tem um paladar refrescante e aroma lupulado. A análise sensorial foi desenvolvida por Cilene Saorin e a produção pelo mestre cervejeiro Matthias Reinold, tendo sido usado um lúpulo que não é comercializado no Brasil, o Hersbrucker.

Um craque, o Leo!

Até.

P.S.: recomendo, viva e efusivamente, a leitura dos comentários. O freqüentador bissexto deste balcão, José Sergio Rocha, está dando aula como quem respira em seus, até então, dois comentários.

16.12.09

DONA ALZIRA, UMA HOMENAGEM

Eu não sei se vocês lembram, mas em 10 de outubro de 2008 (vejam aqui) publiquei a parte X da série RUA DO MATOSO. Foi quando apresentei a vocês o ARMAZÉM MATOSO, comandado há mais de 30 anos pelo casal seu Manoel e dona Alzira. Pois hoje, mais de um ano depois, o BUTECO rende homenagens à dona Alzira, que foi oló há pouquíssimo tempo. Seu Manoel, eles casados há mais de 53 anos, não suportou a saudade e a casa, que tinha muito da alma dos dois - simpaticíssimos! - fechou as portas.

Dona Alzira, que considerava a rua do Matoso "a melhor rua da cidade" (leiam lá!), há de ficar feliz com a homenagem. E nós, tijucanos olímpicos, haveremos de lembrar sempre dela, pra-sempre-presente naquele trecho da Matoso, entre a Haddock Lobo e a Barão de Itapagipe.

Até.

TULÍPIO, HUMOR DE BOTEQUIM

Recebi ontem, cheio de justificado orgulho, um SEDEX que me foi enviado por meus chapas de São Paulo, Eduardo Rodrigues e Paulo Stocker, criadores do genial TULÍPIO, ele que é, e não sou eu quem diz - é Aldir Blanc, autor do prefácio do livro cujo nome dá título a este texto -, "a melhor coisa que surgiu no humor desde os Chopinics". Dentro da caixa, o livro devidamente autografado (dedicatórias abaixo), dez exemplares da revistinha número 9 do TULÍPIO e uma camisa genial (vejam a camisa aqui), que pode, inclusive, ser comprada aqui.

O livro é genial como genial é o texto do Edu e o traço do Stocker. Cheio de sacadas geniais - geniais! - é diversão certa e uma grande pedida pra presente de Natal.

Dei de lê-lo ontem mesmo. O livro traz, além dos cartuns da dupla, textos de Fausto Wolff, Fernando Gonsales, Gepp & Maia, Glauco, Ignácio de Loyola Brandão, Jaguar, Luis Fernando Verissimo, Luiz Gê, Mario Prata, Moacyr Luz, Nani, Nei Lopes, Paulo Caruso, Sócrates, Zélio, Ziraldo e Xico Sá.

Um doce pra quem adivinhar de quem é o texto abaixo reproduzido, um dos textos que compõe o livro e escrito por um dos acima citados:

"O Brasil descobriu o valor de um botequim. Hoje, qualquer restaurante fino quer incluir no letreiro essa insígnia: Buteco. Os bares têm o mesmo formato das cadeiras estilo Bar Luiz, mesa com tampo de mármore encerada pra sugerir restaurada, mas feita há meia hora na marcenaria da esquina. Colocam uns jilós a preço de caviar numa tigela de balcão, abrem uma cristaleira com cachaças mineiras e ficam definitivamente ricos, achando que São Jorge é São Benedito. Me transformei num caçador de biroscas. Quanto mais pé-sujo, mais a boca saliva. De preferência com o dono na caixa, emburrado, de camisa encardida."

Não lhes parece, a crítica inicial, - pra mim, pareceu - uma crítica feroz a lixos como o BELMONTE, por exemplo? Como o BOTECO DA GARRAFA (não por acaso da mesma rede do BELMONTE), na Lavradio, esquina com a Mem de Sá? Como o ANTÔNIO´S (não por acaso da mesma rede do BELMONTE, na esquina oposta à esquina do BOTECO DA GARRAFA), cujo dono, quero crer, ficou "definitivamente rico"?

Adivinhem de quem é. Dica: os bares acima listados são, vez por outra, adulados pelo autor da pérola que, no final das contas, acaba como autor de uma das boas piadas (de mau gosto, nesse caso) do livro.

Até.

15.12.09

DÁ-LHE, ZONA NORTE!

DÁ-LHE, ZONA NORTE!

Samba de Cláudio Jorge e Aldir Blanc, LUA SOBRE SANGUE é aqui interpretada magistralmente pelo Aldir, bardo da zona norte. Salve a Tijuca, salve o SALGUEIRO!

DÁ-LHE, ZONA NORTE!

Fabulosa gravação de Aldir Blanc (ele mesmo cantando!) para CANÁRIO DA TERRA (em parceria com João de Aquino) e NEGÃO NAS PARADA (em parceria com Guinga). Salve o Estácio!

ROBERTA SUDBRACK, MODUS OPERANDI

Não sei quem foi que me disse, dia desses, que eu andava implicando demais com a cozinheira Roberta Sudbrack. Ah, lembrei! Foi meu compadre Leo Boechat! Quero dar, publicamente, uma satisfação a quem pensa como ele.

Eu não implico com ninguém (e embora ouça daqui a gargalhada de muitos de vocês, meus poucos mas fiéis leitores, peço paciência para que eu possa dar-lhes minha explicação).

O que eu não tolero (e daí vem o que vocês podem chamar de implicância) é esse deslumbramento que sempre me soa patético. Eu, que NUNCA (com a ênfase szegeriana) provei a comida da RS (ela própria refere-se a ela como uma grife), sou pela opinião dos meus de confiança que já o fizeram a atestam que a coisa não é tudo o que dizem. Luiz Carlos Fraga, grande entendedor do ramo, é um. Cozinha mal? Evidentemente que não. Mas disse-me o pai do Antônio, hexacampeão brasileiro ainda de fraldas, que não é tudo isso o que dizem.

A cozinheira quebra um ovo e a assistência delira:

- Que ovo! Que ovo!

A cozinheira assa um leitão e neguinho diz:

- Seu leitão é a síntese do nirvana!

Duvidam? Está aqui.

E por aí vai (os elogios são, quase sempre, repugnantes, denotando que o sujeito que elogia quer, mesmo, é uma boquinha).

Vai daí que, recentemente, deparei-me com a RS na minha aldeia, na Tijuca, mais precisamente no SALETE. Descobri, depois, que ela vinha de um passeio à Madureira onde fora conhecer o MERCADÃO - que ela achou parecidíssimo com a Jordânia (vejam aqui).

Vejam vocês que, como disse meu mano Bruno Ribeiro, nos comentários ao texto ROBERTA SUDBRACK NA ZONA NORTE (este cujo link está imediatamente acima), RS carece, literalmente, de rua.

E ontem, quando realizou-se a papagaiada DINNER IN THE SKY (ou JANTAR NAS ALTURAS, como queiram) - evento que contaria com a participação de Roberta Sudbrack (vejam aqui) - a cozinheira desdenhou do troço lá no TWITTER.

Acompanhem a seqüência abaixo.

Primeiro, em 02 de dezembro, RS diz que está estudando as características do evento para preparar seu menu, chegando de viagem e vivendo emoções fortes! Em 10 de dezembro, anuncia que por conta da mudança da data da realização da papagaiada e de incompatibilidade de sua agenda, não mais estará cozinhando nas alturas. E ontem, 14 de dezembro, dia em que finalmente realizou-se a coisa, disse que achava o preço "meio tenso" (quero crer que ela quis dizer "meio caro", vá entender essa linguagem...), que compreendia, entretanto, "o lance da estrutura" e, desdenhando do evento e traindo os organizadores, que "os chefs não ganham nada e ainda levam a fama". Ética, não?



Implicância minha?

Até.

14.12.09

ASSIM PENSA A CANALHA

É assim que pensa a canalha, nesta nota (publicada n´O GLOBO de hoje) representada por um canalha, um porco (gente ele não é) que se diz representante de uma associação de moradores do Leblon (deve ser uma espécie de GRUPO GRANDE TIJUCA do bairro da zona sul).

Representante, diga-se, da mesma canalha que, de vez em quando, estende patéticos lençóis brancos nas janelas pedindo paz.

Até.

EGO DO BUTECO

O inconcebível, o inacreditável, o insuperável (pelo que guarda de imbecilidades) site EGO - que uma vez mais se supera, vejam se estou exagerando -, gigantesca excrescência cibernética hospedada nos domínios da GLOBO.COM (onde mais?, onde mais?) publicou, em julho desse ano, uma notícia (notícia, meu Deus?!) envolvendo a ... (o EGO é que a qualifica...) ... Emanuelle Araújo. O desprezível site conta que "a atriz e cantora foi fotografada com um ar pensativo". Mais adiante, na mesma anti-matéria, diz que "compenetrada, a atriz Emanuelle Araújo atravessa uma rua no Leblon, na Zona Sul do Rio". E faz a pergunta intrigante: "Por que tão séria?". É ou não é uma tremenda e bombástica notícia? (vejam aqui).

O EGO DO BUTECO, mantendo seu compromisso de lançar luzes sobre gente (e tatuagens, e bichos) infinitamente mais interessante que a gente (tatuagens e bichos) exibida pelo tal site, também mostra, hoje, uma celebridade que, tal e qual Emanuelle Araújo, também saiu por aí, atravessando ruas e desfilando em calçadas com pedras portuguesas.

15/02/09 - 11h45min

Flagrado depois de atravessar uma rua da Tijuca, na zona norte do Rio, em fevereiro deste ano, e já na calçada de pedras portuguesas no Largo da Segunda-Feira, Pepperoni exibe seu tradicional olhar de desprezo para nossa reportagem.


"Eu acho que todos os bichos, todos os cães, cachorros, cadelas, bois, vacas, cavalos, potrancas, tubarões, baleias e piranhas que passeiam na zona norte, como eu, têm vez também, sabe?", disse o mal-humorado vira-lata.

DÁ-LHE, ZONA NORTE!

Curta porém belíssima entrevista de Moacyr Luz para a jornalista Leila Richers, exibida em 07 de maio de 2009.

Até.

DÁ-LHE, ZONA NORTE!

Decidi hoje que vou começar a dividir com vocês algumas pérolas (seja em forma de vídeo, de imagem ou de som) que exaltam a zona norte, o subúrbio, a Baixada Fluminense, esse pedaço fundamental do Rio de Janeiro esquecido pela mídia e pelos "descolados" (preciso que alguém, com conhecimento de causa, me explique o que significa isso, urgentemente!) e somente lembrado quando associado à violência.

A série DÁ-LHE, ZONA NORTE!, que começou com a disponibilização do vídeo gravado ontem durante o ensaio técnico da G.R.E.S. UNIDOS DE VILA ISABEL (aqui), traz agora esse samba que exalta o bairro de Madureira onde vivi curiosíssima história que quero dividir com vocês.

Corria o ano de 1999 e eu saí de casa, de carro, com minha menina. Pretendíamos ir ao pagode organizado pela Doca - e eu não sabia como fazer pra chegar no lugar.

O que foi que fiz?

Tomei a direção da casa da Surica em busca de informações.

Quando parei diante da entrada da vila onde vive a pastora, vi um homem, de costas, agachado, começando a levantar um engradado cheio de cerveja, diante do portão. Perguntei:

- Boa tarde! Você sabe me dizer como eu faço pra chegar no pagode da Doca?

O sujeito pôs o engrado de volta no chão e virou-se. Abriu um sorriso do tamanho da floresta amazônica e disse:

- Opa! Carioca pedindo informação pra paulista em Madureira, hein?!

Deu de rir, veio à janela do carro e explicou, ele que conhece o subúrbio e a zona norte como a palma de sua mão calejadíssima, didaticamente, como eu chegaria lá.

Era, meus poucos mas fiéis leitores, Fernando José Szegeri, o homem da barba amazônica, a quem eu mal conhecia - só, mesmo, de trocar e-mails, ele que era leitor do site que eu mantinha na época, o SENTANDO O CACETE e assinante, como eu, da AGENDA DO SAMBA & CHORO.

É pra ele, meu irmão siamês, que dedico o samba na voz de Arlindo Cruz.

Até.

DÁ-LHE, ZONA NORTE!

Até.

12.12.09

ROBERTA SUDBRACK NA ZONA NORTE

A vida me reserva mesmo muitas surpresas quando o assunto é trazer assuntos aqui pro balcão do BUTECO!!!!!

Acabo de chegar do SALETE, portentoso restaurante na rua Afonso Pena, onde bebi chopes em quantidade industrial e comi um filé à francesa perfeito, como sempre.

Estou eu lá, mandando mais um chope pra dentro, quando vejo quem entrar no SALETE? Quem? Quem?

A cozinheira que me bloqueou no TWITTER (vejam aqui). Ela mesmo, Roberta Sudbrack! Entrou de boné, passou por mim e eu a cumprimentei:

- Boa tarde, Roberta!

Resposta?

Não.

A cozinheira passou direto e enterrou mais fundo o boné na cabeça. E não foi por ter me reconhecido (sabendo de minhas ressalvas poderia ter feito o que faz o Moacyr Luz quando me encontra, ele que finge que não me vê ou vira a cara mesmo). Não. Foi antipatia aguda e absoluta. Ouvir, ela ouviu.

Daí pensei. Vou ao TWITTER. Vai que não é ela.

Mas era. Vejam aí.

A cozinheira foi, hoje pela manhã, conhecer o MERCADÃO DE MADUREIRA (e é evidente que seguindo as dicas babacas de O GLOBO, como eu lhes disse ontem aqui), achou tudo parecido com a Jordânia (meu Deus...) e depois esticou no SALETE.



Até.

OS JORNALISTAS DE O GLOBO

Recebi ontem e-mail - sobre o qual não tecerei mais comentários - que me foi enviado por um jornalista de O GLOBO. Nele, à certa altura, o remetente escreve:

"Quero dizer que respeito seu trabalho e sou leitor há anos do seu blog, apesar de realmente não entender direito seu ódio pelos jornalistas que por acaso trabalham no Globo."

Vamos lá.

Não quero exatamente respondê-lo por aqui - o farei, depois, particularmente, sem alarde, sabe-se lá se pessoalmente até (penso em convidar o autor da missiva eletrônica para um cotovelo-no-balcão). Mas preciso dizer, até mesmo para que disso saibam meus poucos mas fiéis leitores, que não tenho ódio pelos jornalistas que por acaso trabalham n´O GLOBO.

Tenho amigos, colegas, conhecidos que trabalham no jornal, o que já põe por terra o ódio generalizado que me imputa o autor do e-mail.

Quanto aos demais - alvos de diversos textos meus nos quais exponho, sem dó nem piedade, a vilania dessa gente - não nutro ódio. Guardo, sim, desprezo profundo por eles. Eles, que são membros dessa casta que descarrega - ela, sim! - ódio por nosso povo, por nossa gente mais simples, pelo carioca zona-norte e suburbano, por todos aqueles que não se enquadram nessa categoria patética que é rotulada como "descolada" e que é responsável pelo que há de mais bacana, genuíno e autêntico na minha mui amada cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.

Por tijucanos como eu, como Felipe Quintans, como Luiz Antonio Simas, criado e moldado em Nova Iguaçu, por cariocas do subúrbio como Diego Moreira, Marcelo Moutinho e José Sergio Rocha, por cariocas hoje exilados como Bruno Ribeiro, cariocas de alma como Arthur Tirone e Fernando Szegeri - e tantos outros que são permanentemente desprezados por essa suposta elite que trabalha, perniciosamente, contra o Rio de Janeiro.

Como João Ximenes Braga, que assina quinzenalmente uma coluna desprezível no igualmente desprezível caderno ELA, encartado aos sábados no jornal O GLOBO. Dia desses, referiu-se com nojo aos pobres (vejam aqui).

Hoje, sábado, manda o seguinte, comentando sobre uma briga que teria assistido no domingo passado, depois do jogo Flamengo e Grêmio, entre "dois galalaus" (o termo é dele), na praça São Salvador, em Laranjeiras:

Não tece uma linha sobre a barbárie coletiva que teve como palco a rua Ataulfo de Paiva, no Leblon, ou a praça Santos Dumont, na Gávea - e como protagonistas responsáveis os filhos mimados da riqueza, os inimputáveis e inatingíveis também mimados pela mídia (os figurantes, digamos assim, das novelas que têm o Leblon como cenário).

Pois ele, João Ximenes Braga, tem ódio - ele, sim! - e um ódio exposto às escâncaras e corroborado pelo jornal - que ele, jornal, também fomenta, ainda que subliminarmente, todos os dias em suas páginas - da zona norte, do subúrbio, do Rio de Janeiro que não se rende ao modus descolado de vida.

Até.

11.12.09

PRECONCEITO EM ESTADO BRUTO

PRAÇA SAENS PEÑA (leiam aqui e aqui) vai ser lançado hoje exclusivamente em um único cinema na Tijuca porque os "especialistas" (aspas de propósito) disseram que o título restringe o público aos moradores da Tijuca.

Nojento.

Fosse assim e CIDADE DE DEUS nem teria passado nos cinemas.

Tão nojento quanto nojenta foi a crítica (e aquilo não foi crítica, foi uma babaraheliodorada sem fundamento algum) feita pelo DJ Filipe Quintans (não confundam com Felipe Quintans, nosso Felipinho Cereal).

Até.

P.S.: atendendo sugestão de meu mano Bruno Ribeiro, eis aí, abaixo, a "crítica" (aspas também de propósito) do covarde "crítico" (idem) do JB (cliquem na imagem para lê-la ampliada). Eu não tenho nada a dizer sobre o que escreveu o DJ que assina a "crítica". Apenas que a Tijuca tem - por mais que contra isso lutem os que agem perniciosamente contra ela - importância o suficiente para que soe ridícula a última frase do troço. Bobo e principiante - e sem NENHUMA (com a ênfase szegeriana) autoridade -, franca e sinceramente, para dizer o mínimo, é... isso deixa para lá, como diria Stanislaw Ponte Preta (que adoraria o filme, diga-se!).

RIO SHOW DE BABAQUICE

A revista RIO SHOW, encartada n´O GLOBO de hoje, e que sempre traz uma quantidade inacreditável de tolices em forma de dicas dispensáveis, apresenta hoje duas matérias que dão bem conta do que são - e como tenho dito isso por aqui... - o jornal O GLOBO e seus empregados (eu ia escrever jornalistas mas prefiro o termo "empregados").

Antes, uma historinha pra refrescar a memória de vocês. Em 18 de junho de 2008, em seu blog PÉ-SUJO (nome que também é o da coluna da revista a que fiz referência), Juarez Becoza escreveu o seguinte (vejam aqui):

"O compositor Moacyr Luz, de talento indiscutível e boemia inveterada, autor do 'Manual de Sobrevivência nos Botequins Mais Vagabundos', e o jornalista Paulo Thiago de Mello, idealizador do Guia Rio Botequim e pioneiro no estudo do assunto como tema acadêmico, sentarão na mesa para discutir uma das polêmicas mais preocupantes hoje em dia para quem realmente ama o verdadeiro pé-sujo: a proliferação de franquias de pseudo-botequins. Pra quem gosta de azulejo, São Jorge e empada servida dentro do balcão, uma debate imperdível."

O grigo é meu, a prova efetiva de incoerência e de falta de autoridade no assunto é do Becoza.

Hoje, em sua coluna PÉ-SUJO na revista, o que faz o dito cujo?

Exalta um lixo chamado SONHO LINDO (que nome pra buteco, hein?!). Diz ele, desdizendo tudo o que sempre disse, que o "um dia, o cearense seu Giovani", sócio de alguns botecos no Rio, teve um sonho.". Grifa o Becoza: "Um sonho lindo, por sinal: ter uma rede de botequins tão grande e famosa quanto a do seu conterrâneo Antônio, do Belmonte.". Que tal?

Mais à frente, Juarez Becoza conta, em tom de exaltação, que a tal rede já possui abertos três botequins na zona sul, um em Botafogo e outros dois em Laranjeiras. E, ápice do ápice, noticia ao leitor que o tal do seu Giovani tem mais nove (eu disse NOVE!!!!!) botecos na zona sul, entre Jardim Botânico, Humaitá e Copacabana. E fecha a matéria (um poço de incoerência e de fomento à praga das franquias) dizendo que "a idéia dos sócios é mesmo padronizar os serviços, ao melhor estilo do Antônio.".

Pausa para uma golfada e sigo.

Peço a opinião de meus poucos mas fiéis leitores mais chegados ao tema. Em matéria (de capa) assinada por Maria Cristina Valente, a RIO SHOW apresenta o MERCADÃO DE MADUREIRA a seu público-alvo, o leitor da zona sul.

Lá, por conta das entrevistas feitas com atores, produtores culturais, chefs de cozinha e mais que tais, ficamos sabendo que aquilo lá, espaço sagrado, carioca e brasileiríssimo como bem nos demonstrou Luiz Antonio Simas, aqui, é um "endereço pop", programa recomendado para a "turma descolada", a "Disney da umbanda" e - tirem as crianças da sala! - "um pedacinho do Rio que é mais carioca do que muitos outros da zona sul".

Eles só podem estar de sacanagem.

Até.

CHAMA NÖEL ROSA

Luiz Antonio Simas, esse maiúsculo professor de História, professor brasileiro capaz de nos ensinar, como poucos, as coisas do Brasil, presta hoje, aqui, uma homenagem ao aniversariante do dia, o grande menestrel da Vila Isabel, da zona norte, do Rio de Janeiro, do Brasil e - por que não?! - do mundo!

"Nöel Rosa é um dos inventores do Brasil, gênio da raça. Deveria ser ensinado nas escolas, cantado nas universidades, bebido nos botequins, saudado nas esquinas e reverenciado nos terreiros.

Nöel Rosa é Exu e Oxalá ao mesmo tempo - homem da rua, dono do corpo, malandro maneiro, azougue de céu e terra, civilizador afoito e velho sábio. Feito Obatalá bebeu o vinho de palma, dormiu na sombra da palmeira, largou a medicina como se larga a tarefa de Olodumare, zombou da sorte, não criou o mundo mas moldou no verso - ritmado em samba - o homem.

Nöel Rosa é tapa na cara do preconceito e prova evidente de que o maior elemento civilizador do Brasil é o samba. Não pensou em remover favela - subiu o morro, aprendeu, ensinou, bateu, levou e inventou a vida entre o pandeiro e a viola. Branco azedo entre os pretos, feito camisa do Botafogo.

Nöel Rosa é conversa de botequim, futebol no rádio de pilha, conta pendurada, caldo verde pra curar ressaca, conversa fiada, sacanagem no portão, punheta de garoto, pêra uva maçã salada mista, selo carniça nova, pipa no céu, bola ou búlica, vida pela sete, com tabela na caçapa do meio. Brasil que gosta do Brasil.

Nöel Rosa é festa da Penha, novena, quermesse, tambor de mina, sessão de mesa, doce de Cosme, baile nos infernos, flor e navalha, afago e pernada, gol de letra e gol de mão, pomba da paz e galo de rinha, Estácio, Tijuca, Vila - o Brasil que sabe, e Morengueira confirma, que em casa de malandro o vagabundo não pede emprego.

Nöel Rosa viveu no tempo em que do morro da Mangueira se enxergava a Vila Isabel. Hoje, entre o Buraco Quente e o Boulevart, existe o prédio da Universidade do Estado do Rio de Janeiro pra esculhambar a vista - e não se ensina o poeta, e não se canta o poeta na universidade: Pior pra ela.

Nöel Rosa faz aniversário hoje: nasceu no dia 11 de dezembro de 1910. Nunca morreu; encantou-se em Vila Isabel aos vinte e seis anos, feito Mestre da Jurema, Zé Pilintra, caboclo de pena, boiadeiro de laço, erê de cachoeira, bugre do mato, malandro da encruza e exu catiço.

Nöel Rosa é da família dos encantados que moram nas esquinas, campos de várzea e botecos vagabundos, e baixam quando a noite é grande e a cachaça é farta: Mané Garrincha, Aleijadinho, Bispo do Rosário, João da Baiana, Cartola, Mãe Senhora, Geraldo Assoviador, Villa Lobos, Bimba, Pastinha, Camafeu de Oxóssi, Lima Barreto e Zulu, mestre do Favela, são da mesma guma de ajuremados - os caboclos nossos, brasileiros."


Até.

APLAUDINDO DE PÉ

Como lhes disse aqui, o filme PRAÇA SAENS PEÑA, do diretor Vinícius Reis, merece, precisa e deve ser visto por todos.

Até.

10.12.09

PEDINDO LICENÇA E COM RESPEITO

DO DOSADOR

* a torcida tricolor, meus poucos mas fiéis leitores, enlouqueceu de vez. Ou, como disse com muita propriedade o Andreazza, soltou o recalque após o hexacampeonato do Flamengo. Ontem, durante um papo com Leo Boechat - que esteve comigo no Maracanã, no jogo final - levantei a hipótese de que os torcedores do Fluminense, arrasados com a vantagem numérica e incontestável do Flamengo no que diz respeito às conquistas do Campeonato Carioca, ainda entalados com dois campeonatos perdidos para o inexpressivo time da LDU dentro de casa, tontos com a pífia campanha no Brasileirão 2009 (tentam, pobres-diabos, convencer a todos sobre a vantagem da décima-sexta colocação), passaram a (tentar, sem êxito) tirar onda sobre a torcida rubro-negra. Ora, vejam bem. Como histéricos heloíso-helênicos, acabam de lançar uma camisa comemorativa (comemorativa!, vão tomando nota da insanidade!!!!!) pela campanha pífia deste ano, vejam aqui. Na tal camisa, criada pelo "NÚCLEO DE INTELIGÊNCIA TRICOLOR", vê-se estampado na frente do troço: "FRED, O HOMEM FLUÍDO, MAICON, O MULTI-HOMEM E CONCA, O HOMEM MOLA". Atrás - tirem as crianças da sala e segurem a explosão da gargalhada: "REBAIXAMOS OS MATEMÁTICOS - BRASILEIRÃO 2009". Seria cômico se não fosse sinal evidente de recalque, de desequilíbrio e de insanidade vexaminosa. Deram, ainda, os tricolores - muitos deles esperneando aqui no balcão do BUTECO - de chamar a torcida do Flamengo de "torcida do Leblon". Parecem fingir não saber, pobres-coitados, que o Flamengo não é o time do Leblon, essa figura patética reducionista criada por quem estrabicamente não reconhece que o Flamengo é o time do Brasil. Vou ser didático para que a "torcida mais cheirosa do Brasil" (apud Lulu Santos, um de seus mais célebres simpatizantes) compreenda. Recente pesquisa feita pelo IBOPE aponta que o Botafogo tem 32% da torcida formada pelas classes A e B; o Flamengo, 27%, o Vasco, 36% e os pó-de-arroz, 46%. A elite é, portanto, da turma do recalque. Entre os mais pobres (classes D e E), o Botafogo tem 24%, o Flamengo, 20%, o Vasco, 17% e o Fluminense apenas 7%. E o resultado que aponta para a maior torcida é acachapante: 57% da população carioca torce para o Flamengo, o que parece explicar (a patuléia compreende isso?!) que em TODAS as regiões da cidade (fato que se repete Brasil afora) somos nós, os hexacampeões, a maioria absoluta. A mesma pesquisa ainda conclui que os torcedores do Fluminense são os mais preocupados com a forma física. Acho que basta. Mas tem mais, tem mais! Roídos de inveja e recalque, passaram ainda, os pó-de-arroz, a menosprezar a performance do Flamengo durante a entrega dos prêmios promovida pela CBF, essa senhora provecta, prima-irmã da FIFA, ambas bastante conhecedoras do que é promover festa e espetáculo e estúpidas no que diz respeito ao futebol e ao povo. Bem fez o Adriano que ignorou solenemente a papagaiada, preferindo comemorar na favela entre seus amigos de infância, sua família, sua gente. O resto, meus poucos mas fiéis leitores, é choro de perdedor que, em grave e agudo surto, comemora o que deveria ser motivo de vergonha;

* muito bacana a última edição do programa PROFISSÃO REPÓRTER, sobre a última rodada do Brasileirão 2009 (veja o programa, na íntegra, aqui). No programa, Caco Barcellos e Caio Cavechini mostraram os bastidores de Flamengo e Grêmio. O repórter Thiago Jock foi para Porto Alegre registrar a torcida do Internacional, que teria chances de superar o clube carioca e levar o título, se o rival gaúcho derrotasse os rubro-negros (é impagável, simplesmente impagável a cena que mostra um balofo colorado cantando "Inter do meu coração..." sendo interrompido pelo amigo, de radinho no ouvido, que diz "gol do Flamengo...", para em seguida mostrar o mesmo balofo (meu colega de banha humana), de olhinhos fechados, dizendo "gol do Flamengo, não, não...", a 1m05s do primeiro vídeo disponibilizado no link acima). Felipe Suhre registrou, em Curitiba, toda a tensão de Cuca e sua equipe na reta final. Eles precisavam de um empate para se livrar do rebaixamento - e conseguiram (motívio de alívio, apenas, não de festa). Felipe Gutierrez e Júlia Bandeira acompanharam a torcida organizada do Palmeiras. E as repórteres Gabriela Lian e Mariane Salerno, no estádio do Morumbi, acompanhando o último jogo do tricolor paulista, em tudo assemelhado ao tricolor de cá. Assistir ao programa já sabendo do final feliz, em casa, ao lado da mulher amada e de uma garrafa de Westmalle (aqui) foi, confesso, um programaço;

* a Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro aprovou, ontem, a criação da taxa de iluminação pública, mais uma mão-no-bolso do contribuinte, que é feito permanente e constantemente de otário pelos políticos, homens que não temem o povo por conta da postura passiva da população brasileira (e aqui refiro-me à carioca, especificamente). O (des)governador Sérgio Cabral, de mãos dadas com Eduardo Paes, os deputados estaduais e os vereadores cariocas (salvo raríssimas exceções!), não enfrentando nenhuma reação mais agressiva por parte do povo não vão, NUNCA, mudar o rumo da prosa. Bandeira branca na janela, abraço à Lagoa, movimentos pífios como tantos que já mobilizaram parte da população, denúncias patéticas que têm como alvo os peixes-pequenos desse grande aquário sujo, não vão fazer nem cócegas nessa quadrilha imunda que está a merecer, e não é de hoje, uma mais efetiva ação por parte do povo. Dá-me nojo a postura e a falta de compostura do Ministério Público, que seguramente sabe onde mora a coruja. Empreiteiros fazendo a festa (e aqui no Rio temos, por exemplo, a DELTA ENGENHARIA enriquecendo a corriola), o consórcio do metrô desrespeitando diuturnamente o pobre do usuário sob as barbas do Governo do Estado, o patético choque de ordem dando choque em quem não merece, e seguimos todos em paz fazendo exatamente o que a escumalha do poder mais deseja: sossego para que sigam com o assalto à luz do dia;

* quero, de novo, e com veemência, recomendar a quem me lê uma visita ao AL-FÁRÁBI, na rua do Rosário, comandado pelo Carlinhos, pela Evelin e pelo Abade Maurício. Além de ser um sebo fabuloso, lá se serve uma comida mais-que-honesta e - destaque dos destaques! - cervejas do mundo inteiro a preços que - vão e comprovem!!!!! - ninguém tem. Chegar lá e pedir uma dica ao Maurício (chamado de Abade por conta de sua autoridade no assunto como atestam Leo Boechat e Marcus Handofsky, nosso Hans) é garantia de delicioso enfrentamento da chamada crise belga. E mais não digo. À experiência, todos os que sabem o quanto isso é bom.

Até.