1.12.09

AS RARIDADES DO LORD BAR: COINCIDÊNCIA?

O DOSADOR de hoje, criticando com veemência o parecer de Juarez Becoza publicado na revista RIO SHOW de O GLOBO de sexta-feira passada, escrevi:

"Na revista RIO SHOW da última sexta-feira o jornalista Juarez Becoza escreveu para a coluna PÉ-SUJO recomendando o LORD BAR, espelunca encravada na rua da Quitanda, no Centro do Rio. Provando que (01) nunca pisou no LORD BAR, (02) tem gosto duvidoso ou (03) está de sacanagem com a cara do leitor, disse o seguinte sobre o buteco: "No excelente Lord Bar, (...), foi assim. (...). (...) consegue manter a qualidade do chope e dos petiscos de balcão - ali servidos com um refinamento quase incompatível com a simplicidade do lugar. (...) Para comer, o pernil tenro, beneficiado por um banho de cebola na chapa, é espetáculo. E as linguiças, sempre oferecidas ao primeiro chope, não devem ser recusadas.". Digo eu, daqui do balcão... Vou, com freqüência bissexta, ao LORD BAR, quase sempre na companhia de Marcus Handofsky, Leo Boechat e Luiz Carlos Fraga. Vamos muito mais por um misto de masoquismo e amor aos botequins mais vagabundos. E afirmo, com todas as letras e com a precisão que é minha companheira fideidigna, que NADA (com ênfase szegeriana) pode ou deve ser comido naquela espelunca. O chope é pífio (muito raramente está aceitável), o pernil é podre, os salgados são esverdeados e com musgo, a lingüiça é um lixo proibitivo (preta, enrugada, engordurada e fétida) e eu quero lançar daqui o desafio: pago toda a despesa de Becoza se ele me der a honra de aceitar meu convite para um encostar de umbigos naquele balcão mais assemelhado a um forno crematório. Ele terá de comer de tudo o que anuncia, a mais desavergonhada propaganda enganosa que jamais vi em matéria de botequim."

Desde o início eu apostava: o cara jamais pôs os pés no LORD BAR, ou não escreveria tamanhas insanidades.

E graças a um de meus poucos mas fiéis leitores, Luiz Carlos Fraga (que enviou-me significativo e-mail há poucos minutos com o mapa da mina), posso agora mostrar a vocês que, de fato, o jornalista fiou-se (e fez mal, muito mal...) - é o que tudo indica - na opinião do Moacyr Luz, em 08 de outubro de 2009, como a imagem comprova, na resposta que o compositor deu a um de seus (meu também!) leitores, o Daniel Banho, em seu blog (cliquem na imagem para ler a mensagem com mais clareza):

A resposta do Moacyr ao Daniel está aqui (sem correções), e lá se lê:

"também sou assíduo do Lord Bar aonde quarta passada levei alguns amigos de outra cidade pra provar as rariades do lugar."

Raridades do LORD BAR?

Francamente.

Até.

7 comentários:

Claudio Renato disse...

Oi, Edu

Quando ir a um samba ou a um botequim deixar de ser prazer para se tornar um suposto estudo antropológico, tudo fica muito triste. Existem no Rio de Janeiro mais de 20 mil botequins e os experts que acham que conhecem todos, conhecem tudo, se sentem no direito de classificar o que é e o que não é...

Só posso dizer o seguinte: primeiro vem a mídia, depois os bobões da zona sul, ciceroneados por alguns espertalhões da zona norte. Está decretada a morte do lugar!

Eduardo Goldenberg disse...

Perfeito, Claudio Renato: primeiro vem O GLOBO, depois o Paulo Juarez Becoza Mussoi ciceroneado pelo Moacyr Luz. Abraço.

Daniel Banho disse...

Curioso como as coisas acontecem na internet, Edu.
Eu conhecia o Moacyr Luz apenas de umas 2 ou 3 músicas no disco "Esquina Carioca", mas só fui passar a saber quem é realmente depois de garimpar a entrevista concedida por ele a você e publicada aqui no Buteco.
Adorei a entrevista e fui dar uma pesquisada, descobrindo a importância dele no atual momento do samba ao instituir o Samba do Trabalhador e a fama de conhecedor de butiquim. Fama essa que me levou até a comprar um livro dele ("Manual de Sobrevivência..."), que gostei muito, principalmente pelos causos contados.
Daí migrei pro blog, onde também me divertia com as histórias que ele contava.
E qual não foi meu susto ao ver a fatídica declaração sobre o limão do mictório, e logo na coluna Gente Boa (reproduzida por você aqui)!?
Até comentei no seu post que tinha esperança que fosse um engano, o que você me garantiu que não era.
A partir daí passei a reparar num certo incômodo que parece existir na relação entre vocês, o que, pelo que entendi revirando os alfarrábios do Buteco, teria partido dele após aquela sua homenagem ao Brizola ao vivo na Globo.
Até te mandei um email na época, perguntando "em que essa sua atitude atingiu o Môa e ao que achas que se devem essas declarações do mesmo no Globo e na Veja (essa última que também achei pesquisando no Buteco), que contrariam a essência do buteco autêntico, dos "butiquins mais vagabundos", como dizem ele e Aldir Blanc?"
Confesso que não entendi até agora o que acontece com o Moacyr Luz. O que o leva a apregoar exatamente o oposto do que eu esperava dele ao ler seu livro e seu blog, ouvir suas músicas...
É tudo muito estranho pra mim.
Como sou fã do seu estilo "pé na cara", acharia o máximo se você fizesse um post aqui no Buteco esmiuçando essas questões, até porque, como mencionei no início desse comentário, ele - pra mim - está extremamente ligado a você, já que foi através do Buteco que me interessei pelo "personagem" Moacyr Luz.
Mas como a relação pessoal e o blog são seus, não vou nem cometer a audácia de te pedir isso.
Quanto ao Lord Bar, admito, nunca fui lá. Então não tenho o que opinar.
Abraço!

Eduardo Goldenberg disse...

Daniel: vá ao LORD BAR, então, e você verá o lixo que aquilo é. E você entenderá quem são os homens e quem são os personagens. Um abraço.

Paulo disse...

O Lord Bar tem a melhor carne seca que já comi. O pernil é maravilhoso, ainda mais quando um limão lhe é exageradamente expremido, e o sanduíche de linguiça com provolone é uma ótima pedida.

O chopp merece até um parágrafo só pra ele. Sensacional!

Isso está começando a me parecer implicância sua com o grande compositor Moacyr Luz. E fica um troço chato, porque é uma implicância acompanhada de recalque.

Lamentável.

Eduardo Goldenberg disse...

Ô, Paulo (escrevo seu nome e respondo a você por puro esporte, já que não sei quem é você - e essa mania insuportável de omitir a identidade...): lamentável, mesmo, é:

01) gente que vem aqui ao blog pra dar pitaco sem mostrar a cara;

02) saber que a carne seca do LORD BAR é a melhor que você já comeu. Dá pena imaginar o que você anda mastigando por aí.

03) eu ser obrigado a reconhecer, de novo, que o pernil de lá, quando tem pernil!, é um lixo - idem, idem, idem;

04) dizer de novo que o sanduíche de lá... idem, idem, idem.

Faça uma coisa, Paulo. Apresente-se. E convença o Paulo Mussoi a ir até lá com você. Vocês são meus convidados.

Quanto ao Moacyr, sem comentários. Minha implicância reside apenas na sua cabeça. O recalque, idem.

Também acho que ele é um grande compositor. O que não me obriga a concordar com tudo o que ele, à moda Pelé, anda falando por aí.

Aquele abraço.

João Carlos disse...

não gosto muito moacyr não, inclusive e especialmente musicalmente, mas que ele repondeu bem pra diabo, isso ele respondeu