14.12.09

DÁ-LHE, ZONA NORTE!

Decidi hoje que vou começar a dividir com vocês algumas pérolas (seja em forma de vídeo, de imagem ou de som) que exaltam a zona norte, o subúrbio, a Baixada Fluminense, esse pedaço fundamental do Rio de Janeiro esquecido pela mídia e pelos "descolados" (preciso que alguém, com conhecimento de causa, me explique o que significa isso, urgentemente!) e somente lembrado quando associado à violência.

A série DÁ-LHE, ZONA NORTE!, que começou com a disponibilização do vídeo gravado ontem durante o ensaio técnico da G.R.E.S. UNIDOS DE VILA ISABEL (aqui), traz agora esse samba que exalta o bairro de Madureira onde vivi curiosíssima história que quero dividir com vocês.

Corria o ano de 1999 e eu saí de casa, de carro, com minha menina. Pretendíamos ir ao pagode organizado pela Doca - e eu não sabia como fazer pra chegar no lugar.

O que foi que fiz?

Tomei a direção da casa da Surica em busca de informações.

Quando parei diante da entrada da vila onde vive a pastora, vi um homem, de costas, agachado, começando a levantar um engradado cheio de cerveja, diante do portão. Perguntei:

- Boa tarde! Você sabe me dizer como eu faço pra chegar no pagode da Doca?

O sujeito pôs o engrado de volta no chão e virou-se. Abriu um sorriso do tamanho da floresta amazônica e disse:

- Opa! Carioca pedindo informação pra paulista em Madureira, hein?!

Deu de rir, veio à janela do carro e explicou, ele que conhece o subúrbio e a zona norte como a palma de sua mão calejadíssima, didaticamente, como eu chegaria lá.

Era, meus poucos mas fiéis leitores, Fernando José Szegeri, o homem da barba amazônica, a quem eu mal conhecia - só, mesmo, de trocar e-mails, ele que era leitor do site que eu mantinha na época, o SENTANDO O CACETE e assinante, como eu, da AGENDA DO SAMBA & CHORO.

É pra ele, meu irmão siamês, que dedico o samba na voz de Arlindo Cruz.

Até.

10 comentários:

Diego Moreira disse...

E eu, que já sou frequentador constante, assíduo e diligente deste Buteco, digo, convicto, que fincarei ainda mais os meus cotovelos neste balcão.

Dá-lhe Zona Norte! Os descolados não passarão!

Claudio Renato disse...

Bom dia, Edu!

Sinceramente, apesar de ter nascido em Madureira, não gosto desse samba. Gosto, aliás, muito pouco do que o Arlindo Cruz faz.

Mas a idéia do Dá-lhe Zona Norte é excelente! Maravilhosa! Supimpa!

Lembro que o NorteShopping, há oito ou dez anos, lançou um livro muito legal intitulado "Zona Norte - um território da alma carioca", com depoimento de muita gente criada na zona setentrional. Lá, havia depoimentos de Carlos Heitor Cony, Nélida Piñon (Vila Isabel), Tiago Lacerda (Tijuca), Fernanda Montenegro, Sérgio Cabral, Guinga etc...E um, inesquecível do Aldyr Blanc, em que ele diz a frase antológica sobre Claudia Cardinali. "O sorriso da Cardinalli, ah o sorriso da Claudia Cardinalli, não existe nada mais Honório Gurgel..."

Eduardo Goldenberg disse...

Valeu, Diego! Esse balcão é mais subrubano muito por conta de sua presença constante! Abraço.

Claudio Renato: também tenho minhas ressalvas ao Arlindo Cruz - quem não as tem e quem não as merece? -, mas eu gosto bastante desse samba! Abraço.

Marcelo Moutinho disse...

Eu, também nascido em Madureira, ao contrário do Cláudio, adoro esse samba. E acho que seu maior valor é possibilitar a "adaptação" a outros bairros do subúrbio. Exemplo: o Fernando Molica, de Piedade, quando viu o Arlindo cantar no show do Império Serrano no Teatro Rival, me disse que ouvia os versos e, no refrão, se pegava imaginando que o Arlindo cantava "Piedaaaaaade", em vez de "Madureeeeira". Mais um registro: não sei se vc esteve lá, Edu, mas o Império, carro com São Jorge à frente, fez um belo desfile de ensaio técnico antes da Vila.

Bezerra disse...

Uma confissão: desde a primeira vez em que o ouvi, há mais de um ano, este samba me emocionou à beça. Como me emociona, aliás, até hoje. Explicações pra tanto? Não busco, não... Deixo a emoção rolar.

Claudio Renato disse...

Querido Moutinho, pra Vila Isabel não dá...Vila Isabeeeeeeel....Não rola. Para Engenho da Rainha, Engenheiro Pedreira, Oswaldo Cruz, Magno, Barros Filho...não dá.

Brincadeira. Tenho gente da minha família que ainda mora em Madureira e adora...Eu é quem não gosto, mas isso não tem importância.

Abraço!

Marcelo Moutinho disse...

Claudio, me refiro ao universo que o samba descreve e comenta, camarada. Grande abraço!

Eduardo Carvalho disse...

Eu gosto muito! E a melodia, então, é brincadeira...

Agora, ressalvas tenho também, é claro, mas gosto sempre de lembrar que o Arlindo Cruz começou a tocar (e a versar de improviso, no que é um craque - já vi) e tocou por vários anos com Antônio Candeia Filho. Então, é um puta de um aval!

É claro que depois entram as coisas comerciais e tal (que abomino), mas aí me lembro de que "a" pureza não existe... E aí, também (e lá vou eu com os devaneios), é um samba Arlindo + Mauro Diniz, que tem conhecimento de causa tb, e é filho do Monarco... Me faço entender, amigos?

Um abraço Edu, Cláudio e Moutinho!

Carlos Andreazza disse...

com todas as ressalvas que lhe faço, Arlindo Cruz é grande. Seu caráter [felizmente] popular, porém, não raro faz com que desagrade os puristas das rodas exclusivas, onde samba bom é aquele que ninguém conhece...

E viva Madureira, este grande bairro, que me recebeu [e recebe, sempre ] como se lá eu tivesse nascido.

Madureira também é o meu lugar...

Ah, e o ensaio do Império Serrano ontem... Eu, gripadíssimo, ouvi tudo, às lágrimas, no meu radinho, sintonizado na Tupi. Fabuloso!

Pra cima deles, Moutinho!

Claudio Renato disse...

Concordo com o Andreazza. Como são arrogantes esses "puristas das rodas exclusivas, onde samba bom é aquele que ninguém conhece..."

Eu fico com o Martinho, o Dicró, o Bezerra, o Monarco, Dona Ivone...