18.12.09

METRÔ RIO

Enquanto a população não for efetivamente mais firme (não vou defender aqui a destruição absoluta de todas as estações e um quebra-quebra sem precedentes na sede da empresa, na avenida Presidente Vargas, sob pena de ser acusado de incitar a desordem e o vandalismo) a sacanagem dos porcos que comandam o consórcio responsável pelo serviço metroviário na cidade do Rio de Janeiro vai continuar. Eu, que raramente uso o metrô (salvo durante a tarde, para locomoções ligeiras e fora do horário de pico), fiquei sabendo, há pouco, que a situação hoje pela manhã agravou-se agudamente: estações fechadas, intervalos entre os trens na casa dos sete minutos, superlotação nos vagões e, de asas abertas sobre tudo isso, o urubu-rei Sérgio Cabral que é incapaz de uma atitude a fim de favorecer a população carioca que se vale, diariamente, do metrô. Sob o comando da empresa CONCESSÃO METROVIÁRIA RIO DE JANEIRO S.A, CNPJ 02.327.817/0001-02, desde 19 de dezembro de 1997 (há doze anos, portanto), o consórcio adquiriu o direito de explorar o serviço metroviário durante 20 anos, assumindo, em abril de 1998, o controle do serviço de transporte público metroviário. Inicialmente, a concessionária tinha sob seu controle a administração e a operação do metrô, ficando as expansões da rede metroviária e aquisição de novos trens a cargo do Governo do Estado. No final de dezembro de 2007, a concessão foi renovada até 2038 (façam uma idéia da dinheirama envolvida na jogatina) e a concessionária assumiu a responsabilidade pela construção da linha 1A, que ligará a linha 2 à linha 1, acabando com a necessidade de transferência no Estácio, pela compra de 114 carros e construção das Estações Uruguai e Cidade Nova.

A bem da verdade, o que aconteceu foi o seguinte.

O metrô, que era de controle absoluto do Governo do Estado, era um transporte eficaz, eficiente, rápido, limpo e não havia, em qualquer de suas estações ou dependências, qualquer espécie de propaganda.

Depois da concessão, os responsáveis pelo troço começaram a encher o rabo de dinheiro vendendo espaço para propaganda nos próprios bilhetes (quando eram de papel), nos degraus das escadas de todas as estações, nas paredes dos vagões, nas paredes de todas as estações, no chão (no chão!!!!!!) dos vagões, no chão das estações e - esses sanguessugas não têm limite, vendem até a mãe! - os próprios trens passarem a ser cobertos com adesivos trazendo propaganda de tudo quanto é produto. Melhorar o transporte, efetivamente, e trabalhar para atender à demanda que não pára de crescer, é claro, nunca esteve na pauta dos porcos a que me referi.

Nada, rigorosamente nada acontece para reverter o quadro de cafetinização do metrô. A linha 2, que atende à população mais carente, tem trens constantemente sem ar-condicionado funcionado. Intervalos intermináveis. Leinha, que vai trabalhar lá em casa todos os dias vindo da Pavuna, conta que passa um tempo interminável nas filas que dão acesso à estação e até chegar ao Estácio passa o diabo dentro do trem. Meu caríssimo Marcus Handofksy, que se vale do metrô de Copacabana até ao Centro, passa sufoco diariamente por conta da superlotação e dos intervalos cada vez maiores entre as composições.

À moda babaca que pendura lençol branco na janela pedindo paz, que combina abraço à Lagoa pra sei-lá-o-quê, a população propôs um boicote ao metrô no final de novembro - como se fosse possível, pra grande parte dessa mesma população, recorrer a outro meio de transporte, ainda que por um dia. Não deu em nada, é evidente (só um beócio acreditou no êxito da medida). Medida babaca que - alguém duvida disso? - deve ter feito os poderosos gargalharem entre baforadas de charuto e apalpar de bolsos abarrotados de dinheiro.

Ou radicaliza-se ou vai ficar tudo como está.

Pau na canalha!

Até.

8 comentários:

Luiz Antonio Simas disse...

Assino!

Eugenia disse...

Eu ontem usei o metrô e pensei exatamente isso. Qdo fazia faculdade na UERJ, pegava trens lotados às 18 horas. Hoje, às 17h eles já estão lotados. Ontem fui esmagada da Carioca ao Estácio. Na volta, esperei 10 min por um metrô na linha 2. E ele ainda parou algumas vezes. Muito, muito ruim.

Bruno Ribeiro disse...

Desobediência civil já!

Marcelo Peixoto disse...

Barcas S/A é a mesma merda. Serviço sofrível e propaganda em tudo que é canto.
Sérgio Cabral faz um péssimo governo. Tenho nojo do secretário de transportes Júlio Lopes.

Claudio Renato disse...

Ainda vem esses babaquinhas dizer que é o Estado que é ineficaz...É a iniciativa privada destruindo mais um serviço essencial.

Flávio disse...

Por partes:

A concessão da supervia (trens urbanos) também foi prorrogada até 2038!

No metrô, a coisa vai piorar: o remendo que fazem ligando a linha 2 à estação Central vai acarretar no aumento do intervalo entre os trens.

O projeto original do metrô previa, para a linha 2, mais duas estações: Catumbi e Praça da Cruz Vermelha, terminando na estação Carioca, que seria semelhante à estação da Sé, em São Paulo

Mais aí destruiria o shopping, a faculdade instalade na estação Carioca...

Hildeval disse...

Meu caro Edu,
você está coberto de razão na sua, sempre, santa indignação com o pouco caso que as nossas "autoridades" tratam a maior parte (menos privilegiada) da nossa população. O Flávio matou a charada, o que está se fazendo, com este novo trajeto, é um arremedo de solução. Entre 1975 e 1977 fui estágionário, depois funcionário efetivo, da Cia do Metropolitano do Rio de Janeiro, e por ter sido lotado em divisões do então Departamento de Planejamento, nunca ouvi falar, nem em "radio corredor", desta linha alternativa. A linha dois seguiria até a estação Carioca e, aí sim, se faria a transferência para a linha 1, e por este motivo que a estação Carioca tem aquelas dimensões, justamento para suportar o grande afluxo de passageiros.
A concessionária atual, além de tudo, é mentirosa em sua propaganda institucional. No início de 2009 alardeou a compra de novos trens, prometendo a chegada em 2010. Nos últimos dias já vem anunciando que isto só ocorrerá em 2011. E o povo que se dane!
A grande verdade, Edu, é que determinados serviços (transporte, saúde, educação, etc) tem que ser atribuições do Estado, já que a primazia da iniciativa privada é o lucro, não importa como, nem o sacrifício da população.
Não se sinta peocupado em pensar que está incitando a desordem e a violência, porque fatalmente isto vai acontecer, mais dia, menos dia.
É histórico. Pergunte ao seu pai 9por exemplo) sobre as revoltas da população com os péssimos serviços prestados pelos responsáveis do serviço de barcas na baia da guanabara, lá pelos fins dos anos de 1950, início dos 1960. A estação das barcas da Praça XV chegou a ser incendiada, diante de tanto descaso.
A canadense Light, que fazia o serviço de bondes (eu sei, não é do seu tempo) e também muito mal, a cada aumento de tarifas tinha suas composições atacadas com fúria pela população já de saco cheio com seus péssimos serviços. E por aí vai...
Um abraço, companheiro!

Andrea disse...

Eu ando de metrô todos os dias. A mudança a cada dia para pior é gritante. Por algumas vezes tive que ir até Botofago (eu volto na Cinelandia) para conseguir entrar. Demanhã, na Saens Pena, antes das 7da manhã já está cheio. Não sei. Assim realmente tá ficando muito dificil.