18.1.10

G.R.E.S. MOCIDADE INDEPENDENTE DE PADRE MIGUEL 2010

O samba que apresento agora, da zona oeste da cidade, é, de longe, o mais animado. Não estou aqui julgando melodia, letra, poesia, nada disso - isso é papel para jurados mais tarimbados que eu, como o menino ex-morador do edifício Chopin, hoje morando na Gávea com seu companheiro, novamente chamado para ser componente do júri da LIESA, tão impoluto quanto a própria LIESA. Pelo andar da carruagem - do samba, melhor dizendo - os componente da Mocidade Independente têm tudo para sacudir a avenida. O samba é daqueles: é impossível ouvir sossegado. Porreta! Ei-lo:


"Eu voltei ao Éden
Paraíso de verdade
Serpente chega pra lá
Hoje eu quero é sambar com a Mocidade
O mal que você me causou
Pra que me infernizar
Chega de guerra e miséria
Sem trégua, nem légua
A idade média a se transformar

Entre lendas e mistérios
Preste João me inspirou a navegar
O bandeirante cobiçou
E o índio me levou ao eldorado de além-mar

Tudo o que eu puder sonhar
Vou realizar agora e sempre
E se tentar me taxar
Mando depositar em outro continente
Do éden ao paraíso da loucura
Ninguém sabe quanto é o que se procura
Hoje o povo quer felicidade
No paraíso da igualdade e liberdade
Estrela faz o meu sonho mais real
Sacode a Sapucaí
É carnaval

Meu coração vai disparar, sair pela boca
Não dá pra segurar, paixão muito louca
Luz independente me leva pro céu
Sou Mocidade, sou Padre Miguel"


Até.

29 comentários:

ricardo disse...

Fala sério Edu....
Esse samba parece até samba de bloco de embalo!!!!

Eduardo Goldenberg disse...

Ricardo: por isso mesmo!

ricardo disse...

....então não é samba-enredo!!!
Pode ser qualquer coisa, menos samba-enredo.

Claudio Renato disse...

Edu,

É muito animado; deve pegar na avenida. Mas nada que se compare à obra-prima de Martinho da Vila.

Eduardo Goldenberg disse...

Ô, Claudio, meu caro... e alguém aqui teceu alguma comparação?! Hoje o povo quer felicidade! - e eu tô dentro disso! Abração.

Marcelo Moutinho disse...

Este eu acho ruim, muito ruim. Mas o pior mesmo é o da Portela.

Carlos Andreazza disse...

Marchinha animada. Pode funcionar.

O samba do Martinho, o mais supervalorizado da história do carnaval, é razoável na primeira parte, e assim permanece no refrão central, tombando para constrangedor na segunda parte - com destaque para o "chororô" que rima com "ô-ô-ô". (Destaco essa, mas há outras rimas clássicas para um boi-com-abóbora)...

Tenho a maior boa-vontade com esse samba, fiz de tudo para gostar - afinal, é Martinho compondo [para a Vila!] em homenagem a Noel -, mas não deu. (E não vou nem entrar na questão política, do Martinho se curvar para o bandido que tanto criticava; o que terá mudado, hein)? (Nada que um concurso vergonhoso não resolva)! (E nem vou comentar o fato deste samba ser "plágio" de um outro, do próprio Marinho, mas com o Gracia - a quem fez sumir da parceria)...

Bom é o samba da Imperatriz, com Dominguinhos - o maior.

Terríveis são, entre outros, os da Grande Rio e da Portela: a primeira vencerá o carnaval, está decidido; a segunda, apresente o que apresentar, voltará no sábado das campeãs, desta vez com o vice campeonato - para o orgulho do padrinho Eduardo Paes...

Eduardo Goldenberg disse...

Está registrado, Andreazza, embora - registre-se também - há anos você anuncie a vitória da escola de Duque de Caxias - que não acontece. O samba da Portela é triste - e de fazer a águia andar de quatro. Quanto ao Martinho, há coisas ainda a serem reveladas sobre o samba, é o que espero. Abraço.

Carlos Andreazza disse...

O que eu anuncio há anos, Edu [e fico feliz em te ter como tão antigo leitor; a recíproca é verdadeira], é o fim do carnaval das escolas de samba como nós - eu e você, estou certo - conhecemos e gostamos.

O título da Grande Rio talvez apenas esperasse uma oportunidade grotesca como esta de 2010: o enredo apocalíptico sobre o camarote da Brahma...

Abraço!

Eduardo Goldenberg disse...

Mas é justo por conta do enredo - podre, asqueroso, com um samba-enredo absolutamente inacreditável! - que ainda não será em 2010. Aposto com você. Com o refrão mais grotesco dos últimos anos - "Grande Rio, eu sou guerreiro / Sou brasileiro e faço meu ziriguidum / Vibra arquibancada, explode / O camarote nº1" - a escola vai, no máximo, fazer o coração da Suzana Vieira ir a mil - se é que me faço entender. Abraço.

Carlos Andreazza disse...

"Quando a sirene tocar", né?

ricardo disse...

Dileto Goldenberg,

entre no site "apoteose.com" e clique no link "download" e vc encontrará verdadeiras obras-primas das escolas de samba do Rio de Janeiro.

Eduardo Goldenberg disse...

Meus caros: vamos devagar com o andor, que o santo é de barro e o Martinho é patrimônio de nós todos. Como o conheço pessoalmente, prometo correr atrás de sua versão para isso tudo. Abraços.

Carlos Andreazza disse...

Pede para ele explicar o desaparecimento do Gracia da parceria, Edu. (Ou será que ele não admitirá que reaqueceu um outro samba)? E pede para ele contar sobre a relação com o Moisés, a quem atacava até outro dia, com os mais desonrosos adjetivos, e que agora - de repente - virou "O Cara". Por quê?

Abraço!

Carlos Andreazza disse...

Aliás, o Martinho é engraçado: dizia que o carnaval estava acabado, que a Vila fora vendida, que era controlada por "alienígenas" etc. - isso quando perdia as disputas de samba-enredo, claro. Agora, quando vence um concurso muito estranho [chegou-se a cogitar não realizá-lo, que se entregasse o samba para o Martinho etc., mas, diante da grita, houve um recuo, e então se organizou uma disputa de carta-marcada, que, de forma sintomática, não contou com o multi-vencedor André Diniz, que claramente não quis entrar em páreo viciado], anda pra cima e pra baixo com Moisés, de súbito um grande presidente!, aquele a quem acusava de corromper a Vila Isabel. Muito feio.

Carlos Andreazza disse...

Martinho: "Tanto para criar o enredo como o samba eu me inspirei numa música que eu fiz em parceria com o saudoso Gracia, meu compadre. Adaptei apenas algumas palavras, de minha autoria, que havia colocado na música Presença de Noel. Não usei nem uma nota da melodia do Gracia".

Em tempo: o samba de fato é "Presença de Noel", de Martinho da Vila e Gracia do Salgueiro, e está no disco "Butiquim do Martinho"; quem canta é Fabiano, seu neto.

E... a melodia é a mesma!

Um escândalo.

Carlos Andreazza disse...

Olha aí, Edu, o samba plagiado... Nada contra a preguiça do grande compositor; mas, pô, e o Gracia, o compadre!? (Que compadre)...


http://www.4shared.com/file/124927121/f11f950f/09_Presena_de_Noel_-_Feitio_da.html?s=1

Marcelo Moutinho disse...

Martinho é genial. Mas é triste, muito triste, vê-lo tomando chope com um ex-torturador, hoje braço direito de Capitão Guimarães, como se nada tivesse acontecido. É realmente triste (o que náo invalida sua extraordinária obra, na qual, se incluem no mínimo dois sambas-enredo superiores ao atual: "Pra tudo se acabar na quarta-feira" e "Raízes").

Olga disse...

Edu, já que você tem a possibilidade de conversar com o Martinho, pergunte mesmo a ele sobre estas questões. E relate por aqui, por favor. Como fã, da obra e muito da pessoa Martinho da Vila, de verdade, me sinto bastante desconfortável com o que venho lendo a respeito. E já que é para me desiludir, que a desilusão, ao menos, seja bem fundamentada.

Eduardo Goldenberg disse...

Olga: justo porque o conheço, justo porque tenho por seu trabalho profunda admiração e gratidão por tudo o que ele já fez, não por mim, mas em troços que me envolveram (foi enredo de meu bloco de Carnaval, presente a todos os ensaios e ao desfile, evidentemente, foi quem me convidou para jantar, em sua casa, com Leonel de Moura Brizola, um dia desses conto essa história aqui..., foi quem me convidou para desfilar a seu lado, na ala do MST quando a Vila Isabel homenageou o Niemeyer) é que vou conversar com ele - não vou entrevistá-lo (embora pense, ainda, em fazê-lo aqui para o blog) nem colocá-lo contra a parede. Se o assunto surgir e se ele quiser falar, ótimo. Nesse caso, e nesse específico caso, não o julgo. Espero que você entenda. Acho que, mais que o Martinho, deveria ser ouvida (e aí não posso ajudar...) a família do Gracia do Salgueiro - diretamente interessada na coisa. Um beijo.

ricardo disse...

Goldenberg,
parte da familia do Martinho moram no mesmo endereço de parte da familia da minha esposa (o terreno é divido entre as duas familias) lá em Curicica. Não acredito nessa hipotese de samba plagiado do próprio autor....

Eduardo Goldenberg disse...

Ricardo: não se trata de acreditar, meu caro. Vários versos do samba-enredo são os mesmos de um samba antigo do Martinho em parceria com o Gracia. Como e por quê deu-se o imbróglio, é que não se sabe. Abraço.

Olga disse...

Edu, entendo a sua posição. E respeito. Mas acho que seria muito bom, principalmente pro Martinho, se ele esclarecesse essas questões, porque um artista do tamanho dele não pode se deixar macular dessa forma. É o que eu penso. E não há aqui nenhum julgamento.

E o Simas colocou muito bem essa questão da família do Gracia, lá no Histórias.

Martinho e Brizola juntos, nem saberia onde colocar as mãos, se estivesse presente.

Eduardo Goldenberg disse...

As mãos?! Como assim, dona Olga?

Olga disse...

Quer dizer que eu ficaria tímida diante dos ídolos, não à vontade, somente isso. É uma figura de linguagem, ora pois, pois, seu Edu!

Carlos Andreazza disse...

Considero este samba - do Martinho - fraco. Como obra, como samba-enredo - valor absoluto. (E insisto: é o mais supervalorizado da história do carnaval, ô-ô-ô).

As demais questões, lamentáveis, não influem na audição - e permaneceriam lamentáveis se o samba fosse excepcional.

Abraço a todos e bom feriado!

Eduardo Carvalho disse...

Edu (e note que ando comentando tudo atrasado, dada à insuportável semana que estou tendo, sem tempo):

deste (Mocidade), não gosto. Aliás, dói meu coração portelense, mas tenho que dizer que a Portela conseguiu o que parecia impossível em relação ao que já vinha se esmerando pra conseguir nos últimos três anos: ter, neste 2010, o pior samba-enredo de sua história. E que só não é o pior do carnaval, em todos os tempos, porque uma vez (89, acho), a Mangueira fez aquele do Chico Recarey...

E, claro (nunca é demais dizer), viva o Martinho (canalhas que estão na escola há tempos à parte, viva ele)! Mil Vilas desse jeito (com os cretinos, mas com Martinho e um samba dele - é dele!) a ter meia Grande Rio que seja por aí... Atentemos: a pureza não existe.

Abraço.

Marcelo Moutinho disse...

Edu, meu querido, a pureza não existe, é fato. Vá lá que o Martinho, o grande compositor, concorresse na sua Vila por amor, ignorando os canalhas que lá mandam hoje. Ok. Mas daí a dividir chope em mesa de bar, daí a subitamente virar parceiro de um ex-torturador, vai um longo espaço. Ou deveria ir. Lembras do poema? Primeiro pisam no nosso jardim e não dizemos nada...

Eduardo Goldenberg disse...

Olha, franca e sinceramente, está ficando nojento assistir aos ataques ao Martinho da Vila. Rigorosamente sem sentido, sem propósito e com um cheiro insuportável de rancor inexplicável.