27.1.10

MARTINHO DA VILA NO SEGURA

Vamos mudar o rumo da prosa com relação ao imbróglio Martinho da Vila (aqui) já que não vamos, mesmo, chegar a lugar nenhum. Ainda mais depois que o troço descamba - como tem sido costumeiro aqui no BUTECO - pro deboche. Quero hoje lhes contar sobre outra história, também envolvendo o caboclo Martinho José Ferreira, vinho das melhores pipas.

Organizei, junto com diversos amigos, entre 2001 e 2005, o bloco SEGURA PRA NÃO CAIR que - sem modéstia alguma - mostrou ao que veio. Em 2001 homenageamos Noel Rosa. Em 2002, Beth Carvalho. Em 2003, Martinho da Vila, em 2004, Aldir Blanc e em 2005, João Bosco. Todos os homenageados, incluindo Noel, se fizeram presentes não apenas nos ensaios, mas nos desfiles também. Nos cinco anos de desfile, a nos acompanhar, a bateria da UNIDOS DE VILA ISABEL comandada pelo Mestre Mug - sendo que no último ano - tomem nota, tomem nota! - a bateria veio com mais de 50 integrantes!

Aqui, neste texto de 2005, conto um bocado da história do bloco. Bloco que, diga-se, não morreu, apenas deixou de desfilar (e pra bom entendedor, meia-palavra basta). Sua bandeira, confeccionada pelas mesmas mãos que confeccionam estandartes e bandeiras das maiores escolas do Rio de Janeiro, está plantada, como assentamento, no buteco que mantenho em casa. Depois do sucesso de 2005, quando mais de 5 mil pessoas se espremeram pelas pequenas ruas de Vila Isabel (o trajeto era saindo da Ribeiro Guimarães, dobrando à esquerda na Dona Maria, à esquerda na Almirante João Cândido Brasil e novamente à esquerda na rua dos Artistas), foi impossível continuar com o furdunço. Mas valeu - quero repetir. Foram cinco desfiles emocionantes, empolgantes, sob o melhor regime para os blocos de carnaval: a ditadura absoluta no que pertine à "escolha" do samba. Nos cinco anos o samba foi da mesmíssima parceria: eu, Edmundo Souto, Mariana Blanc e Fernando de Lima (a mesmíssima parceria que ganhou, por seis anos seguidos, o carnaval do BARBAS).

Em 2003 nosso homenageado foi o Martinho. E é sobre isso que quero lhes contar.

Na foto abaixo, Fernando de Lima, Edmundo Souto, Martinho da Vila, esse que vos escreve e, no canto à direita, Gabriel Cavalcante.

Fernando de Lima, Edmundo Souto, Martinho da Vila e Eduardo Goldenberg, tendo ao fundo, à direita, Gabriel Cavalcante

Em novembro de 2002 fui à casa do Martinho, ainda numa vila em Vila Isabel, convidá-lo pessoalmente para o desfile do SEGURA, para lhe contar sobre nossa pretensão. Derrubamos, naquela noite, uma garrafa de Black Label. E o Martinho, devagar, devagarinho, foi deixando de lado a timidez e a modéstia do começo da conversa para depois aceitar, orgulhoso, a homenagem que lhe prestaríamos.

E quero lhes dar o testemunho: Martinho foi, do princípio ao fim, um homem rigorosamente simples e acessível. Foi à quadra da escola quando o jornal O GLOBO TIJUCA marcou uma fotografia para a capa de uma de suas edições. Foi a um dos ensaios do bloco, quando cantou por mais de uma hora, acompanhado pelos músicos que, graciosamente, pintavam na área. E foi ao desfile, quando também cantou, antes do bloco sair, diversos de seus sambas de enredo.

Terminado o desfile do bloco, Martinho sentou-se no ESTEPHANIO´S, bar que ficava na esquina da Ribeiro Guimarães com Artistas, e autografou camisas, discos, posou para fotografias, sempre com aquele sorriso que o caracteriza estampado no rosto.

Tenho - faço a confissão pública - uma tremenda saudade do SEGURA, um genuíno bloco carioca: sem a papagaiada da escolha de samba, sem cordão de isolamento, sem patrocínio castrador e sem a pretensão de abafar ninguém.

Até.

13 comentários:

Luiz Antonio Simas disse...

Em compensação, ao contrário do grande Segura, o que tem de bloco no Rio hoje que continua desfilando mas já morreu...
Os desfiles do Segura foram, fácil, furdunços dignos do melhor carnaval de rua carioca.

Evoé!

Eduardo Goldenberg disse...

Verdade, Simão! E pensar que você, como já conversamos, estava sempre lá, na área, quando ainda nem sonhávamos em nos conhecer. Evoé, querido!

Marcelo Moutinho disse...

Estou assustado com a foto do Gabrielzinho. Cadê a outra metade do rapaz?

Alexandre Luiz disse...

Edu, eu estava pra te perguntar se era você no Segura. Mas faria isso pessoalmente.
Frequentei todos os ensaios e desfiles do bloco e ao encontrar seu blog - há cerca de três anos - achei que te conhecia.
Grande bloco!!
Tento com meus amigos levar esse espírito para o Perereca Imperial.
Nosso desfile será no domingo dia 07/Fev. Se puder comparecer, fica o convite.

Eduardo Goldenberg disse...

Moutinho: e pra mim... você não vai perguntar nada?! Abraço.

Alexandre: eu mesmo. Em carne, banha e osso. Abração.

Marcelo Moutinho disse...

Edu: no seu caso, chamam atenção as madeixas, hoje aparadas. Mas na foto só tem 1/2 Gabriel!

Marcelo Moutinho disse...

Infelizmente, parece que não há como evitar o gingantismo dos blocos, né? O único que lida bem com isso - ou ao menos lidava - é o Bola.

Eduardo Carvalho disse...

Edu,

quero registrar que no desfile de 2005 (e não sabíamos que seria o último), em homenagem ao Josão Bosco, estávamos lá, Renata e eu. Indescritível.
Espero estar enganado (vou até procurar de novo), mas, salvo engano, a camisa daquele ano, autografada pelo João, foi completamente manchada numa lavagem pouco cuidadosa da secretária do lar da de casa... (risos)...

Abraço.

Eduardo Carvalho disse...

Moutinho, a outra metade do querido Gabrielzinho, no momento da foto, devia estar no Nem Muda...

Abs.

Eduardo Goldenberg disse...

Pois é, Edu, e foi justamente o desfile mais emocionante. Como se não bastasse o envolvimento do João, que alugou dois ônibus que saíram de sua casa, na Gávea, onde ele organizou uma festa que começou de manhã, levando mais de 100 amigos pra Vila Isabel, foi quando ele e Aldir (presente ao desfile!) cantaram juntos pela primeira vez depois de muito anos, numa daquelas esquinas. Tenho tudo gravado em vídeo, dia desses marcamos de vermos todos juntos. Um forte abraço.

Isaac disse...

Du , vale o comentário de que com todo o tamanho do SEGURA , jamais houve uma briga no bloco !!!

Claudio Renato disse...

EDUARDO, SIMAS E CÂNDIDA,

FOI MASSA!!!! A VILA É MASSA!!!

CHOREI COMO UMA PORRA, COMO DIZEM MEUS AMIGO BAIANOS, ESCONDIDO...

VENDO A VILA PASSA!!!

VOCÊS SÃO MASSA!!!!!!!!!!!!!!!!!!

AOS QUARENTA A MIL disse...

Grande Fernando Lima!