5.1.10

SINFONIA SACOPENAPÃ

Em 1998, eu que já freqüentava o extinto BAR DA DONA MARIA, na rua Garibaldi, e o bloco carnavalesco NEM MUDA NEM SAI DE CIMA, fundado por Aldir Blanc, Moacyr Luz e outros malucos do bairro da Muda, recebi um telefonema do compositor Edmundo Souto. O NEM MUDA NEM SAI DE CIMA homenagearia, no ano seguinte, 1999, o já saudoso compositor Paulo Emílio da Costa Leite, parceiro de Aldir, de João Bosco, de Marcelo Lessa, de tantos outros, em clássicos como COBRA CRIADA e SUDOESTE, só com João Bosco, COISA FEITA, LINHA DE PASSE e NAÇÃO, com João Bosco e Aldir Blanc, NO MESMO COLAR, com Moacyr Luz e Aldir Blanc, VALSA DO MARACANÃ, só com o Aldir e AZULÃO e LÁPIS DE COR, com Marcelo Lessa, esse último o verdadeiro hino da Tijuca, como lhes contei aqui.

O Edmundo havia procurado o Aldir para letrar um samba pra entrar na disputa do NEM MUDA, como é carinhosamente chamado. O Aldir, impedido por ser um dos fundadores do bloco (e anos depois essa restrição foi por água abaixo), que na época mantinha comigo o site SENTANDO O CACETE na grande rede (escrevíamos na companhia de Fausto Wolff, Fernando Toledo, Mariana Blanc, Mauro Rebelo e Mello Menezes), sugeriu meu nome ao Edmundo que, confiando no taco do bardo tijucano, bateu o telefone pra mim. Éramos, eu e o Edmundo, sem que soubéssemos disso, vizinhos na Lagoa, onde eu morei, exilado, por cinco anos, entre 1994 e 1999. Marcamos um chope num dos quiosques recém-inaugurados, o Edmundo me levou a fita com a melodia e dia depois entreguei a ele a letra do samba que, defendido pelo Paulinho Mocidade durante as eliminatórias da escolha do hino do NEM MUDA de 1999, acabou vitorioso. Lembro-me, emocionado, de um dos refrões, que dizia:

"O céu abraça a Terra engalanada
deságua o rio na Maria
Quando eu quiser morrer depois do porre
Paulo Emílio nos socorre"


O Edmundo me confessou, logo depois de nossa vitória, que foi cabreiro atrás de mim, que jamais havia letrado sequer cantiga-de-roda, pedindo uma espécie de desculpas intempestivas pela desconfiança.

O fato é que, pouco depois disso, o Edmundo voltou a me procurar (fomos, logo em seguida, campeões do samba do BARBAS por seis anos seguidos, na companhia de dois novos parceiros, Fernando de Lima e Mariana Blanc). Ele tinha acabado de conseguir um financiamento da PETROBRAS para pôr em prática uma idéia que acalentava há anos: escrever uma espécie de sinfonia em homenagem à Lagoa Rodrigo de Freitas.

Queria, um dos compositores de ANDANÇA, uma das canções brasileiras mais gravados pelo mundo, que eu letrasse a canção que abriria e fecharia a sinfonia - a SINFONIA SACOPENAPÃ (vejam mais sobre o projeto aqui).

A sinfonia foi composta por Edmundo Souto em parceria com Danilo Caymmi, Bororó Felipe, Paulinho Tapajós, Sérgio Natureza e Paulinho Feital, entre outos.

Nossa música chama-se SACOPENAPÃ, que é o nome original da Lagoa Rodrigo de Freitas e que significa "o caminho dos socós".

A apresentação da sinfonia foi ao ar livre, em 06 de março de 2004, em frente ao Corte de Cantagalo, na Lagoa, evidentemente.

Foi emocionadíssimo que assisti minha mais-que-querida Beth Carvalho abrindo e fechando a apresentação cantando SACOPENAPÃ, cuja gravação, feita ao vivo, exibo hoje, orgulhosíssimo, no balcão imaginário do BUTECO.

Até.

Um comentário:

Olga disse...

Que beleza, Edu!