29.1.10

A VILA NA 28 DE SETEMBRO

Nenhum de nós, ali, bebeu com Nöel ou foi com ele ao bordel. Mas tínhamos todos a intenção, lúdica, imaginária e efetiva de estarmos próximos do poeta da Vila, da energia da VILA ISABEL, que promete fazer baixar o malandro na avenida no desfile de 2010. E ele baixou, meus poucos mas fiéis leitores, já no ensaio de quarta-feira passada na 28 de Setembro, coração do bairro. Encontrei-me com Luiz Antonio Simas, sua Candinha e Claudio Renato, diplomado naquelas pedras das calçadas musicais, morador da Praça Sete, por volta das 20h, no PETISCO DA VILA, na esquina da 28 com a Visconde de Abaeté, a fim de preparamos o músculo do lado esquerdo do peito pra pedrada que - sabíamos - estava por vir.

Luiz Antonio Simas, Candinha e Claudio Renato, PETISCO DA VILA, 27 de janeiro de 2010

Ficamos ali coisa de - o quê? - uma hora, uma hora e meia, até que a bateria começou a fazer barulho, sabem como?, aperta o couro daqui, afina a cuíca dali, esquenta os tamborins, que foi quando pedimos a conta e partimos pra avenida.

Encontrei uma porção de amigos, encontrei minha comadre, encontrei com a rapaziada do morro dos Macacos, do Pau da Bandeira, com a rapaziada que durante anos foi responsável pelo suingue do SEGURA PRA NÃO CAIR, bloco que mantive por 5 anos, entre 2001 e 2005, ali pertinho, na Vila mesmo, limite com a Tijuca.

Quando Tinga, puxador oficial da escola, começou a cantar "Tão bonita a nossa escola, é tão bom cantarolar...", foi difícil segurar a emoção. Quando a bateria, sob o comando do mestre Átila, entrou pra acompanhar o povo, foi ainda mais difícil. E foi impossível, meus poucos mas fiéis leitores, segurar o choro e a emoção quando milhares de vozes louvaram Nöel Rosa com o samba monumental de autoria do Martinho da Vila pro Carnaval de 2010.

Eu vi a Candinha chorando, eu vi o Simas com lágrimas nos olhos, eu vi o Claudio Renato indo chorar sozinho, na esquina mais próxima. E vi - e filmei! - o que eu havia lhes contado aqui que eu veria... "(...) os apartamentos dos prédios ficam todos acesos com gente na janela, bandeiras azuis e brancas tremulando nas mãos dos moradores orgulhosos e a energia da nossa Vila Isabel mexe com o coração do mais frio dos homens.".

Sou da Vila não tem jeito, comigo eu quero respeito que o meu negócio é sambar!

Com vocês, quatro vídeos feitos durante o furdunço, com destaque pro último, onde aparece um senhor, cabelos brancos, copo de cerveja no parapeito da janela, fazendo tremer dois pequenos pavilhões dessa gigantesca escola de samba!




Até.

9 comentários:

Cazé disse...

Minha irmão morou um tempo na Visconde e, infalivelmente, eu e meu cunhado - que já está nos braços de Noel (ô saudade!)- bebíamos o Petisco toda vez que eu ia visitá-los. O interessante é que,em alguns ensaios da Vila, eu me programava para dormir na casa dela e nunca consegui esse feito!
O clima era tão bom que,sempre quando o dia amanhecia, estávamos nós, remanescentes,em algum dos (ótimos!) butecos da área, comemorando mais um dia.
A Vila é a Vila! Salve Noel! Salve Martinho!

Carlos Andreazza disse...

É a bateria do Império Serrano?

Juro que há, ao menos, uma intenção... Inegavelmente, muito boa. (Nem parece aquela embolada do Mug que desfilou em 2009).

Claudio Renato disse...

Edu,

Chorei, chorei...Mas você não viu, não...

Rapazes, eu entendo: deve ser muito dificil perder o mestre Átila num momento tão delicado...

Mas o Império Serrano vai superar isso!

E todos poderemos juntos chorar de alegria!

Crenato, de Casemiro de Abreu

Eduardo Carvalho disse...

Edu, fantástico!!!

Como fantástico também foi ontem o Nem Muda, não foi?, onde fiz a minha estréa com a camisa do Simas.

E tudo sem pitboys descamisados e com muitos barrigudos, famílias, e moradores orgulhosos nas janelas... Com a sua licença, xará (e bebemos bem ontem, hein!), tal qual um puxador de samba, permita-me dizer: "Obrigado, Tijuca!".

Abs.

Eduardo Goldenberg disse...

Por isso, Edu, que decidimos - eu e Simas: bloco, esse ano, só na zona norte! Abração, grande tarde a de ontem. Beijo na Renata Pittbull!

Carlos Andreazza disse...

Ih, rapaz, a bateria do Império está ainda melhor - e não tem erro. (Não é no ritmo que devemos lamentar). O Império não precisa de mestre. Ainda bem que o Átila foi fazer um dinheiro na Vila... O que me impressiona, de verdade, é o surdo-de-terceira: podiam ao menos fingir um pouco de Vila...

Casé disse...

Mesmo se demorar um dia atravessando a Marquês de Sapucaí e perder todos os pontos possíveis, a Vila já é a campeã do carnaval.
Pura emoção !!!

Claudio Renato disse...

Casé, prazer!

Olha, bem disse o Eduardo Carvalho, leitor assíduo deste blog e autor de outro maravilhoso, o "Samba, boemia e vagabundos":

A Vila já é a emoção do carnaval. Não importa se ela chegue em primeiro, em segundo...Não importa a colocação.

É Martinho, é Noel, é Vila Isabel.

E o próprio Goldenberg nos disse, pessoalmente, no Petisco da Vila: "Todo o carioca de verdade, este ano, está torcendo para a Vila Isabel ser campeã."

Abraço!

Casé disse...

Claudio Renato, o prazer é todo meu.

É Martinho, é Noel, é Rio de Janeiro e é a Vila Isabel.

Será difícil segurar a emoção. E nem Vila eu sou.

Abraço!