8.4.10

AS REDES SOCIAIS ARRANCAM AS MÁSCARAS DE SEUS USUÁRIOS

Uma das frases que mais ouço por aí, e a ouço de amigos meus ou de pessoas muito próximas a mim, é:

- Edu, se eu fosse comprar todas as suas brigas...

Dito isso, vamos ao que quero lhes dizer. Não brigo, exatamente, com ninguém. Tenho, apenas, o hábito (se é ruim ou não sou outros quinhentos) de manifestar minha opinião sobre tudo o que me cerca, e sobre tudo mesmo, tudo de bom ou tudo de mau. Sou, como já disse Aldir Blanc (e talvez isso tenha sido combustível para meu modus operandi), um polemista (não por outra razão, penso, escolhi ser advogado e é advogado e advogando que quero morrer; não quero julgar nem quero cargo público algum, quero advogar, defender meus pontos de vista, meus direitos, e os pontos de vista e os direitos de meu clientes). Então vamos lá, em frente.

Eu lhes disse, aqui, que fiquei muitíssimo bem impressionado com a força das chamadas redes sociais durante a segunda-feira e a terça-feira, dias em que a maré ficou braba aqui no Rio de Janeiro. Dando um banho nas mídias tradicionais (rádio, TV, jornais...), dando um banho no poder público (Estado e Município), as redes sociais foram verdadeiros portos de salvamento para a população do Rio de Janeiro, atônita diante da falta de informação que chegava, numa velocidade impressionante, através das mídias alternativas. O TWITTER, precipuamente, mostrou-se sensacional, utilíssimo, ferramenta fundamental para a sociedade civil que dessas redes se utiliza.

O professor Diego Moreira, por exemplo, que deu e dá um banho de informações para quem o acompanha (aqui), tem falado com muito mais propriedade que eu sobre a força dessas novas mídias. E foi justo no TWITTER que, hoje pela manhã, tomei conhecimento de um troço impressionante, tão impressionante quanto assombroso - vou lhes contar o que foi.

Antes, uma breve explicação.

Não sou inimigo do compositor Moacyr Luz, por mais que os bombeiros de plantão, que fingem apagar incêndio usando gasolina, pensem assim. Sou profundo admirador de seu trabalho como compositor, e friso sua atividade que me comove pois acho lastimável o que o compositor escreve quando dá de escrever livros ou resenhas para todo o tipo de veículos (um dia, quem sabe, debruço-me sobre o porquê disso). Conheço Moacyr Luz há mais de quinze anos, já desfrutei de intenso convívio com o caboclo mas diversos fatores contribuíram para que hoje eu não mereça sequer um aceno de cabeça de sua parte. Também não sou inimigo de Cora Rónai - a quem não conheço -, dizem que uma craque no assunto tecnologia e que, sabe-se lá a razão, foi alçada, há tempos, à categoria de cronista do jornal O GLOBO, onde seu sobrinho é um dos mandachuvas. Tomaram nota? Vamos em frente.

A coluna da citada Cora Rónai de hoje, em O GLOBO, com sói acontecer, é rigorosamente dispensável. Valendo-se do poder que lhe é concedido, aproveita para fazer o jogo da tucanalhada e bater na candidata (minha candidata) Dilma Roussef. A mesma mulher que escreveu, dia desses, uma das maiores barbaridades que jamais li sobre o conflito entre palestinos e israelenses - “Por ser um país desenvolvido cercado de vizinhos em diferentes estágios de “civilização”, Israel paga, guardadas as devidas proporções, o preço que a classe média paga, no Brasil, em relação às comunidades carentes” - volta ao jornal hoje para dizer, no final de seu texto, "Cariocas, recortem esta foto. Guardem. Os que querem emagrecer podem até colar na porta da geladeira, porque dá engulhos e tira o apetite. Mas, sobretudo, lembrem-se dela no dia das eleições. É isso que dona Dilma acha que o Rio merece.". Refere-se, a colunista, à fotografia que estampa sua coluna Dilma Roussef ao lado de Anthony Garotinho, parecendo desconhecer que, dentro do sistema vigente no Brasil, a política partidária obriga quem quer chegar ao poder a tecer alianças que não são alianças envolvendo necessariamente objetivos outros que não o êxito eleitoral. Por que - eis uma primeira pergunta - a "esnobe, fútil, elitista, arrogante e reacionária" senhora, na manifesta visão do professor Diego Moreira (aqui), por que a "coleguinha de imprensa das mais lamentáveis", na visão manifesta do jornalista Bruno Ribeiro, não se impressiona com essa foto (Gabeira de mãos dadas com Zito), com essa foto (José Serra empunhando uma arma) ou com essa foto (José Serra com Arruda) - sugeridas por Leo Boechat - aqui - para ficarem na geladeira de Cora Rónai -, ou mesmo com esse video, no qual José Serra pede votos para o mesmo Arruda?

E se de Cora Rónai eu não poderia mesmo esperar coisa diferente (eis que sempre a serviço da elite que odeia o povo brasileiro), choquei-me quando li o compositor Moacyr Luz referindo-se a ela, no TWITTER, como "nossa porta-voz". De quem, cara pálida?

Aproveitando a onda de passear pela rede, vejo que Bruno Mazzeo (aqui)- que também rasgou elogios à Cora Rónai - disse ter medo de Dilma Roussef (já vimos esse filme estrelado pela Regina Duarte, não?). Uma outra moçoila, Eliane André, que pode ser lida aqui, por conta de minhas críticas, disse, sobre mim, que "o céu da Tijuca todinho podia cair sobre as cabeças babacas". Disse mais (estou corrigindo seus erros de português): "Você é escroto pra caramba, né? Que barato lhe dá? Você é feliz assim? Se for, vai fundo!". Pausa para responder à moça: escroto é o que eu tenho entre as pernas; e quanto a ser feliz, sou. A coerência que me norteia me faz dormir, diariamente, com a consciência tranqüila.

Creio, piamente, que não se pode servir a dois senhores ao mesmo tempo.

O convívio - é evidente - é plenamente possível, mas sem essa lambeção de botas, sem esse adular permanente em busca de luzes sobre si mesmo.

Vai daí que não quero - mesmo - que ninguém "compre minhas brigas", como dizem os mais - digamos - moderados. Quero, apenas, dizer o que penso e fazer registro disso. É infinitamente mais forte do que eu esse ímpeto que me move a tomar posição, sempre.

É por isso, e para isso, que escrevo hoje.

Até.

P.S.: quatro comentários pinçados do blog de Cora Rónai que mostram com perfeição de quem ela é "porta-voz", como disse o compositor (tomem nota!):

01) por Eliane André, a que me agrediu gratuitamente, como mostrado acima: "Cora, querida! Lucidez! Isso é o q nos falta!!! Educação! Como mulheres, mães, empresárias, cidadãs!!! Sabemos q um fio de cabelo entope a pia de nossos banheiros. Uma panela de óleo de fritura, a dona de casa não joga na pia da sua cozinha, para não entupí-la! Joga no ralo...... q vai pro esgôto e depois pros rios, lagos e contamina o lençol freático de forma irreversível ! Uma bituca de cigarro, um papel de bala ou não importa q coisa jogada na rua, entope bueiros, e contribui de forma direta para as enchentes, q são visíveis e destróem o patrimônio de todos nós!!!! E a destruição maior de todo o nosso meio ambiente????? De todo o nossa planêta??? Isso não é visível de forma imediata, mas pagaremos. Nós, nossos filhos e netos com moeda muio forte........ Enquanto não soubermos cuidar de nossos semelhantes e do nosso entôrno como cuidamos de nossas casas e dos nossos queridos, estaremos em risco. Isto significa também termos consciência do poder do nosso voto, lutando para q ignorantes não tenham o direito de nos representar na vida pública! Nós, anônimos, contamos com pessoas como vc, Cora Ronai! Para falar, gritar e gritar muito alto por todos nós! Obrigada Li"

02) por Mônica Arantes (notem como ela se refere ao Presidente da República): "EXCELENTE texto! Disse tudo, parabéns! Copiei e mandei pra muitas pessoas. Não devemos esquecer essa cara de boneco assassino junto com o boneco gordão na hora da eleição. O garotão quer voltar. Possivelmente animado com o fato da esposa ter conseguido se eleger em Campos. Não vi a cara do governador nessa chuvarada. Ele estava mesmo por aqui? E a creche que o Mula vinha inaugurar não abriu porque ele não inaugurou??? Vamos ficar de olho! Parabéns!!!"

03) por Paulo Afonso (esse pensa como o Moacyr Luz): "Cora, Você é o orgulho de todo nós cariocas, dizendo aquilo que gostaríamos de dizer. Parabéns!"

04) por Eduardo Rocha (notem como se refere aos moradores das favelas): "As favelas são o celeiro da conveniência do carioca, que se define enquanto patrão de serviçais. Lar das empregadas, garçons, PM's, lixeiros. pedreiros, balconistas e etc. Dar salários dignos sequer passa pela cabeça do cidadão do Rio, ele quer barato e de confiança! Dos políticos, celeiro de votos, pois analfabetos e crianças de 16 anos votam. Das igrejas, clientes infinitos. Portanto, favela é um excelente negócio. Sim Cora, estamos fritos. Enquanto isso, em Jacarepagua, a lagoa morre palmo a palmo a cada novo condomínio gigante construído. Estamos esturricados. Bjo! obrigado pelo post."

5 comentários:

Claudio Yida Jr disse...

Fato é, Edu, que a indignação por conta de um operário no poder estar colocando uma mulher como uma das fortes candidatas à sucessão gera esse tipo de melindres. E não tomar parte, não se manifestar, é tudo que esses crápulas querem.

Lamentavelmente, é curioso ver gente que outrora tinha certos posicionamentos se bandear para esses lados. Não considero isso nem como opinião, é um sinal de desvio de prioridades.

Do Moacyr, conheço rasamente sua obra e geralmente por conta do que você já trouxe dele por aqui. Se eu fiquei surpreso com tal posto outorgado pelo Moacyr à Cora Ronai, imagine você.

Agora, se esse pessoal todo tratasse a própria vida com os mesmos valores que querem impor ao jogo político, estaríamos muito melhor.

CRAQUE DA GEMA!!! disse...

Tu só não podes deixar tua coerência virar inflexibilidade; daquelas tacanhas que não reconhecem como possíveis as idéias que não encontrem composição com as tuas.

De resto, tu és um senhor formador de opinião.

Forte abraço,

R.Pian

Daniel Brazil disse...

Parabéns pelo comentário (e pelas boas brigas compradas! Advogado que se cala não merece a profissão).
Um abraço de São Paulo!

Daniel Brazil

André disse...

Edu,
Fique tranquilo: na hora da eleição esse pessoal é traço!
Um abraço.
Em tempo: para der ler esse lixo.

Igor disse...

Edu, Você é o orgulho de todo nós cariocas, dizendo aquilo que gostaríamos de dizer. Parabéns!

Não sou carioca, mas cabe aqui.