5.5.10

AS REDES SOCIAIS E MEUS DESAFETOS

Andei fazendo, dia desses, digressões sobre as chamadas redes sociais (FACEBOOK, ORKUT, TWITTER etc) e suas incontáveis conseqüências no dia-a-dia dos cidadãos que delas se valem para incontáveis fins. Tem quem as use com finalidades profissionais, visando o fomento de seus negócios (Roberta Sudbrack, por exemplo, é uma mestra no assunto), tem quem as use com finalidades político-eleitorais, tem quem as use com finalidades meramente afetivas (é sempre bacana reencontrar ou conhecer gente através desses mecanismos), tem de tudo. Eu, que acho lamentável o sujeito que se leva muito a sério ainda mais nesse mundo virtual, valho-me disso tudo com um quase-único intuito: rir. Nem digo "fazer rir", é "rir" mesmo. Vá lá que eu faça alguém rir, de vez em quando. Ontem, durante almoço com Carlinhos Laguna (ele também no TWITTER, aqui), ouvi do gajo:

- Morro de rir quando você dá "bom dia", todos os dias, pro Eliomar Coelho! O dia que tu não o fizeres, sei que estarás morto!

E foi daí que o papo descambou para um aspecto que tem marcado minha trajetória por essas sendas eletrônicas: o acúmulo de desafetos (como se eu os merecesse, vou explicar).

Carlinhos, atento observador desses mundicos ("ouve" muito mais do que "fala"), deu de fazer o rol (em ordem alfabética para não ferir suscetibilidades de quem já se mostrou suscetível demais pro meu gosto): Eliomar Coelho (aqui), Gabriel da Muda (aqui), Marcelo Moutinho (aqui), Moacyr Luz (aqui), Roberta Sudbrack (aqui), Tiago Prata (aqui).

E eu, num exercício de paciência (que hoje repito por escrito), fui pondo os pingos nos "is" para que ele entendesse exatamente meu ponto de vista, já que é profundamente desagradável carregar a pecha de desagradável sem o devido merecimento. Vamos seguir a ordem do rol de Carlinhos Laguna (bastante econômico, diga-se, perto do verdadeiro rol de desafetos que essas redes me têm rendido).

Vamos começar com o vereador Eliomar Coelho, a quem não conheço pessoalmente. Não me parece crível que um homem que opta pela vida pública tenha verdadeira aversão pela crítica. Não posso, portanto, dizer a ele (sem nunca ter recebido uma resposta) que acho pífia sua atuação como vereador? Não posso questionar a criação do Dia Municipal do Teatro de Bonecos através de uma Lei por ele apresentada em plenário? Não posso dizer que acho incoerente sua crítica às reuniões evangélicas na Praia de Botafogo e seu fomento às rodas de samba diversas vezes por ele promovida na árida Praça Mauro Duarte? Não posso? Não, ele acha que eu não posso. Ou não teria mandado uma assessora incomodar um amigo meu, por telefone, a fim de indagar "qual é a do Edu"?

Vamos ao Gabriel da Muda. Esse eu conheço pessoalmente e já usufrui de sua companhia um número incontável de vezes (e a recíproca, é evidente, é verdadeira). Por que fala tão mal deste gordo que vos escreve? Apenas e tão-somente porque eu critiquei, certa vez, o que me parece ser uma postura intransigente dos integrantes do excepcional Terreiro Grande. Dizem as línguas que fazem o papel de leva-e-traz que o texto LÊNIN VAI AO SAMBA também o aborreceu. O texto foi publicado em 15 de julho de 2009, e desde então não mereço um "olá" do menino. Curioso é perceber que dentre os 20 comentários ao texto (até este momento em que escrevo), estão elogios de muitos amigos em comum. Sobrou pra alguém? Não. Só pro careca aqui. Ontem mesmo, o menino escreveu: "Fico triste quando bons artistas, cantores, sambistas, mudam totalmente de caminho para tentar o sucesso. O resultado é sempre deprimente.". Mas eu, ao que parece, sob sua ótica estrábica, não posso dizer o que é que acho deprimente. Vamos ao próximo.

Marcelo Moutinho, no começo desta semana, bloqueou-me no FACEBOOK, à moda do que já fizeram, no TWITTER, Moacyr Luz e Roberta Sudbrack. O motivo? As alfinetadas que dei através dessas redes no sujeito, por ele incensado, que faz mash-up´s literários à moda dos DJ´s de Ibiza. Curioso é perceber que ele mesmo sentou a pua em Paula Parisot por ocasião da papagaiada armada para promoção de seu mais recente romance (aqui e aqui). Nos olhos dos outros, é refresco. Mas sobrou pro obeso aqui. Em frente.

Moacyr Luz. Esse conheço há quase 20 anos. E por que não me dirige mais sequer um "oba" quando me encontra? Porque implico com ele, com veemência, e porque acho triste quando um bom artista, cantor e sambista, muda totalmente de caminho pra perseguir os holofotes. Acho o resultado quase sempre deprimente e não me poupo de dizer isso. Adular Cora Rónai e elevá-la à categoria de "porta-voz", chamar Roberta Sudbrack de "fada", dizer que não suporta o limão velho no fundo do mictório... tudo isso me soa lamentável, mas eu não posso dizer isso. Não, ao menos na visão do meu querido Moacyr Luz (sim, tenho carinho pelo sujeito).

Não conheço a Roberta Sudbrack, outra que me deu um bloqueio no TWITTER (o que me impede, por exemplo, de concorrer aos sorteios que a mesma promove). E por que? Porque critico sua estratégia de marketing (que dá, diga-se, muito certo, ou ela não teria um séquito de seguidores dizendo amém a tudo o que a cozinheira escreve). Porque não acho normal alguém dizer que quiabo atravessa a rua, que batata dança, que brigadeiro pula, que pato canta. Por conta desses troços, por exemplo, neguinho acaba achando normal dois esquizofrênicos gastarem quase 20 mil reais numa cerimônia de casamento de cães (anunciada, é claro, pela lastimável coluna GENTE BOA e replicada aqui). Daí nego chora de emoção diante de um prato de comida, daí nego fuzila a tiros o velho e bom sorvete e só admite que se diga "sorbet" e estupram, com requintes de crueldade, a simplicidade na hora da refeição com a criação marqueteira do conceito inacreditável chamado "food experience". Mas eu não posso dizer isso. Roberta Sudbrack só gosta de aplauso. Crítica não é a dela. Vamos ao último desageto e talvez o que mais me doa.

Tiago Prata. Um bom menino. Tínhamos, até há bem pouco, excepcional relação. Mas minhas críticas veementes ao PSOL, seu partido político (e que muito em breve lhe renderá um cargo político, tomem nota), foram tomadas como ofensa pessoal. O PSOL pode fazer chacota do Presidente da República, Lula (cartazes do PSOL grafam LULLA, com dois "eles"), pode anunciar que o slogan do governo é BRASIL: UM PAÍS DE TOLOS, pode tudo. Mas não admite, à moda dos demais, uma crítica.

Eis o que eu queria lhes dizer, e o que disse ao Carlinhos ontem. Embora eu tenha recebido ofensas pessoais de quase todos os acima arrolados, NENHUM DELES (com a ênfase szegeriana) recebeu, de mim, um único golpe abaixo da linha da cintura. Jamais lhes faltei com o respeito ou mesmo dirigi, a quem quer que fosse, uma única ofensa, uma mísera injúria, uma nesga de difamação. Mas o que as pessoas em geral querem, mesmo, é aplauso, holofote, babação de ovo e sinais de reverência.

Comigo não, violão (de 7 cordas, em homenagem a meu filho postiço).

Até.

19 comentários:

José Sergio Rocha disse...

Acho lamentável que tenha gente fazendo papel de leva-e-traz. Esse pessoal quer mesmo fogueira, né não? Mas também acho uma veadagem enorme, não só desse pessoal que você citou, alguns também amigos, mas também da sua parte, querido amigo, que essa futricalhada toda tenha chegado a esse ponto. Vocês estão precisando (eu já tive a "minha") de uma ditadurazinha para entenderem que o barco é o mesmo. Abraços.

Eduardo Goldenberg disse...

Dinda: eu estava mesmo com saudade de você, seu viado. Viadagem é escrever "veado" desse jeito. Beijo (abraço é coisa de "viado").

José Sergio Rocha disse...

Outra coisa: você adora quase todo esse povo citado. Tenho dito, porra.

Eduardo Goldenberg disse...

E eu disse algo diferente disso, Dinda? Até a Sudbrack, a quem não conheço, mereceu um bilhete meu, de próprio punho, que a Katia, do ACONCHEGO, preferiu não entregar a ela no final do ano passado. Beijo.

José Sergio Rocha disse...

Corrigir português vulgar dos outros não só é viadagem como também veadagem. Mas tudo bem, a palavra viado, já aprendi, vem de transviado, não do alcezinho.

José Sergio Rocha disse...

A Sudbrack eu não conheço e nem quero porque gosto de comer em prato fundo, então que se foda. Mas entre os restantes, até mesmo aquele cara que fala às vezes com os outros, e depois vira a cara, torcendo o pescoço, no fundo são do bem.

Eduardo Goldenberg disse...

Quem, Dinda? O Moacyr?

José Sergio Rocha disse...

Eu disse no fundo.

José Sergio Rocha disse...

Finalizando, Dinda é puta que o pariu! (não a santa que te adotou, dona Mariazinha, é óbvio, mas aquela outra, sua mãe biológica).

Eduardo Goldenberg disse...

Dinda: eu gosto de te ver nervoso dando ataque. Quem é o cara que te virou a cara? Fala, Dinda, fala.

José Sergio Rocha disse...

O Moacyr é sua mãe biológica? Do jeito que os comentários foram ordenados, tá parecendo isso. Pede bença então ao cara e esquece essa porra, filho ingrato! Embora pelo jeito, com tanta receita chata no seu blog (todas as receitas são chatas), quem deve ter o avental todo sujo de ovo, és tu, ô Careca Brilhosa!

Eduardo Goldenberg disse...

Não, Dinda, o Moacyr tem apenas um filho biológico. E não sou eu. Você hoje está ótima, devo confessar. Mas vou parar por aqui, ao menos por enquanto. Eu trabalho. Beijo, coroca.

José Sergio Rocha disse...

Ninguém vira a cara pra mim, pois quando viram, eu já estava olhando pro outro lado. Eu sou da paz, mermãozinho, vim da Cantilda Maciel meia oito. Mas andaram reclamando que o Moacyhr faz isso. Daí eu achá-lo, simultaneamente, um compositor genial e um virador de cara, capiche?

José Sergio Rocha disse...

Eu também trabalho, infeliz, mas como trabalho o dia inteiro diante dessa porra, como minha vida gira em torno dessa meleca coreana, posso assobiar, chupar cana, tomar cerveja e escrever quando quiser e bem entender. Também já cansei de sua pessoa, ô Aeroporto de Mosquito com a pista cheia de óleo diesel!

M.M. disse...

É , Edu, quem está na chuva é pra se molhar. A rede democratizou o poder de se expressar num territorio mais amplo. Logo, esse entendimento também se dará de várias formas, por várias pessoas, admitindo diferentes interpretacoes. Tambem ja tive pequenos arranhoes com o Jacare cansado. Quem entre em campo pra jogar, pode se machucar....um abraco !

AOS QUARENTA A MIL disse...

"ô Aeroporto de Mosquito com a pista cheia de óleo diesel!" kkkk Muito bom !

Também já me aborreci muito , até entender que são apenas blogs!!!

Israel disse...

Casamento de cachorro é uma sacanagem com quem passa fôme. São os mesmos que se vestem de branco pedindo paz.

bruno disse...

Todo mundo é ruim, né? Bonzão é você, né? Coitado...

Eduardo Goldenberg disse...

bruno (o minúsculo vem a calhar): eu responderia se você não fosse tão patético na intervenção, tão covarde na exposição ("perfil não disponível" é arma de plástico dos covardes de merda) e tão superficial na avaliação do que escrevi.