25.5.10

DO DOSADOR

* Segundo o site do festival COMIDA DI BUTECO - neste exato instante em que lhes escrevo -, aqui, estamos a 2 dias, 11 horas, 47 minutos e 1 segundo do início do troço. E até o presente momento, conforme eu já havia lhes contado aqui e aqui, não se sabe quais os participantes da edição 2010 do festival. Também me sinto no dever de lhes informar que não tornou a me telefonar, como prometera, uma das responsáveis pelo projeto COMIDA DI BUTECO, Sra. Eulália. Não me causa estranheza. Fui, quero crer, quando dei a ela, por telefone, meus argumentos para ter dito o que disse sobre o festival, bastante incisivo na marcação de minha posição. O que não impediria, por óbvio, nosso encontro. Infelizmente não fui procurado. Resta aguardar 2 dias, 11 horas, 41 minutos e 37 segundos (sou preciso do início ao fim) para sabermos quem topará participar do festival. E reitero o que lhes disse: com a introdução (opa!) da maionese a coisa tende a desandar;

* está se aproximando o aniversário de 40 anos da maior cabeça que conheço: Fernando Jose Szegeri. O homem da barba amazônica, que nasceu aos 24 dias do mês de junho de 1970, exatos três dias depois da conquista do tricampeonato mundial, já funcionário público, vastamente barbado e com um par de galochas que persegue até hoje (ele as perdeu, sabe-se lá quando...), é definitivamente uma cabeça. É uma cabeça e quando eu fiz 40 anos foi capaz de me meter numa enrascada daquelas. Vou explicar. Eu estava em São Paulo com minha menina uns dias antes do 27 de abril de 2009. A cabeça entregou-me, no instante de meu embarque, uma caixa pesadíssima e disse com olhos graves por trás das lentes dos óculos:

- Abra apenas no dia 27 de abril. Compreendeu?

Eu, afoito, aflito e ansioso como de costume, disse que compreendi. E temendo não apenas a fúria palestro-amazônica do palmeirense mas também a vigilância de minha menina, obedeci.

Pois ao primeiro minuto do dia de meus 40 anos abri a caixa que trouxe no colo, dentro do avião. Lá estavam seis portentosos copos de cristal, para uísque, da legendária marca MOSER (aqui). Durante - o quê?! - dez anos bebi uísque em sua casa servido num desses magníficos copos, coloridos. E eu, num misto de inveja e implicância, dizia com o nariz enterrado no malte:

- São perfeitos. Perfeitos! Pena que são coloridos... Copo de uísque, bom mesmo, tem de ser transparente...

Isso, meus poucos mas fiéis leitores, durante anos.

E ali estava eu diante do presente do homem da barba amazônica: seis copos perfeitos, perfeitos!, e transparentes, cristalinos, diáfanos, hialinos, límpidos, translúcidos.

Soube depois que o caboclo fez o diabo pra comprar o presente. Mandou e-mails, fez ligações internacionais, manteve contato com embaixadas, tudo para conseguir trazer da República Tcheca os copos de cristal fabricados em Karlovy Vary, os mais renomados do mundo. Desde este dia - eis o que queria lhes contar - minha menina começou uma espécie de pregão, de ladainha, de quase-ameaça:

- Veja lá o que você vai comprar pro Fernando nos 40 anos dele, hein?!

Eu insinuava uma idéia e vinha o tackle:

- Que pobreza! Nem pensar! Nem pensar! Você sabe quanto custaram aqueles copos?!

Eu subia um degrau na pretensão do presente e vinha a cremalheira verbal:

- Esquece isso! Esquece isso!

Pois estamos a menos de um mês dos 40 anos de Fernando Jose Szegeri. Há, em mim, uma aridez de idéias somada a uma impossibilidade financeira que me assombra. Hoje cedo pus no correio um de seus presentes. Digo "um de seus presentes" porque cheguei em casa com ele na semana passada e fui, de pronto, intimado:

- O que é isso?!

- O presente do Szegeri...

Baixou a cabocla-faxineira:

- Tu tá de sacanagem, né? Isso?! - e brandia, como uma flâmula, o presente que eu comprara.

Humílimo, como um sabujo amendrotado, respondi:

- Você acha que ele não vai gostar?!

As mãos na cadeira, os pezinhos sapateando o piso da sala:

- Tu só pode estar de sacanagem. Lembra do que você ganhou?! Lembra?! - e esfregava o polegar no indicador sinalizando o tutu investido no meu presente.

Eis minha enrascada;

* sinto-me um extraterrestre por esses dias. Nas ruas, nos elevadores, nos corredores do Tribunal de Justiça, só se fala no tal LOST. Eu, que NUNCA (com a ênfase szegeriana) assisti sequer a um episódio desse troço (os que assistem chamam de "temporada"), fico franca e sinceramente deslocado por onde ando. Prefiro LUST no AL-FÁRÁBI;

* quero confessar uma ponta de inveja. Um dos comerciais da QUILMES para a Copa do Mundo de 2010 é, indubitavelmente, o mais arrepiante já criado para o assunto. Queria mesmo que fosse feito tendo o Brasil como mote, não os hermanos. Mas fazer o quê?! Resta pedir a Deus (eu, intensamente supersticioso), o mesmo que fala com a nação argentina no comercial, que olhe por nós, que vamos precisar mais d´Ele do que os argentinos, que vão com um timaço pra África do Sul. O comercial, legendado, está aqui.

Até.

9 comentários:

caique disse...

Edu, muito bom o comercial da Quilmes! Infinitamente melhor que aquele da Skol ridicularizando (pelo menos me soa assim) os hermanos.
Quanto ao tal do Lost, pelamordedeus... eu também nunca vi, não e acho que nós não perdemos muita coisa, não. Vejo o quanto as pessoas ficam ligadas num tal mistério que parece envolver a novela americana e sinceramente não me sinto absolutamente atraído por isso não.

Daniel Banho disse...

Já tinha visto esse comercial. Muito bom mesmo.
Tem um recente da Nike que reflete de maneira divertida a importância histórica da Copa do Mundo:
http://www.youtube.com/watch?v=PmyRUrzNdGI

Abraços

Luiz Antonio Simas disse...

Eu, ao contrário do Caique, estou aqui fazendo hora para assistir Lost, com direito a pipoca e o escambau. Tenho as temporadas completas e estou doido para saber quem substituirá o Jacob na tarefa de proteger a ilha.

Beijo

Eduardo Goldenberg disse...

Porra, Luiz Antonio, caiu o último bastião!

Luiz Antonio Simas disse...

Eduzinho, meu velho, vejo Lost desde a primeira temporada. É ótimo!!! Por causa disso estou, inclusive, perdendo o capítulo de hoje de Bela, a feia.

Eduardo Goldenberg disse...

Porra, careca, você não estava de "altos"? O mundo acabou, como bem disse você mesmo.

Felipinho disse...

o comercial da quilmes mostra o patriotismo dos Hermano. Demais. Boa sorte pra eles e melhor pra nós.

brunoapx disse...

Vamos por partes

1) Em relação ao Lost, caro Edu, eu também fico perdido...ehehe. O último seriado que acompanhei as tais temporadas foi o "Anos incríveis" com o Kevin Arnold....Bons tempos (risos).

2) Pô, estava ansioso para o seu encontro com a representante do Comida di Buteco. Na expectativa de que vc , com classe, ia fazer ela engolir dois litros de Mocotó (risos) com maionese em cima (risos)

3) A Cidinha ainda tem aquele programa na Rádio Tupi ou em outra ?? Essa, de fato, encara...

4) Falta ainda os desdobramentos do Xalita....

Um abraço do leito assíduo.

caique disse...

Eu só vi "Band of Brothers". Aula de cinema. Coisa de americano? Claro! O seriado era americano. Mas bem feito pacas. Tanto que eu - que me amarro em (bom) cinema - gravei e guardei.
Abração.