6.7.10

ANHANGÜERA DÁ SAMBA

Estive, na semana passada, mais precisamente na última sexta-feira do mês de junho, quando ainda tínhamos a esperança de um maior avanço nesta Copa do Mundo, véspera de Brasil e Portugal, na sede do Anhangüera, no Bom Retiro, em São Paulo, na companhia de Danilo Medeiros e Leo Boechat, este último egresso do Rio de Janeiro, como este que vos escreve. Haveria mais uma edição do ANHANGÜERA DÁ SAMBA, em homenagem aos 10 anos da morte de João Nogueira. Mas não é do samba - que foi, como de se esperar, sensacional - que quero lhes falar. Quero é lhes contar sobre a emoção que foi estar ali ao lado de meu mano Arthur Tirone, o Favela. Os Tirone são, como bem me disse o Leo dia desses, numa sacada genial, uma família de novela das sete. Lá estavam Mimi e Denise Tirone, seus pais, e seus irmãos Angelo (gêmeo do Favela) e Bruno. Lá estava também o velho Osvaldo Tirone, avô de meu irmãozinho, pairando sobre o samba e em cada palmo daquele chão que é sagrado pro Arthur. O brilho dos olhos do malandro, de coração e braços permanentemente abertos, dava bem conta da emoção que ele sentia por estar recebendo ali, depois de tantos anos de promessas não cumpridas, um amigo que mantém, na parede de casa, a flâmula rubro-negra do Anhangüera.

Pausa: impossível cantar "com Silas tô em boa companhia" por lá. Voltemos.

É absolutamente comovente a sensação viva de pertencimento que o Favela mantém com o clube. A noite fria, a lua alta, a cachaça aos montes, a presença maciça dos Tirone e de tantos amigos - e de tantos leitores! -, o chôro descontrolado do Danilo à certa altura, a voz do Didu Nogueira, a emoção contida da Gisa Nogueira, a presença efetiva do malandro do Méier que deixou saudade por aqui, tudo contribuiu pra que minha primeira incursão ao Anhangüera se tornasse olimpicamente inesquecível.

Fico me devendo uma ida num domingo qualquer pela manhã para assistir ao futebol sagrado de todos os domingos. Não sei se foi a noite escura ou se foi o embaçar dos olhos que me impediu de ver o campo onde eu já vi, entretanto, o Barthô jogar.

Só uma besta, da cabeça à sola do sapato, pra duvidar disso.

Até.

Um comentário:

Arthur Tirone disse...

Foste a tempo, querido. O Anhangüera está morrendo e escreverei o porquê. Organizarei uma cruzada contra os bandidos que querem tomar de assalto aquele chão sagrado.

Fiquei feliz demais com a tua presença, meu irmão (agora posso dizer que todos os meus amigos estiveram no Anhangüera dá Samba!). Ali é minha casa, casa de meu pai e de meu avô.

E dá-lhe Barthô! Cracaço!

Beijo.