31.8.10

MEMORABILIA DO MARACANÃ - PARTE I

Inauguro hoje uma pequena série de textos que pretende construir uma espécie de memorabilia particular envolvendo minhas reminiscências do Maracanã, o gigante de concreto, o Mário Filho, gigante erguido para a Copa do Mundo de 1950, quando a Copa do Mundo não era o templo dos ladravazes que, 60 anos depois, depõem contra - valendo-me da imagem que meu mano Bruno Ribeiro cravou dia desses - esse sagrado assentamento às margens do rio que lhe deu o nome, contruído por mais de 10.000 operários desconhecidos, a quem rendo minhas homenagens. A Copa do Mundo não era o templo dos ladravazes e nem o mundo era essa imitação burlesca da vida que oprime o homem. O que essa escumalha pretende fazer com o Maracanã é, no mínimo, crime de lesa-pátria. Dirão os idiotas da objetividade de sempre - e penso aqui com os meus botões cada vez mais estufados o que diria Nelson Rodrigues diante dessa ignomínia - que o estádio irá apenas se adaptar às imposições da modernidade, troço inevitável. E eu, múmia do alto dos meus quarenta e um anos de idade, direi "cáspite" no focinho de cada um. Falei em Nelson e o paralelo me parece óbvio: se o Fla x Flu começou quarenta minutos antes do nada, o aquecimento dos bravos tricolores e rubro-negros esclados para o jogo seminal deu-se no gramado telúrico do Maior do Mundo, monstro azul e branco que antecede o nada.

imagem do Maracanã em obras

Inauguro a série falando de um Flamengo e Vasco. Tinha eu 9 anos de idade e fiz, ali, naquele 03 de dezembro de 1978, minha estréia em jogos decisivos. Antes, porém, um breve intróito. Tinha - confesso - certo medo do Maracanã. Enquanto meu avô materno era vivo, uma história era recorrente. Dizia ele, sempre com olhos distantes e marejados que eu só enxergo agora:

- Nunca mais piso no Maracanã... Depois daquele Brasil e Uruguai, de 50, nunca mais...

A história era confirmada e ganhava contornos de tragédia com a ciciante ladainha das tias, de minha avó e minha bisavó: meu avô Milton foi literalmente carregado pra casa no final da noite daquele 16 de julho por um de meus tios-avós, seu cunhado, largado e perdido às margens do rio Maracanã, impactado pelo gol que ainda hoje machuca a alma brasileira. E vovô dizia - façam uma idéia do efeito da frase para uma criança - sempre:

- Cuidado com o Maracanã, meu filho...

Pois fui ao jogo levado pelas mãos de meu pai e na companhia de meu irmão do meio. Eu, rubro-negro. Os dois, vascaínos. Seria a disputa do segundo turno do campeonato carioca de 78, o primeiro vencido pelo Flamengo. Um simples empate daria ao Vasco o direito de disputar o título do estadual contra o Flamengo.

Mais de 120.000 pessoas sem NENHUM conforto (com a ênfase szegeriana) aguardavam o apito inicial - o árbitro era o meia-boca José Roberto Wright. Participaram da batalha, pelo Flamengo, Cantarelli, Toninho, Manguito, Rondinelli e Júnior; Caperggiani, Adílio e Zico; Marcinho, Cléber, depois Eli Carlos, e Tita, depois Alberto, os comandados do técnico Cláudio Coutinho. Pelo Vasco da Gama, Leão, Orlando, Abel, Gaúcho e Marco Antônio; Helinho, Guina e Paulo Roberto; Wilsinho, depois Paulo César, Roberto e Ramon, depois Paulinho, comandados pelo legendário treinador Orlando Fantoni.

Guardo - e como lhes provarei que de fato guardo? - as sensações daquele dia em mim. O tumulto pra entrar no estádio, como romanos no Coliseu em dia de combate, os cântigos de guerra sacralizados por palavrões entoados em homilia coletiva, a disputa selvagem pelo melhor lugar ao sol, os milhares de rádios de pilha ligados na voz inconfundível de Valdir Amaral (foi quem narrou o gol), a energia contagiante dos geraldinos, os bares abarrotados de torcedores em busca de cerveja, vendedores de mate em galão, cachorro-quente, filas intermináveis nos banheiros fétidos - quem quer higiene em banheiro de estádio, porra?! -, ambulantes vendendo faixas de campeão para os dois times, e eu - eis a mais aguda confissão que faço - com medo de repetir ali, guardadas as proporções, o drama de meu avô:

- Se o Flamengo perder eu nunca mais venho ao estádio. - e eu imagino o dilema no coração de meu velho pai experimentando uma angústia de filho que eu não vou conhecer.


Pois foi ali, meus poucos mas fiéis leitores, no Maracanã, que vi Antonio José Rondinelli Tobias, o Deus da Raça, saltar como um bólido em direção à bola alçada na área pelo Zico, improvável cobrador daquele escanteio a poucos minutos do final do jogo, pra fazer morrer nas redes minha mais romântica e atrevida jura de torcedor.

gol de Rondinelli, Flamengo x Vasco, 1978

O que se segue, é hilário. Meu pai - puto dentro das calças - tomou a direção da saída me arrastando com indisfraçável ódio, não de mim, é claro. Eu gemia:

- Deixa eu ver, deixa eu ver!

E eu nunca - nunca! - vou me esquecer dos gritos de "é, campeão!" que eu não pude acompanhar de perto. Papai, que levava numa das mãos meu irmão do meio e na outra a mim, não me deixou ver a entrega da taça, das faixas, a volta olímpica. Se naquele momento investi-me de raiva contra o velho hoje compreendo que a força-motriz de seu gesto intempestivo é a que move o torcedor que vai à campo pra ver seu time jogar.

ingresso do jogo final, imagem retirada do site www.flamengo.com.br

Fecho, hoje, esse primeiro texto da série, com uma homenagem a todos os corinthianos que me lêem, na pessoa de Claudio Yida Jr., Julio Vellozo, Leonor Macedo e Stefania Gola, pelo centenário do Corinthians. Falei da lenda que cercava meu avô e preciso lhes contar outra.

Papai, quando eu era criança, sempre com os olhos esbugalhados, dizia com relação à famosa invasão corinthiana de 1976, no Maracanã, contra o Fluminense:

- Você não faz idéia do que fizeram os corinthianos no Rio de Janeiro em 1976...

E danava de contar sobre a festa preto-e-branca que se abateu por aqui.

Até.

NOJO DE ARNALDO JABOR

trecho da coluna de Arnaldo Jabor no SEGUNDO CADERNO do jornal O GLOBO de 31 de agosto de 2010

30.8.10

DO DOSADOR

* O BUTECO viveu, na sexta-feira passada (e no sábado, no domingo, e ainda sente os respingos disso nesta segunda-feira...), um boom de visitas motivadas por um link para cá direcionado postado num portal de notícias, o R7. Mais de 5.000 visitantes únicos - recorde absoluto! - passaram por aqui e ficaram sabendo do episódio envolvendo a retirada, por parte de Cora Rónai, de texto relatando um episódio passado na noite carioca (leia aqui). A imagem abaixo - o único registro que consegui - prova que, de fato, Cora Rónai dobrou-se à força sabe-se lá de quem e não apenas retirou o texto publicado em seu blog do ar. Pior, muito pior que isso, deixou seus milhares de leitores sem qualquer satisfação.

prova de que Cora Rónai publicou, e retirou, notícia envolvendo Jayder Soares

Muita gente me perguntou se eu não deveria temer o que provavelmente Cora Rónai temeu quando fez o que fez. E respondo a todos, agora, publicamente: não, não devo. E por uma simples razão. O "estardalhaço" - vá lá - que fiz nada tem a ver com Jayder Soares ou com quem (ou quê) quer seja. Minha indignação, força motriz da publicação de meu texto, foi justamente por conta da postura da jornalista;

* quero fazer o alerta que diversas pessoas já estão fazendo: um dos gargalos das eleições de 03 de outubro será a regra que obriga o eleitor a comparecer à sua zona eleitoral portando dois documentos - o título de eleitor e documento de identificação com foto. A regra, imposta pelo TSE, me parece um retrocesso e uma espécie - vá lá - de golpe branco. É evidente que o eleitor mais humilde, com menos acesso à informação, será o mais prejudicado. E temo que a massa de eleitores impedidos de votar seja grande. Todo cuidado é pouco e todo alerta será pequeno diante da gravidade da coisa. Tenho feito meu papel. Falo sobre isso com todos, onde quer que eu esteja. Faça você também a sua parte. Assim, sem dúvida, contribuiremos para que seja ínfimo o impacto dessa medida;

* as campanhas avançam, estamos há pouco mais de um mês das eleições e o que podemos verificar, fuçando a grande rede, é uma tendência aguda - e lamentável - em direção ao baixíssimo nível da campanha tucana, desesperados que estão, os homens do PSDB, com a realidade dos números das pesquisas. Aqui, no site da professora Maria da Conceição Carneiro Oliveira, podemos verificar - vejam a imagem abaixo - a que ponto pode chegar a baixeza dos eleitores de Jose Serra. Se não é possível, efetivamente, responsabilizar diretamente o candidato por conta da postura de seus eleitores, podemos, efetivamente, saber quem são, como pensam e como agem aqueles que querem ver Dilma Rousseff derrotada.

imagem divulgada por partidários do PSDB

Um desejo tucano - covenhamos - cada vez mais distante;

* se a realidade aponta para uma vitória acachapante de Dilma Rousseff no primeiro turno (num improvável segundo turno a vitória me parece garantida), isso não pode significar, em hipótese alguma, arrefecimento dos ânimos da militância. Ao contrário, deve significar um empenho cada vez maior, até o dia 03 de outubro, para que a vitória seja, de fato, acachapante. Mais que isso, o eleitorado que parece já ter feito sua escolha - Dilma Rousseff - precisa se empenhar na eleição de deputados federais e senadores afinados com o discurso do PT e dos partidos que compõem a base da coligação que apóia a candidata. Aqui no Rio de Janeiro, vemos excrescências como Jair Bolsonaro, que em 2008 (e como é pouco visto o inacreditável vídeo, aqui...), dirigindo-se a ativistas em prol da defesa dos direitos humanos, pediu silência e disse "o grande erro foi torturar e não matar, fodam-se!, fodam-se!", com chances de se eleger. Candidatos do DEM que significam o que há de pior em matéria de atraso com chances de se eleger. Mais que nunca - e por mais que soe piegas a expressão - é preciso votar consciente para que alarguemos a bancada da esquerda visando um governo menos sujeito à desfaçatez da direita mais raivosa e odiosa.

Até.

27.8.10

MEU ENCONTRO COM OS BRIZOLA

Quem me lê por aqui sabe e quem segue o BUTECO DO EDU no TWITTER - aqui - também sabe quem são meus candidatos nas próximas eleições: sabe que vou de Dilma Rousseff (13) para presidente do Brasil, de Brizola Neto (1234) para deputado federal e de Cidinha Campos (12212) para o cargo de deputado estadual. Sabe, mais, que eu tive o prazer de me encontrar, pessoalmente, e recentemente, com Cidinha Campos (aqui). A primeira vez na rua do Rosário e a segunda quando ela, gentilmente, recebeu-me em seu gabinete na ALERJ. Pois ontem - é o que quero lhes contar hoje - pude estar no escritório da campanha do deputado federal Brizola Neto. E devo esses encontros à grande rede, às redes sociais, que com intensa força demarcam territórios, unem afinidades e arrancam as máscaras dos calhordas de sempre. Alguns e-mails trocados ao longo da semana passada com Leonel Brizola Neto (vereador pelo PDT e irmão do deputado federal Brizola Neto) e acertamos para ontem, às 15h, nosso encontro.

Quem me lê sabe, também, da admiração (e da saudade) que sinto por Leonel de Moura Brizola, brasileiro máximo, político maiúsculo, protagonista das mais importantes lutas do povo brasileiro em seu tempo e de quem falo, com freqüência, por aqui. Há muito acompanho o trabalho de Brizola Neto, neto do velho caudilho, em Brasília. Há muito tenho como certo que o DNA do meu eterno e saudoso governador corre no sangue que corre nas veias de Brizola Neto, que começou sua carreira política acompanhando o avô, profundo conhecedor e ardoroso defensor das causas que importam para o bem do povo brasileiro.

Brizola neto com seu avô, Leonel de Moura Brizola

Pois ontem estive lá, com eles, dois netos do velho Brizola. Tive o imenso prazer de ser recebido pela equipe de Brizola Neto, pelos responsáveis pela edição de seus dois excelentes blogs - o BRIZOLAÇO (aqui) e o TIJOLAÇO (aqui) - de conhecer pessoalmente o jornalista Fernando Brito, assessor de imprensa durante muitos anos de Leonel Brizola, e conversamos muito, e falamos muito sobre muitas coisas, e relembramos importantes momentos da história política brasileira, rimos e - até - nos emocionamos diante da perspectiva que vivemos, hoje, de ajudar na condução do Brasil que queremos. Brizola Neto está com 31 anos - um garoto diante da múmia que vos escreve! - e impressiona pela maturidade com que trata dos assuntos que a mim também interessam, razão pela qual receberá, com declarado ânimo, meu voto no próximo dia 03 de outubro.

Brizola Neto é, também - e isso vocês sabem -, um ardoroso soldado na luta pela eleição acachapante de Dilma Rousseff, gaúcha como ele e seu avô, fundadora do PDT gaúcho e ela também uma entusiasta de sua atuação como deputado federal. É emocionante ver Dilma Rousseff, no vídeo abaixo, dizendo que apóia, incondicionalmente, a candidatura de Brizola Neto por tudo o que ele representa em "nome do passado, do presente e do futuro", dizendo ao final:

- Continua brigador, hein?!


Por todas essas razões, divido com vocês minha alegria pelo encontro de ontem. Não vou aqui - por falta de autoridade para tal - "pedir" o seu voto, eleitor do estado do Rio de Janeiro que me lê, para Brizola Neto, número 1234. Mas vou - e faço isso com indisfarçável orgulho - pedir sua atenção para Brizola Neto. Há - é sabido - diversos candidatos ao cargo de deputado federal capazes de não envergonhar seu eleitor. Mas há apenas um com a marca da luta de Leonel de Moura Brizola no sangue. Há apenas um em comunhão absoluta, resoluta e inflexível com os ideais de Leonel de Moura Brizola. Há apenas um - por evidente - que merecerá meu voto e minha integral torcida por êxito permanente no bom combate.

Brizola Neto, Eduardo Goldenberg e Leonel Brizola Neto, 26 de agosto de 2010, Rio de Janeiro, RJ

Como dizia seu avô, vou com ele, "ombro a ombro", para mais um mandato que manterá sob a melhor guarda os interesses do povo brasileiro e da pátria livre.

Até.

A "CORAGEM" DE CORA RÓNAI

ESTE TEXTO AGORA PODE SER LIDO AQUI.

26.8.10

CORA RÓNAI, A PORTA-VOZ DO COMPOSITOR

Tenho dito, reiteradas vezes, que dentre tantas vantagens da grande rede, notadamente das redes sociais, está a de demarcar bem o quem-é-quem, o diga-me-com-quem-andas-e-te-direi-quem-és. Com vocês, uma pérola de Cora Rónai, tia do todo-poderoso d´O GLOBO, Rodolfo Fernandes, diretor de redação e editor responsável pelo jornalão carioca (só isso, na minha humílima e parcial opinião, explica o nobre espaço dado à especialista em tecnologia).

trecho da coluna de Cora Rónai no jornal O GLOBO de 26 de agosto de 2010

Deixo de citar o compositor que considera Cora Rónai sua porta-voz por força de decisão de foro íntimo não revogada. Quem me lê, sabe de quem estou falando.

Até.

A FILÓSOFA MARIA GADÚ

Eu sempre me pergunto como é possível a imprensa meia-boca dar voz e vez a barbaridades como a que sai publicada no SEGUNDO CADERNO de hoje, d´O GLOBO. O repórter Leonardo Lichote (ótimo nome!) teve a pachorra de publicar (mais uma) a genial frase dessa cantora, a queridinha da meia-boca, Maria Gadú.

frase de Maria Gadú durante a entrega do prêmio MULTISHOW 2010

Até.

25.8.10

É PRECISO LUTAR CONTRA O ESMALTE

Antes que vocês torçam o nariz pro título do texto que publico hoje, explico: está correndo pela grande rede, no YOUTUBE, um vídeo no qual um outrora amante dos "botequins mais vagabundos" diz, sorrindo:

- O Pirajá pintou as unhas do pé-sujo.

Com esmalte, me parece evidente.

Feito o intróito para explicar o título do texto, vamos ao que tenho a lhes dizer hoje. E quando quero falar algo com um tom um pouco mais ponderado, sem a borduna e as armas feitas de metal que carrego permanentemente no bolso, recorro a quem tem a mesma gana que eu com muito mais elegância, digamos assim. Vocês que me lêem sabem há quanto tempo luto - eu diria que quase sozinho, hoje bem menos, é verdade... - contra esse movimento que não descansa um segundo da tarefa que cumpre com competência: destruir os "botequins mais vagabundos" aos quais eu não resisto. Meu mano Luiz Antonio Simas, certa vez, chamou a coisa de "campanha cívica" - e esse hiperbolismo me comove. O troço começou há muito tempo, e há muito tempo faço deste blog uma trincheira contra essa nojeira. Vejo, hoje, com indisfraçável alegria, o desmoronamento dessas grandes redes de franquia, o que infelizmente não significa ter de volta os estabelecimentos muitos simples adquiridos, derrubados e transformados por esses anti-brasleiros.

Pois bem: em 03 de novembro de 2009, Luiz Antonio Simas, brasileiro máximo, escreveu um tratado sobre o tema, DO PORTO AO BOTEQUIM, UM CHAMADO AO BOM COMBATE, aqui. Escreveu lá, o seguinte:

"Vivemos, e isso não é novidade alguma, tempos de uniformização dos costumes, fruto deste tal de mundo globalizado. Em cada canto desse mundaréu, ligado por redes transnacionais de telecomunicações, as pessoas assistem aos mesmos filmes, vestem as mesmas roupas, ouvem as mesmas músicas, falam o mesmo idioma, cultuam os mesmos ídolos e se comunicam em cento e quarenta toques virtuais."

O que quero lhes dizer é que essa nojeira que fazem com os botequins - e isso é uma luta minúscula, inglória, mas é uma das partes que me cabem nesse latifúndio do bom combate -, fazem também com o carnaval (e Fernando Szegeri é mestre no assunto), fazem também com a culinária brasileira, com a literatura brasileira, fazem - e mais agudamente agora com a aproximação da Copa do Mundo de 2014, um verdadeiro tiro no pé do nosso povo, dos nossos estádios - com o futebol no Brasil.

Mestre Simas - a ele recorro de novo - está cansado de dizer, como disse quando esculhambou o nefasto festival COMIDA DI BUTECO, aqui:

"Entendo cultura como todo o processo humano de criação e recriação de formas de viver. Cultura é o conjunto de padrões de comportamento, elaboração de símbolos, visões de mundo, crenças, hábitos, tradições, anseios e que tais que caracterizam e distinguem um determinado grupo social.

É nesse sentido que a própria economia deve ser vista como um cadinho do processo cultural que caracteriza os povos. As relações econômicas também são elementos constitutivos do modo de ser de um grupo - e aí podemos refletir sobre uma pá de coisas, dentre elas a maneira como diferentes grupos socias encaram os atos de consumir, trocar, vender, comprar, se desfazer de um bem, valorizar ou não um objeto, etc... Tudo isso é elemento constitutivo de cultura, feito comer, dançar, rezar, enterrar os mortos e acordar as crianças."


Pois o que quero lhes dizer hoje é o seguinte: recomendo vivamente os blogs de três brasileiros que, à minha moda, sentam o cacete nessa canalhada que luta, incansavelmente (em benefício econômico próprio e em detrimento do que é nosso!), contra uma de nossas mais caras tradições: o futebol e o hábito de ver o futebol, de ir aos estádios, e de torcer como manda a nossa cultura.

Restringir-me-ei, aqui, por exemplo, ao que vêm fazendo com o Maracanã, que é aqui, na minha aldeia.

Eduardo Goldenberg no colo de Isaac Goldenberg, Maracanã, 1969
O Maracanã, que conheci com meses de idade levado no colo por meu amado pai (a foto acima é de 1969), o Maracanã que vovô Milton defenestrou de sua vida em 1950 depois da tragédia assistida in loco, que foi a final contra o Uruguai, o Maracanã que me viu, menino de calças curtas, delirar com o gol de Rondinelli, contra o Vasco, em 1978 - meu primeiro título -, esse Maracanã não existe mais. Não existe mais depois das inúmeras reformas que enriqueceram empreiteiros de merda, marqueteiros de merda, dirigentes de merda e que transformaram o "maior do mundo" num epíteto mentiroso. E não existirá mais nem seu espectro, salvo na alma de quem o conheceu fervendo, depois da reforma recém-iniciada visando a adaptação do estádio ao tal padrão FIFA, essa matrona vagabunda que, guardadas as devidas proporções, faz com os estádios do mundo inteiro o que as grandes redes de franquia fazem com nossos "botequins mais vagabundos". E há quem sorria valendo-se da patética imagem do "esmalte nas unhas".

A reforma do Maracanã começou e um tal consórcio (o nome é perfeito para ilustrar a reunião dos ladravazes) composto por empresas que roubam dinheiro público sem pudor algum já deu início ao assassinato lento do gigante de concreto, que culminará com o enterro definitivo do Estádio Mário Filho quando ali acontecer a primeira partida da Copa do Mundo de 2014.

Mas enfim... recomendo vivamente a leitura de PAPO NA COLINA (aqui), FORZA PALESTRA (aqui) e CHUTA QUE É MACUMBA (aqui). O primeiro é escrito por João Medeiros, um vascaíno (como papai, como meu irmão do meio, como meu vô Oizer...), o segundo por diversos membros de um grupo que tenho chamado de tropa palestrina (Barneschi, Felipe Giocondo, entre outros) e o terceiro por Claudio Yida Jr., um corinthiano japonês, comunista, anti-nipônico e amante confesso da Tijuca (façam vocês uma idéia do que seja isso...).

Às armas!

Até.

24.8.10

GETÚLIO VARGAS - 56 ANOS SEM ELE

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23.8.10

BACANA DEMAIS, A FORÇA DA REDE

Quem me lê sabe: vira-e-mexe eu preparo uma receita mais bacana em casa e faço questão de dividi-la com vocês, meus poucos mas fiéis leitores. Em 10 de maio desse 2010 mostrei pra vocês a receita de um risotto de limão siciliano com filés ao molho de mostarda que preparei na casa de meu irmão e minha cunhada, em Santa Teresa (aqui). Poucas coisas são mais prazerosas, pra quem mantém um blog, do que as respostas que chegam dos leitores. Pois foi um gratíssima surpresa o e-mail que acabo de receber de Carlos Eduardo Nogueira Machado, meu camarada Didu Nogueira, que me autorizou a transcrever a simpaticíssima mensagem, à moda de quem a escreveu:

"Meu camarada, como azelite da informática me chamaria, sou um Lula no que se refere aos (des)caminhos do computador, ferramentas e outros bichos. Entrei no seu blog (no melhor sentido) e me deparei com uma receita de risotto de limão siciliano e resolvi fazê-la. Somente o risotto. E não sei se o amigo sabe, mas encontrei o amor da vida que na verdade conheço há 35 anos e certamente não haveria melhor cobaia para a ocasião. Como a infra da minha casa não permite essas viagens, esperei ir à Brasília, onde Tânia mora, e arrisquei. Sucesso! Maravilhosa receita que deu ainda mais sabor a esse momento mágico que estou vivendo. Beijo, Didu."

Até.

BRIZOLA - IMAGENS INÉDITAS

"O ano de 1982 foi inesquecível. Não foi só pela Copa do Mundo, a seleção do Telê, que era excelente mas não ganhou. Naquele ano de 1982 também houve uma eleição que mudou o panamorama da política no Rio de Janeiro e no Brasil. Logo após a anisitia, depois que os exilados retornaram ao país, os líderes políticos de esquerda tentavam a sorte pelas urnas. Não havia eleição para presidente da república, mas para governador, sim. E foi nesse cenário que emerge a figura de Leonel de Moura Brizola. Ele foi muito filmado em Super 8. Praticamente toda a trajetória daquela campanha eleitoral está registrada em filme Super 8. Foi, como se dizia na época, a briga do tostão contra o milhão. Contrariando todas as expectativa dos militares, Brizola foi comendo pelas beiradas e venceu apesar das tentativas de fraude e de seu nome ficar associado à cocaína. As cenas que você vai ver agora nunca foram mostradas. São inéditas. As imagens dizem tudo, não é preciso comentário."



21.8.10

VARANDÃO SONORO DOS SÁBADOS

Aproveitando a onda vermelha que se espalha pelo Brasil, ainda mais agudamente detectada pela mais recente pesquisa do instituto DATAFOLHA que aponta uma vantagem de 17 pontos de Dilma Rousseff sobre o tucano, escancaro os janelões do varandão pra fazer tocar um dos mais bonitos e emocionantes jingles já utilizados em campanhas políticas. Foi um jingle visionário, inclusive. Não dá pra parar um rio quando ele corre pro mar, não dá pra calar o Brasil quando ele quer cantar. Aumente o volume, não tenha medo ou pudor! Nosso desejo - de querer um Brasil mais decente, com direito à esperança e uma vida diferente - foi atendido e só depende de nós fazer o Brasil seguir na mesma trilha. É só você querer. Vai dedicado - profundamente emocionado - para minha mais-querida Sonia Maria Zampronha Roque.

Até.

20.8.10

A DILMA É POP

Como lhes contei anteontem, aqui, mandei fazer uma camisa com a imagem de Dilma Rousseff em estilo pop, nova febre entre seus eleitores pelo Brasil afora depois que o tiro da revista ÉPOCA, que tentou denegrir sua imagem com a risível reportagem publicada no início da semana, saiu pela culatra.

Pois um de meus poucos mas fiéis leitores mandou-me outra imagem, bem bacana, com a inscrição LULA TÁ COM ELA, EU TAMBÉM TÔ (vejam a imagem abaixo).

Para que você a tenha, caso queira mandar fazer também sua camisa, é só clicar aqui e fazer o download da imagem. Já mandei fazer a minha, em camisa de malha preta. Ficou bacana demais!

material de campanha de Dilma Rousseff

Você que me lê do Rio, saiba que no próximo sábado, 28 de agosto, haverá caminhada com Dilma e Lula, na praia de Copacabana. Uma grande oportunidade para você comparecer vestido com sua camisa. O sucesso, garanto, será certo.

Às armas!

Até.

ÊPA, BABÁ!

Eu tenho um tremendo orgulho de desfrutar da amizade de Luiz Antonio Simas, seguramente uma das mais geniais cabeças de minha geração. Há extamente 4 anos e 2 dias, em 17 de agosto de 2006, vejam aqui, o velho Simas dirigiu-se a mim pela primeira vez, ainda virtualmente:

"Eduardo, sou um leitor assíduo do blog, morador do Maracanã, amigo do peito do grande Rodrigo Ferrari (da inestimável livraria Folha Seca) e admirador das suas campanhas cívicas - sim, cívicas - contra as sem-vergonhices do Jota e dos Leblons da vida. Mas sempre estive em silêncio obsequioso. Hoje, porém, vou me manifestar: sensacional! Como eleitor e admirador do velho, aplaudo de pé a cena! Quanto ao Roberto Talma...nunca me enganou! Francamente... Abraço."

Pouco tempo depois Rodrigo Ferrari apresentou-me ao caboclo num final de tarde na livraria do meu coração, a FOLHA SECA. Sou grato ao Ferrari por conta disso. Não poderia supor que ao longo desses quatro anos fôssemos construír, eu e Luiz Antonio Simas, uma relação tão fraterna que mistura nossas famílias, nossas mulheres, nossa história.

Tenho, pelo Simas, como se não bastasse a profunda admiração que me impacta constantemente, imenso respeito. Simas é um mais-velho, tão moço que ainda é. Sabido, "egresso da Baixada Fluminense", como me disse ontem à noite durante um jantar lá em casa, ama o Brasil como poucos, conhece o Brasil como poucos, respeita o Brasil como poucos e não transige quando o assunto é defender a pátria, um amor incondicional comum que temos dentre tantos outros. Foi através dele que pude manter contato mais próximo com as coisas do invisível, e não foi pouca a festa que fizemos quando descobrimos que somos filhos de Ogum, não foi pouca a emoção quando recebi, de suas mãos, o ileke que tenho como uma guarida de axé, e por conta dele canto pra dentro, em sinal de respeito e devoção, "Babá me estenda mão, alivie a minha dor enquanto pila o pilão".

Fiz o intróito e quero lhes dizer: o Simas escreveu (mais um) um tratado sobre o momento que vivemos no Brasil de hoje. Seu texto O SEGREDO DE LULA (que pode ser lido aqui) é fundamental para a compreensão exata da imperiosa necessidade de vermos o governo Lula continuado com a eleição de Dilma Rousseff. Sugiro que o texto, abaixo transcrito, seja lido ao som de CANTO DE OXALUFÃ, de Toquinho e Vinícius de Moraes.


"É impressionante como uma parcela significativa da elite letrada brasileira não consegue engolir a presença de Lula na presidência. Mais do que uma oposição fundamentada em razões consistentes para criticar o governo, boa parte da oposição a Lula me parece fruto de preconceito deslavado - menos contra a figura de Lula do que contra a carga simbólica que sua trajetória representa.

Somos um país históricamente marcado pela valorização demasiada da cultura bacharelesca e, ao mesmo tempo, por quatro séculos de escravidão que acabaram por desqualificar completamente o trabalho manual. A primeira constituição brasileira - a carta do Império de 1824 - estabelecia o voto censitário e preservava o escravismo, com o argumento de que libertar escravos atentaria contra o direito à propriedade privada. A primeira constituição da República - a de 1891 - proibia o voto do analfabeto e, ao mesmo tempo, não atribuia ao estado brasileiro o dever de alfabetizar a população. O Brasil, em resumo, foi pensado por sua elite política e econômica a partir da perspectiva da exclusão das massas populares do exercício da cidadania e do acesso ao saber formal.

Lula, nesse sentido, foi o presidente que mostrou a essas elites que o Brasil pode, para elas, dar errado. Sim, porque até agora, na perspectiva dos donos do poder, o Brasil vinha dando certo. É simples: a exclusão social brasileira não foi resultado de políticas fracassadas. Ela foi pensada e praticada como um projeto de Estado-Nação. A chegada de Lula ao poder e a aprovação popular ao seu governo tem uma dimensão simbolica única na trajetória brasileira - é o tapa na cara da elite bacharelesca que se sente detentora do saber-poder desde sempre e não admite o sucesso do sujeito sem educação formal que, como homem comum [daí a sua grandeza] que é [somos], ocupa o cargo outrora destinado aos fidalgos do bacharelismo.

O horror de muitos adeptos da cultura bacharelesca - a tal da cultura formal - ao presidente do Brasil é o pânico diante da ameaça ao monopólio do saber instituído que essas elites sempre prezaram e exerceram. O recado que a trajetória de Lula manda aos doutores é a expressão viva da bela meditação de Vinicius de Moraes em seu Canto de Oxalufã:

Você que sabe demais
Meu pai mandou lhe dizer
Que o tempo tudo desfaz
A morte nunca estudou
E a vida não sabe ler

O beabá
Não dá pra ninguém saber
Por que é que há
Quem lê e não sabe amar
Quem ama e não sabe ler?

Você que sabe demais
Mas que não sabe viver
Responda se for capaz:
Da vida, quem sabe lá?
Da morte, quem quer saber?

Oxalufã, o Senhor do pano branco, avisa aos sabichões que o mistério do homem se instaura no tempo que a todos iguala no caminho da Noite Grande - a morte, afinal, nunca estudou e a vida não sabe ler. O conhecimento formal nunca foi sinônimo de conhecimento vital, sabedoria de vida, revela o poeta em sua prece ao grande orixá.

As elites sofisticadas brasileiras, os sabichões intelectuais, as viuvas do príncipe da sociologia FHC, os intelectuais orgânicos da plutocracia paulista, os donos dos bancos acadêmicos que vêem seus tronos doutorais ameaçados pela adoção do sistema de cotas sociais e raciais no Brasil, os conhecedores de verbos certos e letras mortas, não compreendem o sucesso de Lula por um simples motivo: É a eles que o poeta - ridicularizado por membros dessa mesma elite quando se aproxima da Umbanda e do Candomblé - se dirige quando indaga:

Por que é que há
Quem lê e não sabe amar
Quem ama e não sabe ler?

A resposta, senhores, ao mistério da popularidade de Lula está na pergunta que o poeta faz ao orixá que nos acolhe debaixo de seu alá funfun e guarda os segredos do mundo na ponta do Opaxorô, o cajado sagrado. Durante quinhentos anos o Brasil foi governado pelos letrados.

Começou a ser, com Lula, governado por quem ama."


Até.

19.8.10

A FORÇA DO POVO

Tenho dito, há muito, como tantos outros têm dito refletindo sobre o tema, que a correlação de forças do poder da imprensa (seja ela a formal, dos jornalões, ou a informal, dos blogs e das redes sociais que têm infinitamente mais velocidade na propoagação das idéias de quem as emite) mudou muito. Em termos de política, por exemplo, há coisa de não muitos anos, uma capa de revista seria capaz de detonar uma candidatura. Hoje, essa mesma capa vira motivo de pilhéria, de piada ou, o que é pior (pior pra imprensa formal, melhor pra informalidade), uma arma apontada na direção contrária. Vamos aos fatos.

Meu mano Bruno Ribeiro, jornalista carioca radicado em Campinas, no dia 16 de agosto, às 12h12min, publicou o texto A DILMA É POP (leiam aqui). Foi o primeiro a se valer desse, digamos, slogan. Refletindo sobre a patética matéria da revista ÉPOCA, escreveu o Bruno:

"Mas, apesar da aviltante reportagem contra Dilma Rousseff, a revista conseguiu dar ao PT um ótimo trunfo. Logo na página inicial da matéria há um retrato estilizado de Dilma inspirado na fotografia de sua ficha policial. A foto em questão foi feita na época em que a então estudante foi presa, acusada de conspirar contra o regime militar e de pertencer a um grupo de resistência armada. O objetivo da arte, assinada por Sattu, era transmitir uma imagem ameaçadora de Dilma, carregada em tinta vermelha, com um olhar orgulhoso e desafiador. Uma guerrilheira perigosa, enfim."

Ele prossegue:

"Minutos após a revista chegar às bancas, milhares de internautas em várias partes do país já se mobilizavam para reverter o sentido da imagem de Dilma veiculada na reportagem. A Época deu um tiro pela culatra: conseguiu apenas criar o retrato de uma heroína."

E fecha seu texto, visionário, dando uma sugestão e fazendo uma convocação:

"A conotação assustadora que os jornalistas quiseram dar para o retrato de Dilma surtiu o efeito contrário: a militância petista acabou ganhando uma arte gráfica que tem tudo para se tornar um ícone desta campanha. Desde que seja reproduzida para uso pessoal, a ilustração pode ser impressa em camisetas, posteres, adesivos, bottons etc. Pela web, muitas são as pessoas que estão adotando a arte como avatar no Twitter. Há quem tenha disponibilizado variações da imagem em alta definição para serem usadas em cartazes.

Você percebe que a coisa não vai bem para o seu inimigo quando ele próprio toma a iniciativa de lhe fornecer as armas para o combate. Sendo assim, adotem o avatar da Dilma em seu blog, orkut, twitter e facebook. Façam camisetas para os seus amigos. Às armas, companheiros!"


Primeira prova efetiva de que o bicho está pegando na grande rede? Às 20h29min do mesmo dia 16 de agosto, pouco mais de oito horas depois, o jornal O GLOBO ONLINE publicou matérica intitulada RETRATO DE DILMA GUERRILHEIRA VIRA ÍCONE PETISTA (imagem abaixo, a matéria aqui). Nela, cita a iniciativa de Bruno Ribeiro - sem indicação de seu texto, diga-se, referindo-se a ele como "outro blogueiro".

Eu, que não fujo à luta e nem da convocação feita por um irmão de fé, entrei na onda e mandei fazer, ontem à tarde, 19 de agosto, minha camiseta usando a imagem em referência, e publiquei aqui, às 16h15min, o texto A DILMA É POP, exibindo a fotografia da camisa (o texto pode ser lido aqui).

Segunda prova efetiva de que o bicho está pegando na grande rede? Menos de duas horas depois o site da mesmíssima revista ÉPOCA publicou matéria intitulada A VERDADE É O MELHOR JORNALISMO... DILMA QUE O DIGA (imagem abaixo, a matéria aqui). Nela - muito mal escrita e com um raciocínio tão torto quanto a matéria original publicada na edição impressa - a ÉPOCA reproduz - sem citar a fonte - justamente a fotografia da minha camisa, publicada horas antes no BUTECO. Termina assim, a matéria:

"Estão agora imprimindo camisetas com uma das imagens publicadas internamente na revista: a ilustração do rosto de Dilma (foto ao lado) que está sendo espalhada pela internet em blogs petistas como propaganda pop. Como a verdade assusta, à primeira vista, todos os radicais!! Numa eleição polarizada como esta, e em ambientes que cultivam a idolatria, a inteligência costuma ser a primeira vítima. É nessas horas – a edição desta semana de EPOCA – que o jornalismo presta um serviço inestimável ao voto consciente."

Tenho algo a dizer à revista ÉPOCA que, agora sei, me lê. Estamos mesmo, todos os simpatizantes da campanha de Dilma Rousseff, imprimindo camisetas com a imagem publicada na revista, a ilustração do rosto de Dilma que está sendo, sim, devidamente espalhada pela grande rede. Mais: quem me lê com freqüência, o que não parece ser o caso da revista, sabe que o BUTECO DO EDU não é um "blog petista" - o que não me diminuiria, mas não é. Sou, isso sim, um entusiasta do governo Lula e um soldado em luta permanente, na medida de minhas possibilidades, pela eleição de Dilma Rousseff, e faço questão de sugerir o obrigatório texto de hoje de outro irmão meu, Luiz Antonio Simas, O SEGREDO DE LULA, que pode ser lido aqui.

Por fim, quero dizer que sou, sim, um radical. E um radical a quem a verdade não assusta. Quanto ao serviço que a ÉPOCA pensa fazer - prestar um serviço inestimável ao voto consciente - chega a ser risível. O grande serviço prestado pela ÉPOCA, neste episódio, foi o de fornecer um belíssimo elemento de propagação de nossas idéias, de nossa vontade, de nossso desejo, de nosso voto mais-que-consciente.

Agradeço às centenas de mensagens que me chegaram por todos os meios parabenizando-me pela iniciativa de fazer a camisa e me encomendando camisas de todos os tamanhos e cores possíveis, gente de todo o Brasil. Não me é possível, entretanto, neste momento, atender a esse apelo que, sinceramente, me comove. Está além das minhas possibilidades, por questões de tempo e de logística. Razão pela qual faço a sugestão: aqui você encontra a imagem em altíssima definição disponível para download, mais do que suficiente para que a confecção de sua camisa. Aos amigos do Rio, uma outra dica: mandei fazer as minhas (minha e da minha menina) aqui, na BORDADOS-RJ. Eles são bons, eficientes, fazem a camiseta na hora (não leva mais do que 15 minutos) e sai por R$ 23,00 (vinte e três reais) a camiseta, marca HERING. Eles já têm, inclusive, em arquivo, a imagem; basta dizer que foi enviada por Eduardo Goldenberg.

Às armas, às armas!

Até.

18.8.10

A DILMA É POP

Foi meu mano Bruno Ribeiro quem me despertou pro troço, aqui. O tiro da revista ÉPOCA saiu pela culatra e a imagem de Dilma Rousseff, publicada com intenções sujas de transformá-la numa ameaça para o Brasil, transformou-se, ainda que informalmente, num símbolo de sua campanha rumo à Presidência da República. Atendendo a uma convocação de Lula, inclusive - veja aqui -, sigo cumprindo meu minúsculo papel: mandei fazer hoje duas camisetas com a imagem (vejam abaixo).

Dilma Rousseff

Não é demais repetir: Lula tá com ela, eu também tô!

Até.

16.8.10

BAR DO CHICO

Quem me lê e me acompanha sabe o quanto fiquei contrariado quando o Chico, dono do BAR DO CHICO, ampliou os domínios de seu buteco, adquirindo a loja ao lado e montando, ali, um restaurante. Temia eu - e o medo mostrou-se à toa - que o glorioso buteco da esquina de Afonso Pena com Pardal Mallet estivesse com seus dias contados.

Pois ontem, domingo, uma vez mais fui à feira na Vicente Licínio, pertinho dali. Vidal, a fim de descobrir os fascínios daquele mercado de rua, marcou comigo às 9h da matina no BAR DO CHICO. E ali bebemos três garrafas de Brahma geladíssimas, atendidos pelo Chicão, braço direito do Chico, que chegou em seguida.

O boa-praça, empolgado com minha presença ali depois de longa ausência, ofereceu-nos caldinho de feijão da feijoada que seria servida na hora do almoço.

Chico, do BAR DO CHICO, Rio de Janeiro, RJ, na Tijuca

Faço, pois, a confissão pública: o BAR DO CHICO continua grande, um grande buteco. Tão grande quanto o sorriso desse cabra, de primeira categoria.

Até.

12.8.10

LULA TÁ COM ELA, EU TAMBÉM TÔ!

Eu havia decidido, há meses, que pouco, muito pouco falaria sobre a grande eleição de 03 de outubro próximo. E por diversas razões que não vêm, agora, ao caso. Entretanto, meus poucos mas fiéis leitores... chegou um e-mail, chegaram dois e-mails, chegaram muitos e-mails pedindo, todos com extremíssima delicadeza, uma posição minha mais incisiva (e confesso que acho graça de tanta perguntação!). Mais que isso, a própria campanha vai esquentando, o início do horário político vai chegando e, muito embora não seja segredo pra ninguém que meu voto vai para Dilma Roussef, eis que acordei hoje, depois da nojenta entrevista com Serra no Jornal Nacional de ontem à noite - um papo de comadres se comparado ao massacre indelicado e em vão que Bonner tentou impôr à minha candidata, na segunda-feira - com uma aguda vontade de lhes dizer meia-dúzia de palavras.

Resumo da ópera: como diz o jingle da campanha, Lula tá com ela, eu também tô. Dentre tantos acertos do governo Lula - e as comparações com a era FHC chegam às raias da humilhação - um é muito impressionante: o país, como há muito não se via, está dividido, e eu acho também uma tremenda graça quando tentam latir, por aí, que esse papo de luta de classes, que esse nhém-nhém-nhém de lutas sociais etc acabou. E a divisão é braba, é nítida e revoltante. Vamos aos fatos.

Vocês estão cansados de saber que sou preciso do início ao fim, razão pela qual o que vou lhes contar é a mais pura expressão da verdade.

Há alguns meses, quando foi noticiado que Dilma Roussef enfrentava um tratamento contra o câncer, ouvi de um sujeito cujo nome não repito nem à fórceps:

- Vamos ficar tranqüilos. O câncer de Dilma vai nos salvar - e riu, o escroque.

Estava eu à mesa, com uns amigos de meu sogro, em Volta Redonda. Quem me conhece de perto sabe o quanto ouvir essa ignomínia me doeu. Mas não por isso - nossas dores têm sempre de ser expurgadas intramuros - dei um soco à mesa e disse ao sujeito que levantasse o rabo da cadeira sob pena de apanhar como nem eu sei como faria. Com o rabo entre as pernas, como é comum entre os covardes, o canalha se retirou pedindo desculpas.

Outro dia, num buteco qualquer da Tijuca, um sujeito disse, no balcão, defendendo a candidatura tucana, literalmente:

- Depois de oito anos com esse analfabeto com pena de pobre no poder tenho que ouvir a porra da minha empregada pedir DVD emprestado pra ver em sua casa, porque agora pobre parcela tudo e pensa que é gente como a gente, né?

Pedi a conta pra não ter que me aborrecer.

E tem sido sempre assim.

A classe média mais raivosa, mais odiosa, a mesma que nunca tolerou o nordestino de Garanhuns no poder, a mesma que passou oito anos fazendo piada por conta das origens de Lula, a mesma que não tolera - simplesmente não tolera! - ver o mais humilde galgando um degrau em sua direção na escala social, é a que está com a tucanalhada que há de ver, uma vez mais, seu projeto de voltar ao poder fracassado.

A imprensa, também, como a sociedade, está rachada. E o que vemos, por exemplo, é o "cogumelo de poder" que é a GLOBO - expressão reiteradas vezes usada por Leonel Brizola -, não medindo esforços para ver no poder, de volta, a mesma corja que durante os oito anos de governo FHC, o vendilhão, destruiu, negou, vendeu e achatou o Brasil.

Dirão alguns que há Marina Silva, que há Plínio de Arruda Sampaio, e que esse clima de plebiscito é prejudicial ao Brasil. Não acho. E não acho mesmo. Marina Silva, uma mulher por quem tenho profundo respeito, ainda merece um par de olhos voltados pra ela - e só. O outro, candidato do patético PSOL, por tudo o que tem dito perdeu o mínimo de respeito que eu nutria por seu passado. Com um discurso corroído, entre o raivoso e o debochado, franco-antirador que tem sido nessas eleições, volta o cano de seu bacamarte enferrujado na direção da candidata do continuísmo, e nunca o continuísmo foi tão necessário para continuarmos avançando, poupando a tucanalhada e sendo desrespeitoso, também, com Marina Silva, a quem inacreditavelmente chamou de "filha" no último debate entre os candidatos. Um palhaço, bem ao gosto do picadeiro psoliano. Ninguém em sã consciência pode sequer levar a sério sua candidatura, tosca como toscos são os tais "quadros" tão decantados pela pinacoteca PSOL, salvo raríssima exceção, assim mesmo, no freixo-singular.

Razão pela qual eu, messiânico por natureza, tô com Dilma.


Até.

EIS O NÍVEL DA IMPRENSA...

O portal TERRA - aqui - publicou, hoje pela manhã, uma galeria de fotografias dos artistas que estiveram, ontem à noite, na entrega do 21º Prêmio da Música Brasileira, no Theatro Municipal, no Rio de Janeiro. Dentre elas, esta que publico abaixo. Legendada, por uma azêmola cujo nome não descobri, mostra o compositor paraense, Billy Blanco, como se fosse Aldir Blanc. Uma deselegância aguda com ambos.

E uma demonstração (mais uma) de a quantas anda a imprensa meia-boca brasileira.

Até.

5.8.10

ENTREVISTA - BETH CARVALHO

ESTA ENTREVISTA, AGORA, PODE SER LIDA AQUI.

3.8.10

A ENTREVISTA COM A BETH CARVALHO

Preciso lhes contar uma coisa antes de publicar, provavelmente amanhã, a sensacional entrevista que fizemos com Beth Carvalho na semana passada, a sexta que será publicada no BUTECO (as demais estão no menu, à direita de quem lê). Não sem antes lhes pedir desculpas pela ausência dos últimos dias. Trabalho em excesso, umas mini-férias que me permiti e o trabalho hercúleo que é a trasncrição de uma entrevista desse porte. Tenho muita pena de perceber que hoje as entrevistas não existem mais, salvo raríssimas - e cada vez mais raríssimas - exceções. O que há hoje são as "coletivas", um release distribuído à imprensa pelas assessorias, e o que temos são entrevistas modorrentas mais com cara de outdoor do que de entrevista. Não por outra razão estivemos, eu e Luiz Antonio Simas, na casa da Beth, na noite da terça-feira passada, de onde voltamos com exatos 144 minutos e 06 segundos de conversa registrados. Mas vamos ao que quero lhes contar.

Eu havia estado lá, uma semana antes, para cumprir uma promessa feita a um de meus afilhados, o cracaço Henrique Blom, doido pra conhecer a Beth pessoalmente. Ficamos lá - o quê? - umas 3, 4 horas de conversa, ouvimos os sambas que estão sendo selecionados para seu próximo disco, rimos muito, até que eu disse:

- Ô, Beth, e quando é que você vai me conceder um entrevistão?

E ela, generosa como sempre, mandou de voleio:

- Ué. Semana que vem!

E marcamos.

A entrevista, como já lhes disse, foi ouro puro, e mais vocês saberão provavelmente amanhã, quando eu a publicar. Ocorre que houve um contratempo danado e uma surpresa que hoje quase me matou. Vamos lá.

Fui fazer a entrevista com um Panasonic RR-US395, digital. Antes de começar, brinquei:

- Eu preferia um gravador de fita-cassete, não confio nesses troços...

A Beth, antenadíssima, deu-me um passa-fora de mãe... Mas o fato é que no dia seguinte, na quarta-feira, espetei o bicho no computador e... ... ... nada de arquivos gravados! Nada! Bateu o desespero absoluto. Liguei pra ela que, como esperado, ficou também desolada. Havia, porém, uma espécie de salvação. A entrevista foi também gravada em DVD, só que por conta dessas intempéries tecnológicas, foi cortada em determinado momento... Ou seja, a saída seria transcrever o material gravado em vídeo para, então, refazermos a entrevista noutra data. Transcrever a entrevista seria, inclusive, uma de minhas tarefas durante as mini-férias. Passei a quarta, a quinta, a sexta, o final de semana, completamente triste com isso... Mas eis que deu-se o milagre. Na segunda-feira li, de cabo a rabo, o manual do bichinho. E recuperei os três arquivos, na íntegra: o primeiro com 44min e 02seg, o segundo com 56min e 49seg e o terceiro com 41min e 35 de papo. Delírio!

Pedi à Beth, depois de dar a ela a monumental notícia, ontem pela manhã, que ela me mandasse algumas fotografias de seu acervo pessoal para ilustrar o entrevistão. E ela - não é demais repetir, generosa como sempre! - mandou-me hoje alguns tesouros muito bacanas que eu vou expôr amanhã, dividindo essa beleza com vocês. É que ela, além de seu próximo disco, está se dedicando a organizar o impressionante acervo que tem em casa, de fitas, discos, gravações em vídeo (algumas raríssimas, vejam amanhã!), documentos e fotografias. E ela - foi aí que quase me matou - mandou-me dois tesouros que interessam - confesso - apenas a mim, mas que quero dividir com vocês também.

Já lhes contei, em certa ocasião, que no ano de 2002, fui jantar com minha menina, a convite da Beth, na casa do Martinho da Vila, em noite dedicada ao meu eterno e saudoso governador, Leonel de Moura Brizola. Éramos poucos - e a noite foi intensa! Martinho da Vila e Cléo - sua mulher -, eu, minha menina, Beth Carvalho e Leonel Brizola. E só! Depois do jantar pintaram Mart´nália e Analimar, com uns músicos, para uma roda de samba assim, em petit comité. Comemos muito bem, bebemos muuuuuito bem (não me esqueço do Brizola bebendo vinho tinto com muita sede!!!), cantamos muito e eu ainda tive o privilégio de ver o Brizola pedindo aos músicos que o acomapanhassem numa de suas canções preferidas, que ele cantou de pé e com os olhos marejados (que se multiplicaram pela sala): FELICIDADE, de Lupicínio Rodrigues.

Um fotógrafo, contratado pelo Martinho e pela Cléo, fez os registros. Passei anos - mais precisamente 8 anos!!!!! - atrás de pistas dessas fotos. A Cléo jurava que tinha me dado; o fotógrafo, Fernando, se eu não me engano, jurava que tinha dado tudo a Cléo e mandado as minhas pelo correio (!), a Beth dizia que não lembrava de ter recebido foto alguma... e ficou nisso.

Até que hoje, anunciadas por um carinhosíssimo texto com gosto de muito dengo, me chegaram as duas fotos abaixo, localizadas na montanha de fotografias que a Beth mantém em seu apartamento. Na primeira, eu e Beth com o velho caudilho. E na segunda, eu e minha menina abraçados ao grande Leonel! E confiem em mim: vem coisa muito boa por aí, com a entrevista!

Eduardo Goldenberg, Leonel Brizola e Beth Carvalho, 2002

Eduardo Goldenberg, Leonel Brizola e Dani Pureza, 2002

Até.