3.8.10

A ENTREVISTA COM A BETH CARVALHO

Preciso lhes contar uma coisa antes de publicar, provavelmente amanhã, a sensacional entrevista que fizemos com Beth Carvalho na semana passada, a sexta que será publicada no BUTECO (as demais estão no menu, à direita de quem lê). Não sem antes lhes pedir desculpas pela ausência dos últimos dias. Trabalho em excesso, umas mini-férias que me permiti e o trabalho hercúleo que é a trasncrição de uma entrevista desse porte. Tenho muita pena de perceber que hoje as entrevistas não existem mais, salvo raríssimas - e cada vez mais raríssimas - exceções. O que há hoje são as "coletivas", um release distribuído à imprensa pelas assessorias, e o que temos são entrevistas modorrentas mais com cara de outdoor do que de entrevista. Não por outra razão estivemos, eu e Luiz Antonio Simas, na casa da Beth, na noite da terça-feira passada, de onde voltamos com exatos 144 minutos e 06 segundos de conversa registrados. Mas vamos ao que quero lhes contar.

Eu havia estado lá, uma semana antes, para cumprir uma promessa feita a um de meus afilhados, o cracaço Henrique Blom, doido pra conhecer a Beth pessoalmente. Ficamos lá - o quê? - umas 3, 4 horas de conversa, ouvimos os sambas que estão sendo selecionados para seu próximo disco, rimos muito, até que eu disse:

- Ô, Beth, e quando é que você vai me conceder um entrevistão?

E ela, generosa como sempre, mandou de voleio:

- Ué. Semana que vem!

E marcamos.

A entrevista, como já lhes disse, foi ouro puro, e mais vocês saberão provavelmente amanhã, quando eu a publicar. Ocorre que houve um contratempo danado e uma surpresa que hoje quase me matou. Vamos lá.

Fui fazer a entrevista com um Panasonic RR-US395, digital. Antes de começar, brinquei:

- Eu preferia um gravador de fita-cassete, não confio nesses troços...

A Beth, antenadíssima, deu-me um passa-fora de mãe... Mas o fato é que no dia seguinte, na quarta-feira, espetei o bicho no computador e... ... ... nada de arquivos gravados! Nada! Bateu o desespero absoluto. Liguei pra ela que, como esperado, ficou também desolada. Havia, porém, uma espécie de salvação. A entrevista foi também gravada em DVD, só que por conta dessas intempéries tecnológicas, foi cortada em determinado momento... Ou seja, a saída seria transcrever o material gravado em vídeo para, então, refazermos a entrevista noutra data. Transcrever a entrevista seria, inclusive, uma de minhas tarefas durante as mini-férias. Passei a quarta, a quinta, a sexta, o final de semana, completamente triste com isso... Mas eis que deu-se o milagre. Na segunda-feira li, de cabo a rabo, o manual do bichinho. E recuperei os três arquivos, na íntegra: o primeiro com 44min e 02seg, o segundo com 56min e 49seg e o terceiro com 41min e 35 de papo. Delírio!

Pedi à Beth, depois de dar a ela a monumental notícia, ontem pela manhã, que ela me mandasse algumas fotografias de seu acervo pessoal para ilustrar o entrevistão. E ela - não é demais repetir, generosa como sempre! - mandou-me hoje alguns tesouros muito bacanas que eu vou expôr amanhã, dividindo essa beleza com vocês. É que ela, além de seu próximo disco, está se dedicando a organizar o impressionante acervo que tem em casa, de fitas, discos, gravações em vídeo (algumas raríssimas, vejam amanhã!), documentos e fotografias. E ela - foi aí que quase me matou - mandou-me dois tesouros que interessam - confesso - apenas a mim, mas que quero dividir com vocês também.

Já lhes contei, em certa ocasião, que no ano de 2002, fui jantar com minha menina, a convite da Beth, na casa do Martinho da Vila, em noite dedicada ao meu eterno e saudoso governador, Leonel de Moura Brizola. Éramos poucos - e a noite foi intensa! Martinho da Vila e Cléo - sua mulher -, eu, minha menina, Beth Carvalho e Leonel Brizola. E só! Depois do jantar pintaram Mart´nália e Analimar, com uns músicos, para uma roda de samba assim, em petit comité. Comemos muito bem, bebemos muuuuuito bem (não me esqueço do Brizola bebendo vinho tinto com muita sede!!!), cantamos muito e eu ainda tive o privilégio de ver o Brizola pedindo aos músicos que o acomapanhassem numa de suas canções preferidas, que ele cantou de pé e com os olhos marejados (que se multiplicaram pela sala): FELICIDADE, de Lupicínio Rodrigues.

Um fotógrafo, contratado pelo Martinho e pela Cléo, fez os registros. Passei anos - mais precisamente 8 anos!!!!! - atrás de pistas dessas fotos. A Cléo jurava que tinha me dado; o fotógrafo, Fernando, se eu não me engano, jurava que tinha dado tudo a Cléo e mandado as minhas pelo correio (!), a Beth dizia que não lembrava de ter recebido foto alguma... e ficou nisso.

Até que hoje, anunciadas por um carinhosíssimo texto com gosto de muito dengo, me chegaram as duas fotos abaixo, localizadas na montanha de fotografias que a Beth mantém em seu apartamento. Na primeira, eu e Beth com o velho caudilho. E na segunda, eu e minha menina abraçados ao grande Leonel! E confiem em mim: vem coisa muito boa por aí, com a entrevista!

Eduardo Goldenberg, Leonel Brizola e Beth Carvalho, 2002

Eduardo Goldenberg, Leonel Brizola e Dani Pureza, 2002

Até.

20 comentários:

Bruno Ribeiro disse...

Deus Santo! O COMANDANTE! Que saudade de Leonel Brizola, querido! Você não imagina o que essas fotos causaram no coração desse seu amigo...

Eduardo Goldenberg disse...

Mano velho... você é que não imagina o que foi essa noite. Já tentei escrever sobre ela diversas vezes. Não consigo. Ou eu choro no meio e desisto, ou percebo, no final, que se trata do seguinte: ou se estava lá ou de nada adianta. Sabe como? Uma senhora noite. Dessas de nunca mais se esquecer. E vem cá... dá pra notar a cara de "alegre" demais do velho caudilho, né? Principalmente na primeira foto... Como bebeu vinho nessa noite, o Leonel...

Bruno Ribeiro disse...

E como faz falta, neste momento que estamos vivendo, o velho caudilho! Você tem razão, querido: certas noites não podem ser explicadas por palavras. Tenho certeza de que ela viverá, pelo menos em ti, como uma página da história brasileira.

Eduardo Goldenberg disse...

Acho que nunca te contei sobre essa noite, né?, com detalhes... Está apalavrado: cobre-me isso no primeiro encontro. Abração!

Daniel Banho disse...

Ando ansiosíssimo por essa entrevista.

Luiz Antonio Simas disse...

O trabalhismo é a verdadeira tradição da esquerda brasileira, nosso socialismo moreno, distante dos modelos europeus de velhos comunistas de casacas, instintos homicidas, raiva da vida e semblantes fechados. O trabalhismo é, até hoje, o único "ismo" revolucionário do Brasil.

Saravá, caudilho!!

AOS QUARENTA A MIL disse...

Oba! Voltarão os maravilhosos momentos de escritas do Buteco, no estilo "Passeio pela Tijuca", cheios de emoção e detalhes precisos, principalmente com a participação do Simas, ainda mais quando o tema envolve Bete Carvalho.

Também é um imenso prazer relembrar Leonel, coincidentemente, novamente vendo o jornal da manhã de hoje, uma matéria falava sobre o descaso com os Brizolões , como aconteceu no CIEP de Irajá onde roubaram pela sétima vez e levaram ventiladores, televisão, chuveiros, torneiras e por último todo o estoque das merenda das crianças a biblioteca foi invadida por esta epidemia de viciados em crack, dai comentei com meu esposo (novamente) Leonel deve se revirar no túmulo ao ver isto, e lembrei : “Na verdade, ele está por aqui acompanhando tudo !”

Quando passei pelo Buteco e vi a foto dele na postagem pensei “olha ele aí, danado!”

Abraço grande e sucesso na publicação da entrevista

NADJA GROSSO disse...

Que saudades Edu, tempo bom creio que igual não volta mais, não sou pessimista porem sou realista. Na verdade Brizola tornou-se imortal, um mito.
Este país ainda haverá de dar o justo, merecido valor a “Um brasileiro chamado Brizola”. Beijos

ricardo disse...

Pelo jeito, essa entrevista será a mais concorrida do buteco.
Estamos todos ansiosos...

Toré disse...

Bom dia Edu ! Acompanho seus posts pelos RTs de amigos no Twitter. Vi o link e quis saber sobre a entrevista com a grande Beth Carvalho. Qual não foi minha surpresa ao encontrar o velho caudilho ! Sou Brizolista até morrer e fiquei com muita inveja da sua noite ! Nos negros dias atuais da política brasileira, como seria bom se Brizola ainda estivesse aqui para dar dignidade à "democracia" brasileira. Grande abraço e obrigado por me lembrar mais uma vez do grande Leonel !

Eduardo Goldenberg disse...

Imagina, Toré, nada de inveja! Marque uma cerveja com seu amigo e meu compadre Leo Boechat - que reiteradamente fala sobre você quando está comigo -, convoque-me, me dê o prazer de lhe conhecer e eu divido com você tudo o que vivi naquela noite. Um forte abraço, salve o Brizola!

Toré disse...

Valeu Edu ! Nem imaginava que você sabia quem eu era ! Vamos marcar essa cerveja com certeza ! O mais difícil é marcar com o Leo, aquele farsante ! rsrsrsrsrs...

Grande abraço e parabéns pelo excelente blog !

Eduardo Goldenberg disse...

Pra você ver, Toré: o Leo pode até ser um farsante - faceta que eu desconheço - mas é um generoso quando fala dos amigos. Abração, não demore a marcar isso, hein!

Cazé disse...

Realmente, que falta faz o velho Brizola na conjuntura política atual, principalmente no nosso RJ!
Tive um mestre aqui em Volta Redonda - o grande Waldyr Bedê - que manteve-se fiel a ele até nos deixar. Hoje tenho orgulho de fazer parte da equipe do seu filho, também Waldyr - e Leonel, numa justa homenagem.
Abraços.

AOS QUARENTA A MIL disse...

Caraca, nem eu entendi o que eu escrevi, mas é assim mesmo, a gente fica entusiasmado e quer falar tudo de uma vez e sai tudo doido, rs.O bom mesmo será acompanhar a entrevista da Beth (com correção) e sempre que puder lutar pela manutenção dos CIEPs e do sonho de Leonel e Darcy.
Sou assim mesmo, me empolgo demais com a boa escrita !!!!
Bjs

Eduardo Goldenberg disse...

Volta Redonda, Toré? Você é daí? Ou está trabalhando aí? Eu vivo aí, rapaz! É a cidade mais brizolista que eu já conheci! Abração.

FELIPE DRUMOND disse...

Edu, é emocionante ver a forma como você se reporta ao seu encontro com a Beth e à noite na casa do Martinho.
Parabéns pelos textos. Mais, parabéns pelo prazer de ter vivido suas memórias.
Abração.

Bruno Quintella disse...

Mal posso esperar pela entrevista, querido Edu. Mas - confesso - o que me chamou mais atenção, e o que também me emocionou, foi essa roda de samba com o velho Brizola. Que história! Meu pai também amava este homem e não foram poucas as vezes que me levou para um comício ou passeata. "Dia de eleição é dia de lenço vermelho". E ainda mais na casa do Martinho, outro que meu velho reverenciava. Que encontro! E por falar nisso:
saudades do amigo, marquemos um uísque, porque tem andado frio pra caramba.

Um beijo

Eduardo Carvalho disse...

Eduardo Goldenberg:

uma e quarenta e quatro da manhã - para dar a precisão que você tanto preza - e eu aqui, só agora conseguindo me dedicar ao que realmente interessa, eu que ando trabalhando muito mais do que gostaria, posto que se pudesse não trabalhava e me orgulho de pensar assim...

Li este post, mesmo já vendo logo acima a entrevista. Estou adiando esse encontro. Amanhã a lerei. Ando evitando chorar e sei que vou. Beth representa muito pra mim, como já escrevi lá no blog quando falei do Martinho, e lá no livrinho, um texto que é só pra ela - enfim, isso não vem ao caso.

Um grande abraço, meu amigo, e vamos nos ver logo que der, e também com o Simas, de quem sinto saudade também.

Amanhã, com alguma bebida do lado, hei de ler esse bate-papo histórico. E hei de rezar para que um dia eu possa conviver muito só com as pessoas de quem realmente gosto e a quem realmente admiro.
Salve, sempre e pra sempre, a imensa Beth Carvalho. Responsável, sem saber, por tudo o que o samba me deu - que não foi profissão, nem dinheiro, nada disso, mas um prazer infindável e indescritível que nunca passará e um olhar diante da vida e das pessoas que de outra forma eu NUNCA teria, e que me faz sentir tão bem.

Beijo, mermão.

AOS QUARENTA A MIL disse...

Pô Eduardo Carvalho , assim não há coração que aguente !!! Estou ouvindo Beth neste momento 12:57 em seguida Alcione (o ABC do samba) na 90,30.

Prefiro nem falar o que senti quando li a entrevista , pois vou ficar parecendo uma GOSMA!!! Sofro da síndrome da espontaneidade desenfreada!


Bjos querido jornalista!!!!!