27.1.11

AS COISAS MAIS SIMPLES DESSA VIDA

Hoje acordei com o Buba na cabeça, sabe-se lá o por quê. Conheci o Buba em meados do ano 2000, quando eu era sócio de um bar em Vila Isabel e resolvi fazer acontecer um bloco de carnaval - foi quando nasceu o SEGURA PRA NÃO CAIR, que desfilou em 2001 homenageando Noel Rosa, em 2002 com Beth Carvalho, em 2003 com Martinho da Vila, em 2004 com Aldir Blanc e em 2005 com João Bosco. Todos, inclusive o saudoso poeta da Vila, presentes - diga-se. A bateria do bloco era, digo sem modéstia, a melhor dentre todos os blocos da cidade: simplesmente a bateria da G.R.E.S. Unidos de Vila Isabel, sempre sob o comando dos mestres Mug e Mariozinho. Era um troço de maluco aqueles 50, 60, 70 componentes da escola fazendo a cadência daquele modestíssimo bloco de esquina. Pois bem. Logo em 2000 conheci o caboclo (abaixo, na foto comigo, tirada em 15 de novembro de 2010 durante roda de samba no ESTUDANTIL). 


Um garoto simples, cativante, ficávamos de papo durante os ensaios (do bloco e da escola), dividíamos cerveja, conheci sua mulher - a Lu -, fomos ao longo do tempo costurando os laços que mantêm as pessoas unidas e em 2003, em dezembro, uma surpresa: Buba aparece no bar com a mulher - o finado ESTEPHANIO´S - e eles dão a notícia de que seríamos, eu e minha menina, padrinhos da filhota que estava pra nascer (aqui, em janeiro de 2005, nós quatro, em nossa casa).

Veio 2004 e a Dhaffiny nasceu em pleno Carnaval. Isso são outros quinhentos, não é o que quero lhes contar hoje.

Um certo dia, era um sábado, estrila meu telefone e era o Buba, convocando a mim e à minha menina para uma cerveja, um almoço, em sua casa. Corria o ano de 2004, ainda.

Eles moravam numa casa, logo na subida do Morro dos Macacos, hoje moram num apartamento em Vila Isabel. Chegamos lá, aquela festa de sempre (depois do quase-perrengue de sempre pra atravessar a "cancela" dos olheiros do tráfico), a festa com as meninas, meu compadre me chama pros fundos do quintal. Carregava uma garrafa de cerveja e dois copos. Serviu a mim, serviu-se, pôs a garrafa no chão e me disse de olhos marejados:

- Compadre, passei na prova da COMLURB, cara! - ele tinha feito, semanas antes, prova para o cargo de gari.

Dei-lhe um abraço, dividi com ele a alegria da conquista e disse, em seguida:

- Vamos brindar com as moças lá na sala, rapaz! É uma grande notícia!

E ele me segurou:

- Não! Não! Ainda não!

- Não?

E disse a frase que me fez quase-morrer, ali (lembro-me que, imediatemente, liguei pra meu mano Szegeri, em São Paulo, pra tomar ar, eis que o homem da barba amazônica é dos que me acalmam quando o bicho da emoção me pega):

- Não! Vou buscar minhas roupas só na segunda-feira. Eu quero chegar em casa vestido, compadre, à caráter! - e danou de rir, de olhos cheios d´água.

Até.  

13 comentários:

Vanessa Dantas disse...

Puta história linda!

Boa de ler no meio de uma tarde pesada e quente.

Beijo, querido.

Juliano disse...

Bela história, Edu.
Como dizia o Camunguelo, o samba une as pesssoas. Tenho amigos queridos feitos ao som da bateria. Pena não ter conhecido o Segura Pra Não Cair.
Salve o samba, salve a amizade.
Abraço.

Bruno Chagas disse...

Belíssima história. Emociona pela simplicidade.

E o título do texto é perfeito.

Abraço!

Renata Sawabini disse...

Linda história.
Me fez ficar com um sorriso eterno no rosto.

Carlos Roberto disse...

Maravilhosa História!
Permita-me oferecê-la ao Boris Casoy!
abç
Carlinhos
Botucatu-SP

Samia Helena disse...

Só de pensar o Buba arquitatando o "plano surpresa" enche meu coração de afeto e ternura..por ele!!!

mari disse...

Lindo demais. Alegria genuína de um cara que sabe o valor de uma surpresa dessas para a mulher do coração: um emprego! Amor sincero por esses brasileiros, viu?

FVale disse...

que bonito. essa é pra parar, sentar e pensar na vida. vc está se superando como cronista, se é que devo chamá-lo assim. parabéns pra vc. e o pro Buba tb!

Bruno Ribeiro disse...

E eu só pude ler agora! Uma história brasileiríssima, dessas que reforçam as nossas convicções nesse belíssimo povo. O Buba, como diria mestre Ariano Suassuna, deve ser o descendente de um príncipe africano. Quanta dignidade.

Mariane disse...

Homem fantástico!

Rodrigo disse...

Bonito texto, Edu!

Renata Werneck disse...

Que lindo, Edu! Que lindo! Fiquei muito emocionada! Bj.

CRAQUE DA GEMA!!! disse...

A Comlurb eh o orgulho do Rio!

um grande abraco a vc e ao buba!

r.pian