19.4.11

ISSO É COMIDA DI BUTECO?

Recebi, ontem à noite, e-mail de uma de minhas poucas mas fiéis leitoras - de Belo Horizonte. Trata-se de uma moça que, à minha moda, revolta-se com a invasão de sua cidade por parte da horda de consumidores e seguidores da moda imposta pela mídia brasileira por conta do nefasto, nocivo e pernicioso festival Comida di Buteco, o festival da Jabalândia (leiam aqui).

E eu, que já havia inaugurado a série através da qual pretendo exibir as criações grotescas dos bares e botequins que se rendem às garras do festival aqui, volto à carga hoje pondo no balcão virtual o prato concorrente no festival em Belo Horizonte, nascedouro do troço, do Bar da Cida.

Eu, que não conheço o Bar da Cida e tampouco a própria Cida, falarei muito à vontade sobre o Floramar, que eles, organizadores, chamam de tira-gosto. O Floramar é, a foto é clara, uma gororoba de tremendo mau gosto que mais se assemelha a um outdoor disfarçado de tira-gosto. 


Trata-se de "carne de sereno, mandioca, cebola, alho, suco de siriguela, cogumelo fatiado, maionese, amido de milho, vinho, azeite, couve-flor, pimenta biquinho e cheiro verde". Perderam o fôlego ou vomitaram lendo os ingredientes?

A foto - ah, a Jabalândia... - exibe a marca Hellmann´s (a maionese é uma das patrocinadoras da coisa) e a cerveja Bohemia, há muitos anos intragável.

Como os meus botequins de fé servem pratos que se resumem a uma palavra, duas no máximo (torresmo, pele, ovo colorido, carne-seca, lingüiça, por aí...), acho inacreditável a imposição do festival. Daí temos, além desse horror exposto hoje, "farofa de feijão andu com bacon puxado na manteiga de garrafa" (puxado?), "ossobuco desmanchado e carne de sol perfumados com limão siciliano em cama de angu e nacos de requeijão de raspa" (desmanchado?, perfumados?, cama?, nacos?), "lombo assado na maionese" (na maionese?), "surubim em cubos" (em cubos?) e um bolinho de carne-de-sol "finalizado com maionese" (finalizado com maionese?).

Se no Bar do Marreco, no Almara, no Bar do Chico, no Pink, no Columbinha, em qualquer outro do mesmo nível (todos portentosos butecos tijucanos), eu sonhar em pedir um desses troços no balcão, serei olhado com uma desconfiança irreversível.

Diante disso, resta-me dizer: fujam dos bares que participarão do festival, evitem esbarrar com os histéricos e com as histéricas no interior dos bares, onde eles terão chegado em vans alugadas para fazer o roteiro proposto pelos organizadores, não sejam idiotas a ponto de ficarem por aí conjugando o verbo proposto pelo festival - "Eu boteco, tu botecas, nós Comida di Buteco" -, não permitam que esse evento conspurque sua cidade e seu botequim preferido. Eu, ao menos, tenho imenso orgulho de dizer (e sou grato por isso) que os meus butecos de fé não participam dessa roleta-russa que visa, precipuamente, o lucro de quem, em pele de cordeiro, faz o papel do lobo devastador do sistema capitalista.
Até.
    

Um comentário:

Tati disse...

Os botecos de fé(?) ou não(rs) nada têm a perder com a participação do concurso em questão, a "gororoba" agrada há tempos os frequentadores que adoram transbordar a barriguinha de cerveja...
Pq não um genuíno tira-gosto com pupunha? Coisa boa! Experimentei, gostei! Recomendo! Uma culinária admirável do ponto de vista mais simples, sem julgar quem patrocina ou deixa de patrocinar. Fato que deve incomodar bastante só quem não tá embolsando nenhum centavo com isso.